disparatem, que laborem em erro! Enganarmo-nos é o único privilégio humano frente a todos os outros organismos! Quem erra, chega à verdade! Sou ser humano precisamente porque erro.Ainda ninguém chegou a uma verdade qualquer sem antes se ter enganado catorze vezes, ou talvez cento e catorze, e isso é um mérito, neste sentido. Mas não, nem sequer sabemos errar por nossa nossa própria cabeça! Diz-me um disparate, mas à tua maneira, aí dou-te um beijo. Um disparate nosso, à nossa maneira, é quase melhor que uma verdade alheia: no primeiro caso, somos seres humanos, no segundo somos passáros! Não é a verdade que foge de nós, mas é muito mais fácil dar cabo daquilo que é realmente vida: há exemplos disso. O que somos nós, agora? Todos nós, todos sem exclusão, em termos de ciência, de desenvolvimento, de pensamento, de descobertas, de ideais, de desejos, de liberalismo, de razão, de experiência, de tudo, tudo, tudo, tudo, andamos ainda no primeiro ano do liceu! Tomámos o gosto de nos satisfazermos com as ideias alheias, ganhámos esse hábito! Não é verdade? Não é verdade o que eu estou a dizer? - gritava Razumíkkhin, sacudindo e apertando os braços das duas mulheres. - Não é verdade?»04 abril 2006
disparatem, que laborem em erro! Enganarmo-nos é o único privilégio humano frente a todos os outros organismos! Quem erra, chega à verdade! Sou ser humano precisamente porque erro.Ainda ninguém chegou a uma verdade qualquer sem antes se ter enganado catorze vezes, ou talvez cento e catorze, e isso é um mérito, neste sentido. Mas não, nem sequer sabemos errar por nossa nossa própria cabeça! Diz-me um disparate, mas à tua maneira, aí dou-te um beijo. Um disparate nosso, à nossa maneira, é quase melhor que uma verdade alheia: no primeiro caso, somos seres humanos, no segundo somos passáros! Não é a verdade que foge de nós, mas é muito mais fácil dar cabo daquilo que é realmente vida: há exemplos disso. O que somos nós, agora? Todos nós, todos sem exclusão, em termos de ciência, de desenvolvimento, de pensamento, de descobertas, de ideais, de desejos, de liberalismo, de razão, de experiência, de tudo, tudo, tudo, tudo, andamos ainda no primeiro ano do liceu! Tomámos o gosto de nos satisfazermos com as ideias alheias, ganhámos esse hábito! Não é verdade? Não é verdade o que eu estou a dizer? - gritava Razumíkkhin, sacudindo e apertando os braços das duas mulheres. - Não é verdade?»02 abril 2006
João Paulo II - Um ano depois
Não creio. Sou a favor da Interrupção Voluntária da Gravidez. Defendo o uso do preservativo. Considero que a vida, se estiver a causar unicamente sofrimento, possa ser interrompida. Estas são as minhas convicções. As convicções do senhor Wojtyla eram diferentes. Ainda bem que as defendeu: uma pessoa que não defende as suas convicções, só porque a maioria possa estar contra elas, é vulgarmente chamado de cobarde, cacique, oportunista, enfim, por aí... Apenas registo, passado um ano da sua morte, o legado que ele deixou: esteve contra o comunismo e o nacional-socialismo, vulgo, nazismo, estava agora contra o capitalismo neo-liberal; aproximou-se dos jovens, mas não deixou de prescindir de mostrar que a velhice, mesmo sofrida, é uma parte da condição humana,i.e.,resistiu à tirania da juventude que neste mundo assume proporções cada vez mais surrealistas - aos 45 anos, uma pessoa já não é válida para trabalhar... Praticou o ecumenicismo, abrindo a Igreja ao diálogo com outras religiões, deixou o conforto do Vaticano e viajou pelo mundo inteiro, desde a mais cosmopolita das cidades ao mais inóspito sítio; foi um pregador incansável da paz, nunca renengando que existem certos momentos na vida que a força possa ser usada para libertar o Homem (ele foi o primeiro líder internacional a denunciar que a população muçulmana de Sarajevo estava sob cerco e que todos os meios eram válidos para prevenir o genocídio). Há um ano, muitos elogios se ouviram. Aquele que eu considerei mais correcto, na altura, foi proferido pelo Presidente da Comunidade Islâmica Portuguesa: «João Paulo II foi o Papa dos crentes e dos não crentes.» Hoje, com a boçalidade da questão dos cartoons na agenda, talvez não fosse permitido a um líder muçulmano tal liberdade. Agora que passa um ano sobre a sua morte, e uma vez que não sou crente, apenas desejo que descanse em paz e que a forma como percorreu a vida inspire a vida de certos cowboys que andam pelo mundo a provocar a morte. Infelizmente, sei que este meu último desejo não se realizará... Carlos Malmoro PS: É impressão minha ou Karol Wojtyla conseguia ser mais enfático com uma palavra, dita distorcidamente por causa da doença, do que Bento XVI numa encíclica inteira? |
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Carlos Malmoro
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23:44
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Para T
Estou velho para isto. Para este correr sem saber muito bem para onde. Para este trânsito raivoso. Para esta ditadura da beleza, do ser fixe, do estar sempre ‘feliz’, do rebanho, dos sítios in, da estereotipação dos gostos. Estou velho para sentir a necessidade de mudar de telemóvel de seis meses em seis meses, só para poder dizer que amo via imagem, e estou velho para ver quatro horas de telelixo diário. Estou velho para a literatura light e para a literatura não-emocional, ou, se preferirem, asséptica. Estou velho para ‘ler’ poesia em videopoemas e em infopoemas e para me aperceber que os versos da poesia pós-moderna são meros aforismos. Estou velho para não ter a liberdade de dizer os clássicos sem que me chamem snob e para ser obrigado a dialogar num dialecto qualquer - que eu não conheço - onde existem as palavras 'prontos', 'quaisqueres', 'fostes',... Estou velho para os créditos a cinquenta anos, para os «dinheiro’s já» e envelheço cem anos quando ouço a expressão «produtos financeiros de alta rentabilidade». Estou velho para as promessas do governo, da oposição, para as reivindicações sindicais e patronais, para o «agora é que é», para o endeusamento da economia, para as «reformas estruturais» e para os «temas fracturantes». Estou velho para escutar os críticos de tudo e de nada, para os críticos dos críticos, para seguir as profecias do Prof. Marcelo, Pacheco Pereira, Miguel Sousa Tavares e quejandos, e tomar as suas declarações como verdades iluminadas. Enfim, estou velho para a falta de bom senso. E depois vens tu e dizes «o teu mundo de afectos é muito bonito», rejuvenesço e fazes-me perceber que as pessoas são elixir da eterna juventude. Carlos Malmoro |
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31 março 2006
Na estrada,
...há curvas tão apertadas que, por impulso, me levam a ligar o pisca. Já conheci pessoas assim. Apertadas.
Carlos Malmoro
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A traição fatal
Carlos Malmoro
P.S.: A propósito: ninguém conhece, ou tem ou faz, um template que tenha fundo branco quando é escrito e fundo preto quando se inserem imagens. É que é de um desses que eu ando à procura. Alguém...?!...Não?...Ninguém? Ok.
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29 março 2006
Cruzamento de dados em 2009
Com um obrigado à S. com Z, por me ter enviado isto, aqui fica: |
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27 março 2006
Perspectivas IX
Diz-se que há males que vêm por bem. Mas são infinitamente mais os bens que vêm por mal.
Carlos Malmoro
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19:20
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Perspectivas VIII
- Eu sou assim: digo aquilo que penso.
- Devias ser assado: pensar naquilo que dizes.
Carlos Malmoro
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26 março 2006
Por vezes, as «invejas» são boas

«Quando for grande quero ter umas estantes assim altas, com todos os livros lá dentro.» Deve ter sido este o meu primeiro pensamento quando visitei pela primeira vez a casa do geógrafo Orlando Ribeiro, em Vale de Lobos.
O meu pai dava-lhe assistência médica e, um dia, tinha eu sete anos, proporcionou-se que eu o acompanhasse nessa visita. Quando entrei na casa do geógrafo (para quem não sabe quem ele foi, consulte os livros de Geografia do secundário: a maior parte dos textos são dele) e fui para a sala, fiquei completamente fascinado com aquelas estantes, altas, até ao tecto, por todo lado, a forrarem literalmente as paredes com livros e mapas, mais livros do que alguma vez imaginara, planisférios enrolados naquele espaço entre o final das lombadas e o madeira da próxima prateleira e cartografias abertas sobre a mesa de trabalho. Eu também tinha de ter aquilo.
O meu pai e o professor Ribeiro lá iam falando das condições de saúde deste último. Eu continuava de boca aberta. Repararam em mim. O professor, com carinho, perguntou-me se eu queria levar algum emprestado. Não lhe respondi perguntando se já tinha lido aqueles livros todos. Ele replicou que a maior parte sim, mas que outros eram só de consulta. Voltou a perguntar se eu queria levar algum. Eu perguntei se me emprestava todos só por um dia. Os dois sorriram. Eu voltei a pensar: «um dia hei-de ter umas estantes assim. Com todos os livros lá dentro.» E jurei a mim mesmo lê-los de uma ponta a outra. Até os de consulta.
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Hoje tenho algumas estantes com livros. Muitos livros. Não dão para forrar as paredes de casa na sua totalidade nem vão até ao tecto. Mas já vão estorvando e tirando rendimento mensal. Não cumpri a minha promessa de lê-los a todos. Alguns porque são de consulta, outros porque, muito honestamente, desiludiram-me. Mas ainda tenho trinta e um anos, e a possibilidade de ler e ter tantos livros como o Professor ainda não se pode dar como perdida. Já não digo o mesmo em relação à sua sabedoria. Mas não podemos ter tudo, não é?
Carlos Malmoro
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25 março 2006
23 março 2006
Perspectivas VII
Diz-se que dá deus nozes a quem não tem dentes. Também não é menos verdade dizer que dá deus dentes a quem não tem nozes.
Carlos Malmoro
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Um dia hei-de entender. Prometo.
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22 março 2006
O nome também se gasta
Depois de um dia de trabalho destes, a palavra que mais me irrita ouvir é «Carlos».
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«Pessoas com defeito»
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21 março 2006
Dia Mundial da Poesia III (vertiginoso jogo de palavras)
And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is burning / And I think my head is glowing / And in a way I'm hoping / To be done with all this weighing up of truth. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is glowing / And I think my head is smoking / And in a way I'm hoping / To be done with all this looks of disbelief. / An eye for an eye / And a tooth for a tooth / And anyway there was no proof / Nor a motive why. / And the mercy seat is smoking / And I think my head is melting / And in a way I'm helping / To be done with all this twisted of the truth. / A lie for a lie / And a truth for a truth / And I've got nothing left to lose / And I'm not afraid to die. And the mercy seat is melting / And I think my blood is boiling / And in a way I'm spoiling / All the fun with all this truth and consequence. / An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / And I'm not afraid to die. / And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of proof. / A life for a life / And a truth for a truth / And anyway there was no proof / But I'm not afraid to tell a lie. And the mercy seat is waiting / And I think my head is burning / And in a way I'm yearning / To be done with all this measuring of truth. An eye for an eye / And a truth for a truth / And anyway I told the truth / But I'm afraid I told a lie. |
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O pior dia da semana
O meu pior dia da semana não é a Segunda-Feira. Considero-a, antes, o início do fim da semana – tem-se sempre de começar por algum lado. A Terça-feira serve para embalar e, além disso, por motivos pessoais, é um dia especial. Quarta-Feira: chega-se ao fim do dia e sabe-se que mais de metade da semana está cumprida. É um primeiro alívio. Sexta-feira: tudo está consumado. Quinta-feira – o empecilho da quinta-feira. É o pior dia da semana. É o estorvo que está entre o meio e o fim-de-semana. É um dia chato. É aquele dia em que o trabalho corre sempre mal. É o dia em que, se somos empregados, o chefe começa por nos dizer: «Bom dia e que bela merda de trabalho você tem aqui.»; e é o dia em que, se somos patrões/chefes os empregados acabam sempre por fazer aquelas merdas que julgávamos impossíveis de serem realizados por humanos com [suposta] inteligência. As quintas estão enguiçadas, sempre desconfiei, e cada vez tenho mais certezas disso. Nem quando o dia de S. Receber calha numa quinta feira, ela é menos penosa. Por outro lado, os colegas parece que estão mais irritantes do que nunca - mesmo aquela colega simpática do escritório, aquela que quando queremos aliviar um pouco a tensão a convidamos para o café, anda completamente carrancuda e deixou o sorriso colgate guardado dentro da respectiva pasta dentrífica. Eu sei que tudo isto é uma embirração e uma estúpidez. Mas que outra coisa é a quinta-feira, senão um dia embirrento e estúpido? Carlos Malmoro |
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22:38
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Dia Mundial da Poesia II
«Se a natureza é a arte de Deus, a arte é a natureza do homem. » J. A. Pina
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20 março 2006
Dia Mundial da Poesia
| «Para ser grande, sê inteiro: nada Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda Brilha, porque alta vive.» Ricardo Reis «Encher o vazio com nada.» e.e. cummings «Tantos nomes que não há para dizer o silêncio - » Herberto Helder «Vaza-me os olhos: continuarei a ver-te. Tapa-me os ouvidos: continuarei a ouvir-te.» Rainer Maria Rilke «Possam estes sinais permanecer Quando tudo for ruínas outra vez.» W. B. Yeats «Pensamento meu, Quando me levarás onde te envio eu?» Anónimo «No mundo há só um templo: o corpo humano. É no céu que tocamos quando tocamos num corpo humano.» Novalis «Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar» Luís Vaz de Camões «Quando a pátria que temos não a temos Perdida por silêncio e por renúncia Até a voz do mar se torna exílio E a luz que nos rodeia é como grades» Sophia «A razão de eu escrever É fazer algo Tão belo como tu» Leonard Cohen Carlos Malmoro |
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19 março 2006
Visões ao anoitecer de um domingo chuvoso
Estou na biblioteca infinita de Borges. Joyce propõe-se a escrever trezentas páginas acerca do melhor modo de se fritar e comer um rim ao pequeno-almoço. Franz Kafka ainda está irritado por não lhe terem queimado os escritos como era sua vontade testamental - como bom advogado, vai processar todos aqueles que leram, criticaram ou elogiram a sua Obra.
Marcel Proust quer escrever a oitava parte da Recherche: seiscentas páginas a descrever um sorriso numa única frase. Pessoa apoia a ideia e oferece-lhe um Porto para acompanhar as Madalenas: diz-lhe que não há melhor pomada para os acamados.
Camões e Shakespeare já não podem ouvir falar de poesia pós-moderna: um está a escrever uma Lírica a dizer mal da Poesia Minimalista e o outro a escrever uma peça de teatro de duas mil páginas, fora didascálias, em vinte actos, contra a Poesia Concreta. Termina assim: «Quando a poesia é representada por instalações, videopoemas e infopoemas, então há algo de muito podre no reino da Palavra.»
Acordo.
Carlos Malmoro
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Perspectivas VI
Uma pessoa foi morta. |
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Sou um tipo importante....
![]() |
Fui alvo de uma tentativa de phishing aos dados da minha conta no banco norte-americano Chase Bank.Só que há aqui um 'pequeníssimo' pormenor que escapou aos artistas que tentaram fazer isto: não tenho lá conta (nem nunca tinha ouvido falar em tal instituição)..Estes piratas informáticos de hoje não valem um cêntimo...Carlos Malmoro
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00:29
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18 março 2006
17 março 2006
Arte contemporânea
A maior dificuldade dos empregados de limpeza daquele museu era distinguir o que era arte do que era lixo.
Carlos Malmoro
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16 março 2006
Auto-elogio
Carlos Malmoro
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15 março 2006
Dia Mundial do Consumidor
Carlos Malmoro
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14 março 2006
A propósito da morte de Milosevic...
...fica aqui um excerto do romance «A Vida e o Tempo de Michael K.». de J. M. Cotzee: «Não é vergonha nenhuma ser um simples de espírito. Eles costumavam deter os simples de espírito antes dos outros. Agora têm campos para crianças cujos pais andam fugidos, campos para pessoas que estrebucham e deitam espuma pela boca, campos para pessoas com cabeças grandes e para pessoas com cabeças pequenas, campos para pessoas visivelmente sem recursos, campos para desempregados da agricultura, campos para pessoas que se encontram a viver junto dos canos de esgoto, campos para prostitutas, campos para idiotas, campos para pessoas que se esquecem dos seus cartões em casa, campos para pessoas que vivem nas montanhas e fazem explodir pontes durante a noite. Talvez seja verdade que já é suficiente estar fora dos campos, fora de todos os campos ao mesmo tempo. Quantas pessoas restam que não estão detidas, nem de guarda ao portão?» Na Jugoslávia, no tempo de Milosevic, eram poucos aqueles que nem estavam detidos nem de guarda ao portão. Nem numa vala comum... Carlos Malmoro |
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22:03
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Se tu o dizes, quem sou eu para...
E aos 14 dias do Mês de Março do ano da Graça de 2006, C. decreta: «Já se vêm alguns decotes: está aberta a caça.»
Carlos Malmoro
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13 março 2006
Profecia
| Quando o clamor pela justiça se esbater Na deriva dos ecos do silêncio, e os sonhos De liberdade forem agrilhoados à vertigem Do ter; Quando a dor, a tristeza, a morte E a fome se revelarem como destinos últimos Da poesia, e os regressos quedarem-se como Delírios por não existir ponto de partida; Quando A memória for trocada por um fotograma, a Imaginação tiver como matriz o bite e a alma Decifrada em códigos de barra; Quando o último Anjo da morte tomar o poder e desaparecer O derradeiro espírito da estirpe que caminha Na senda do elemento onírico; Nesse dia, desesperadamente, entenderemos Que o silêncio é o mais violento dos discursos. Carlos Malmoro |
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Perspectivas V
Ele: Que querias? 22 bolas a correr atrás de um homem?
Ela: Sempre era diferente e pelo menos tinha o mérito de o jogador, durante os 90 minutos, saber o que uma mulher sente numa sexta à noite.
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Nem assim...
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12 março 2006
Os «Fundamentais»
«A Direcção-Geral da Saúde fez uma lista das cem mil pessoas "fundamentais para o país" e encomendou medicamentos antivirais para as proteger em caso de uma pandemia de gripe. Pelos cargos que ocupam, estes portugueses serão capazes de "manter as estruturas básicas do país a funcionar". É caso para perguntar: quem são os indispensáveis?» DN, 11/03/2006. Normalmente, e como relata a notícia, os «fundamentais» seriam os profissionais da Saúde, Justiça, Protecção Civil, Educação, etc. Mas o que, olhando à nossa idiossincrasia enquanto país, vai acontecer é a distribuição segundo a cunha. Assim, terão direito ao Tamiflu, os seguintes «fundamentais»:
No final, a pandemia vai revelar-se um autêntico flop, como foram a Febre Aftosa, a BSE ou a Pneumonia Atípica, que, segundo previsões 'nada alarmistas', iriam causar milhões de mortes, planos de evacuação de cidades e a mudança radical no nosso quotidiano. O mal destes episódios é que se vêm assemelhando à história do Pedro e do Lobo. E quando for realmente a sério, ninguém acudirá o Pedro. Carlos Malmoro |
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11 março 2006
Perspectivas IV
| Uma pessoa tem defeitos e virtudes. Como um copo que está a meio. Na paixão, olhas para o copo e dizes que está meio cheio de virtudes . No desprezo, olhas para o copo e dizes que está meio vazio de virtudes. No amor, vês as duas perspectivas serenamente. Carlos Malmoro PS: Ou também podes beber...(lá se foi o romantismo...) PPS: Todas as palavras foram retiradas do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Está bem assim, Pitucha? |
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10 março 2006
Tal pai, ...
Na cerimónia de posse de um novo Presidente, um homem que já foi presidente e foi candidato nas últimas edições, não se dignou a cumprimentar o Presidente empossado. Esse homem, dizia há cerca de dezoito meses, que o actual Presidente daria um excelente Presidente da República. Esse homem não aplaudiu o discurso do novo Presidente. Eu também não o faria: adormecia antes. Esse homem é apelidado de «Pai da Democracia», mas não teve a democracia necessária para cumprimentar o adversário/sucessor. Esse homem chama-se Mário Soares. É com resignação que coloco este nome num texto sobre um acto tão anti-democrático. E quando o «Pai da Democracia» não tem a democracia, nem o civismo, nem a educação suficientes para cumprimentar aquele que o povo democraticamente elegeu para Presidente da República, então é bom que não se exija aos filhos da democracia grandes veleidades democráticas, nem se sonhe com uma sociedade civilizada ou educada. Porque, como se costuma dizer, tal pai, tal filho. |
Carlos Malmoro
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23:27
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Perspectivas III
- Não te telefonei, mas tenho pensado bastante em ti.
- E eu telefonei.te...Mas para dizer que não penso mais em ti.
Carlos Malmoro
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09 março 2006
Perspectivas II
-Uma coisa que gosto de fazer é conduzir sem destino.
-E quando conduzes sem destino para onde vais?
-?!?
-Não te faças de ingénuo: temos sempre um destino.
Carlos Malmoro
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08 março 2006
Perspectivas
Carlos Malmoro |
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07 março 2006
Apostas e Catherine Keener
| Apostas: Realizador – falhei; Filme – ao lado; Actriz Secundária – água; Actor principal – tiro no porta-aviões. Mas falemos da água: a actriz Catherine Keener, nomeada para Óscar para Melhor Actriz Secundária (é a senhora que está na foto abaixo). Vi-a em «Queres ser John Malkovich?», «A Intérprete», «S1mOne» e neste «Capote». Em todos eles, mesmo quando o filme era mauzito, vi competência, vi sobriedade, vi excelência em actuações sempre em low-profile. Dá gosto ver e apreciar. Além disso, é uma mulher que não tendo uma beleza transcendental ou um corpo de deusa, é uma mulher misteriosamente bela. Que também dá gosto ver e apreciar. Quando lhe perguntaram porque não tinha papéis mais marcantes ou porque não concorria para castings de personagens mais destacados, respondeu, simplesmente, que não tinha nascido para ser estrela. É pena. Carlos Malmoro |
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05 março 2006
04 março 2006
As Intermitências da Vida
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Tudo o Que Há Para Saber de Adolph Eichmann
| OLHOS:..........Normais CABELO:..........Normal PESO:..........Médio ALTURA:..........Média SINAIS PARTICULARES:..........Nenhum NÚMERO DE DEDOS DAS MÃOS:..........Dez NÚMERO DE DEDOS DOS PÉS:..........Dez INTELIGÊNCIA:..........Média Que esperavas? Garras? Incisivos enormes? Saliva Verde? Loucura? Leonard Cohen, Flores Para Hitler Carlos Malmoro |
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01 março 2006
Tabuadas
Como advogado, o miúdo faz-se.
Carlos Malmoro
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Há dez anos...
«A crença seja no que for é um resíduo de tudo o que falhou.», e isto:«Não te queixes tanto das falhas de memória. Porque se soubesses tudo o que soubeste, não te poderias mexer. E então é que não terias nenhuma», e isto: «Não queiras saber tudo. Deixa um espaço livre para te saberes a ti», ou isto: «O melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber» e, finalmente, isto: «A verdade primeiro ama-se, depois demonstra-se».
Vergílio Ferreira, Escrever
Carlos Malmoro
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28 fevereiro 2006
Da Licenciosidade
| «Contém Material Sexualmente Explícito». Foi esta a explicação que a NBC deu para não transmitir a canção Start Me Up dos Rolling Stones. A banda tocou dois temas durante o intervalo da final do Super Bowl. Curiosamente, transmitiram a canção «(I can’t get no) Satisfaction», do mesmo grupo. Chama-se a isto licenciosidade relativa. David Irving, o historiador negacionista do Holocausto, foi condenado por um tribunal austríaco a cumprir uma pena efectiva de prisão. Está mal. Se existem cartoonistas ridículos a quem defendo a sua licenciosidade, também não o poderia deixar de fazer para este «historiador» de estorietas. A licenciosidade tem de ser absoluta. Dicionário de sinónimos do Word para o verbo «fazer»: defecar, evacuar, obrar, conceber...E para o adjectivo «licencioso»: depravado, devasso, indecoroso, libidinoso, sensual,… A licenciosidade chegou à informática. Carlos Malmoro |
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27 fevereiro 2006
Falta de rede
Ao telemóvel, ele pergunta: - Gostas de mim? - P+*x_ enzzztz, não. GSM Service your call… Ele ainda está a matutar nas três hipóteses: 1) Será que ela disse, «Por enquanto, não»? Será que é um problema temporal? 2) Será que ela disse, «Por encanto, não»? Ou seja, não há amor à primeira vista, mas pode haver a possibilidade de uma relação construída. 3) Ou será que ela usou a velha táctica das mulheres do «pronto-amor-toma-lá-uma-festinha-para-preparar-o-sítio-antes-de-te-dar-uma-paulada», dizendo «Puro encanto, não.» Passados 20 segundos de profunda reflexão, em que pensou a sério em todas as hipóteses, e em que maldisse a mania das mulheres do não que significa sim e do não que significa não, telefonou a outra. Afinal, a resposta foi não. E há que ser homenzinho e reconhecer que uma tampa é sempre uma tampa. Carlos Malmoro |
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25 fevereiro 2006
Deixar de fumar
Antigamente, fumar era um sinal de afirmação. Hoje, deixar de fumar é um sinal afirmação. O meu médico, sempre preocupado com a minha afirmação pessoal (e penso que com uma doença que o meu criador padece a que fico mais exposto por fumar, mas isso é o menos), disse que estava na altura de incrementar a minha auto-estima largando o vício. Depois do choque, analisemos. Historial: Começo a fumar cigarros roubados ao criador aos 9 anos. Vou fumá-los para a cave da casa com uma amiga. Um dia, além dos cigarros, fiz-lhe uma cama muito bonita na cave. Olhou-me terna e longamente, sorriu, passou a língua entre os lábios e sussurrou como um regato límpido estas palavras de veludo: «Carlos, vai à fava!». Adiante. Comecei a fumar «a sério» aos dezassete. A partir daí, e até aos vinte e quatro foi sem parar e em crescendo. No dia dezanove de Novembro de 1999, deixei de fumar. Sem reduções. De um dia para o outro, deu-me para isso. Durante quinze dias, perdi doze amigos e fiz dezoito novos inimigos. E nem foi necessário recorrer ao mau feitio intrínseco: a falta de nicotina realizou a proeza. Deve ser por isso que agora tenho um blogue: falta de amigos. Recomecei a fumar aos 26 anos. Porquê? Como é que dizia o Einstein? «Só conheço duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. E quanto ao Universo, não tenho a certeza.» Exacto, recomecei a fumar porque o Einstein não tinha a certeza se o Universo é infinito. Hoje, estou com 31 anos e 30 cigarros por dia. Possibilidades: 1) Continuar a fumar (é mau para a minha afirmação, segundo o meu médico); 2) Parar de fumar de um dia para o outro, como fiz no passado (esta opção levanta um problema: se perco mais amigos, fico sem contactos…a não ser que crie mais um blogue); 3) Reduzir, força de vontade e pensos de nicotina (não quero adoptar esta opção: sempre pensei que um problema se resolvia com uma solução e não com três. Isso dos sistemas é na matemática); 4) Picada na orelha (é uma escolha que dizem que resulta em mais de 90% dos casos. Porém, (tem de haver sempre um porém, um mas, um contudo, não é?...) é dispendiosa. Conclusões: Telefonar à menina que me mandou «à fava» a convidá-la para fumar um cigarro comigo. A meias, como nos bons velhos tempos. Carlos Malmoro |
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Acerca de «Munique»
Munique não é um grande filme. É um bom filme.
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22 fevereiro 2006
Lost In Translation
| «Só pra dizer que te amo, Nem sempre encontro o melhor termo, Nem sempre escolho o melhor modo. Devia ser como no cinema, A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém.» Esta letra de Sérgio Godinho para a canção «Problema de Expressão» dos Clã, só erra num verso: onde está «E nunca atraiçoa ninguém», deveria estar, em meu entender, «E nunca apaixona ninguém» (ou «E não apaixona niguém»). Dizer «I love You» não provoca calafrios, mas dizer «Amo-te», aí sim, é necessária coragem e, mais importante, Amor. O primeiro termo é uma expressão; o segundo é uma declaração. Carlos Malmoro |
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20 fevereiro 2006
17 fevereiro 2006
No mail...
| N., enviou-me um mail com um pensamento e uma anedota. «O atraso do nosso país resulta de um problema agrícola: excesso de nabos e falta de tomates.» «Um homem chega a casa, vira-se para a mulher e diz: - Querida, recebi uma intimação das finanças a respeito do atraso da entrega da declaração do IRS! Achas que devo comparecer na repartição de jeans ou de fato e gravata? - Bem, querido... Digo-te a mesma coisa que a minha mãe me disse quando lhe perguntei se, na noite de núpcias, eu devia usar uma cuequinha de rendas ou uma cuequinha de seda! - E o que foi que a tua mãe te disse? - Tanto faz. Ele vai foder-te na mesma!» Deixo aqui o agradecimento ao N. Só falta descobrir qual dos textos é o pensamento e qual é a anedota... Carlos Malmoro |
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13 fevereiro 2006
O tino e o desatino
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Um dia...
...vou contar aos meus netos o seguinte - Bem no final do século XX, houve a crise dos mísseis, a crise do petróleo, várias crises derivadas da fome extrema em muitas partes do mundo, crises provocadas por tempestades e fenómenos naturais, crises políticas, enfim, uma imensidão de crises que se resolveram de forma positiva algumas vezes… E eles perguntarão: - E o século XXI, como foi o seu início? - Bem, algumas das crises que eu vos enumerei há pouco resolveram-se, outras agravaram-se e surgiram outras novas -Avô, dá-nos um exemplo de uma crise que tenha surgido. - A crise dos cartoons. Depois de me abraçarem, os meus netos dirão: - É por isso que gostamos tanto do avô: consegue sempre pôr humor mesmo nos assuntos mais sérios. -Mas...deixem - direi eu, com bonomia Carlos Malmoro |
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12 fevereiro 2006
11 fevereiro 2006
Foto do Ano 2005 - World Press Photo
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Uma mulher espera, juntamente com o filho, a chegada de
ajuda num centro de emergência alimentar em Tahoua-Níger.
Foto tirada pelo canadiano Finbarr O' Reilly, para a Reuters,
com o fim de retratar a situção de fome extrema no Níger.
Carlos Malmoro
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10 fevereiro 2006
À consideração do interessados:
«Daqui a cinco minutos, estou aí» - disseste. Passados seis minutos, encontraste um bilhete na mesa que dizia: «Há um minuto estava aqui.» Carlos Malmoro |
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09 fevereiro 2006
E agora para algo completamente diferente
Amigos, o que se segue não é nenhum texto humorístico, embora os humoristas de todo o mundo sonhem alcançar este patamar de excelência. É um comunicado do SINTAV - Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audivisual, acerca da Oferta Pública de Aquisição da Portugal Telecom pela Sonae. Reza assim: «NOTICIA DE ÚLTIMA HORA: “POLVO” ATACA AS TELECOMUNICAÇÕES (...)Segundo a Comunicação Social, Belmiro de Azevedo, o homem mais rico de Portugal, cuja ganância não tem limites, prepara-se para comprar a PT-C através do lançamento de uma OPA(...) Estas afirmações fundamentam-se no conhecimento concreto que a sociedade tem do indivíduo em causa.(...) Embora ainda não se conheça muito deste macabro processo desencadeado da noite para o dia, o SINTTAV desde já assume uma posição de total contestação, denunciando tudo o que vier a ser digno disso e mobilizando os trabalhadores e a sociedade para lutar e resistir contra as tentações deste poderoso “Polvo”.» E, para finalizar em beleza, eis a jóia da coroa: «NÃO AO RETROCESSO SOCIAL.O FUTURO É DOS TRABALHADORES E DOS POVOS E NÃO DOS “POLVOS” NEM DOS IMPÉRIOS.» (sublinhados meus) Eu sei que por mais credibilidade que se possa ter, existem certos acontecimentos que excedem o limite do plausível. Não vos levo a mal. Eu faria o mesmo. Convido-vos a virem aqui e confirmarem que estas preciosidades fazem corar de inveja muitas das rábulas dos Monty Python. Carlos Malmoro |
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08 fevereiro 2006
Breves
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Esta boa ideia está n' O Espectro
| COMUNICADO COMUNICADO - CONVITE Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa. Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão. Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos. Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre. Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes". Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito. Pela liberdade de expressão, nos subscrevemos Rui Zink (916919331) Manuel João Ramos (919258585) Luísa Jacobetty |
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06 fevereiro 2006
O Amor É Um Fogo
| O amor é um fogo Queima-nos a todos Desfigura-nos a todos ´ É a desculpa do mundo Para ser tão feio Leonard Cohen - A Energia dos Escravos - Relógio d´Água Carlos Malmoro |
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05 fevereiro 2006
A propósito...
- Factos:
- A Agência Internacional de Energia Atómica remeteu para o Conselho de Segurança da ONU a análise do programa nuclear iraniano. Como retaliação, o Irão suspendeu unilateralmente o TNP (Tratado de Não Proliferação). Final da estória: o chefe da AIEA a fazer uma declaração não para explicar o sucedido, mas para justificar-se perante o Irão a opção tomada;
- Uns cartoonistas dinamarqueses, de um jornal tablóide lá do sítio, publicaram em Setembro umas caricaturas do profeta Maomé. Passados quatro meses, uma onda de protesto assola as virgens ofendidas muçulmanas, com destruição de embaixadas, queima de bandeiras, etc....Final da estória: As autoridades europeias vêm a público defender, não a liberdade de imprensa, mas o direito à indignação dos muçulmanos. (Os mesmos que aquando de Londres e Madrid nos pediram para não confudir o terrorismo islâmico e o islamismo...). Por outro lado, o Grande Ayatollah Ali al-Sistani, o líder do clérigo iraniano, condenou ontem as caricaturas e a «acção horrenda» dos jornais ocidentais. (Nota – este último período foi a concretização de um sonho há muito adiado: ter neste estaminé a presença de um Grande Ayatollah…dá logo outra seriedade à coisa);
- Conclusões:
- Ó meus amigos líderes europeus, se quereis ser serventis perante o poder do petróleo, façam muito bom proveito. Agora que eu - e mais uns milhões de gatos e gatas pingados - defendemos que a liberdade de imprensa é um pilar da nossa civilização, e que o Tratado de Não Proliferação Nuclear é uma das (poucas) boas coisas que V.exas se lembraram , é um facto que não podeis negar. Entendido?
- Ó meus amigos líderes muçulmanos, aprendei de uma vez por todas que eu prefiro – e mais uns milhões de gatos e gatas pingados - que façam uma caricatura do deus que a maioria da Europa segue, do que ter de receber um telefonema a meio de uma manhã qualquer a dizer que um familiar, amigo, colega ou filho ficou esfrangalhado no metro ou no comboio só porque cometeu o pecado capital de ir trabalhar…E nós, também estamos entendidos?
Carlos Malmoro
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30 janeiro 2006
10 coisas que dão comigo em doido por estes dias...
1 - Como está vastamente demonstrado neste estaminé, eu gosto do trabalho de Leonard Cohen (canções & escrita). Acontece que existem duas músicas dele – The Tower of Song & Take This Waltz - que só me levam ao nirvana quando acompanhadas do charuto e do Black Russian. A irritação é que não posso beber; 2 - Que na Europa rica, o carro do ano seja o Clio, um carro que custa metade do carro do ano português: o Passat. Ai este novo riquismo; 3 – Que, com todos os seus defeitos, o DNa tenha acabado; 4 – A discussão sobre o que há-de Manuel Alegre fazer ao milhão e duzentos mil votos. Eu tenho uma teoria… 5 – Que a mais importante coisa neste país seja o clima…. 6 – Que ande obcecado por pianos de cauda. Para quem possa andar distraído, são caros; 7 – Que ninguém me ofereça um reluzente piano de cauda (e criticava eu o novo-riquismo) … 8 – Que o euro-milhões não tenha vencedores. Já vou com catorze propostas para «entrar numa sociedade». Quando se recusa, as pessoas não pensam que seja porque não se acredita em jogos de azar, mas sim porque estamos a desconfiar da honradez delas em repartir o prémio … 9 – Que os cartazes das campanhas eleitorais ainda nos impinjam como panorama citadino as carinhas larocas dos senhores candidatos à presidência…. 10 – A TVI. Carlos Malmoro |
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29 janeiro 2006
«Poema»
«Ouvi falar de um homem
que fala com tanta beleza
que só de pronunciar os seus nomes
as mulheres se lhe entregam.
Se estou mudo junto ao teu corpo
enquanto o silêncio floresce como tumores em nossos lábios
é porque ouço um homem subir as escadas
e a aclarar a voz do outro lado da porta.»
Leonard Cohen, Poemas & Canções - Vol. I, Relógio d'Água
Com um especial agradecimento à R.
Carlos Malmoro
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28 janeiro 2006
Portugal por estes dias
Carlos Malmoro |
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24 janeiro 2006
Notas soltas
Carlos Malmoro |
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22 janeiro 2006
Conclusões...
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21 janeiro 2006
Dia de Reflexão
| Hoje é dia reflexão. Cogitemos, então. Cavaco: Não - nunca gostei de políticos/economistas/salvadores; Soares: Não - nunca gostei de políticos/políticos/políticos; Alegre: Não - nunca gostei de políticos/poetas/parlamentaristas; Jerónimo: Não - nunca gostei de políticos/operários/dançarinos; Louçã: Não - nunca gostei de políticos/economistas/Pregadores de Verdades Absolutas; Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê... Cavaco: Sim - sempre gostei daqueles de que todos falam mal; Soares: Sim - sempre gostei dos que combatem a ditadura da juventude; Alegre: Sim - sempre gostei de rebeldes; Jerónimo: Sim - sempre gostei de convicções; Louçã: Sim - sempre gostei de inteligência; Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê... Mas como o que eu queria mesmo era uma Presidente, o meu voto está direccionado para uma grande mulher: Carmelinda Pereira - é o único candidato a quem eu não consigo encontrar defeitos. Eu sei que virtudes também não encontro (nem sequer sei quem é a senhora), mas em eleições já estou habituado a escolher, não melhor opção, mas a opção menos má. É só mesmo pelo capricho de querer uma mulher como Presidente. Carlos Malmoro |
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19 janeiro 2006
16 janeiro 2006
O massacre continua.
Como algumas pessoas que conheço, tenho uma caixa de correio electrónico que serve de caixa de correio publicitária. Eu explico: é uma forma de salvaguardarmos que quando fazemos um registo numa determinada empresa ou serviço, e colocamos que não desejamos receber regularmente correspondência, nem autorizamos que a empresa comunique os nossos dados a outras empresas, mas as empresas fazem de conta de que não perceberam essas instruções, as mensagens vão para um sítio diferente que não o nosso endereço de e-mail mais pessoal. É como se tivéssemos duas caixas de correio: numa o carteiro colocava o que realmente interessava; na outra, e embora estivesse lá bem explícito que não aceitávamos publicidade de qualquer tipo, colocava os panfletos do Intermarché, as carinhas larocas dos candidatos às presidenciais e os cursos CEAC que garantem que uma pessoa aprende a tocar piano de cauda em três semanas sem praticar. No dia sete de Janeiro, abri as caixas de entrada dos dois e-mails. Já andava visivelmente satisfeito por estarem a desaparecer as publicidades natalícias. Quando me deparo com o seguinte título de mensagem: «Dia dos Namorados: não se atrase». Paciência, haja paciência. Depois, reflecti um pouco e apercebi-me que isto vai durar o ano inteiro. A saber: depois do Dia dos Namorados, existirá o Carnaval, e a Páscoa, seguido dos dias do Pai e da Mãe. Entramos na canícula e nas viagens, e saímos da canícula com os saldos e os primeiros cheiros a Natal, intercalados pelo Halloween, essa tradição portuguesíssima. Acto contínuo, entra o Natal em força e no dia sete de Janeiro de 2007, a caixa de e-mail publicitária lá receberá uma mensagem com o título «Dia dos Namorados - não se atrase», e o ciclo estará consumado e eu consumido. Arre!!! Carlos Malmoro |
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15 janeiro 2006
Comentando Comentários
«Os jornalistas querem impor-nos a homossexualidade até cairmos» D. Eurico de Nogueira, bispo emérito de Braga, revista Sábado. Estes jornalistas são, de facto, uns perversos: sempre a pensarem na malandrice. Marotos. Só uma questão: eu leio jornais, e nunca vi nenhum jornalista a tentar impor-me a homossexualidade «até cair». Será que sou iletrado? «Mário Soares não confunde o autor da Montanha Mágica com o autor da Utopia, não acrescenta cantos a «Os Lusíadas» e sabe que Fernando Namora foi um dos autores mais lidos e traduzidos no século XIX» Presidente da Câmara de Condeixa, referindo-se a Mário Soares como um homem de cultura, antes do candidato entrar na Casa-Museu Fernando Namora. Diário de Notícias Fernando Namora de certeza que deu uma volta no caixão. Mário Soares pensou com os botões: se eu sou do mesmo século que o Namora, então estou mesmo velho. Cavaco Silva diz: não me facilitem tanto a vida. O eleitor pede: poupem-nos a estas lições, seguidas de humilhações – é confrangedor ver estas tristes figuras feitas por pessoas em quem votámos. Eu digo: de facto, Fernando Namora até pode dever alguma coisa da sua inspiração literária ao século XIX. Mas nada que possa transladar a sua existência física para o século anterior. Carlos Malmoro |
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Constatação
Quando o Holocausto provocou aqueles milhões de mortos, fizemos o que tínhamos a fazer para terminar com ele. Hoje, morrem tantas pessoas vítimas de fome e de doenças curáveis em quatro anos como as vítimas do Holocausto, e não estamos a fazer um centésimo do que era preciso. Se o resultado é tão mortífero como as ideias loucas de um ditador megalómano, então temos de admitir que a inacção também é um crime contra a Humanidade. Carlos Malmoro |
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14 janeiro 2006
Visões das presidenciais
A Optimista: Depois destas eleições, Portugal voltará a ser a Nação Valente e Imortal. Pessimista: O que eles querem é tacho! A Indiferente: Que eleições?!..Que presidenciais?! É para escolher o novo presidente do Benfica?!...Ah, é para escolher Presidente da República. Eu até acho que o Ramalho Eanes está a fazer um bom mandato... A Conspiradora: Isto é tudo mas é uma grande jogada para desviar as atenções do Processo Casa Pia, da Moderna e do Elefante Branco. Eles estão todos feitos uns com os outros. E, como sempre, o Zé-povinho é que se lixa. A Cavaquista: A opinião que eu tenho sobre o estado da nação está escrita na Bíb..., perdão, na Autobiografia Política do Prof. Aníbal Cavaco Silva. A Soarista: Eu já disse que não falo. É uma censura completa o que estão a fazer ao homem. Nem a jornais, nem a televisões, nem a rádios, e muito menos a blogalhadas como esta, eu não falo! A Alegre: Eu falo no nome de Álvaro Cunhal quantas vezes me apetecer: Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal…e se o Jerónimo me tentar calar, eu concretizo a ameaça que o grande vate lhe fez: apanha a sério! A Comunista: Temos que olhar para os trabalhadores como pessoas dignas e não como máquinas de lucro escravas ao serviço do grande capital. Só assim poderemos aspirar a ser uma sociedade justa, equilibrada e tolerante como a Coreia do Norte. A Bloquista: Nesta campanha não se discutem os principais problemas das pessoas e do país. Já algum dos outros candidatos falou na necessidade das mortalhas serem produzidas em papel reciclado «Amigo do Ambiente»? Pois, é a campanha do ruído e das briguinhas, mas do silêncio sobre o que realmente importa. A propósito: alguém tem uma mortalha? MINHA: Depois de ter reparado que mais de metade deste texto supostamente satírico é vero, vou, portanto, votar na Carmelinda Pereira. Carlos Malmoro |
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11 janeiro 2006
08 janeiro 2006
Coisas que se vão passando...
O maior medo dos pilotos do Dakar: que Jorge Sampaio discursasse na altura em que deu a partida. Sondagens: segundo uma sondagem do Expresso, um milhão de portugueses têm tendências homossexuais. Vamos ver como esse milhão de portugueses homossexuais foi encontrado: «-Boa noite. Sou a Kátia Vanessa e estou a falar-lhe do centro de estudos do Expresso. -Boa noite, minha senhora. Que deseja? -Estamos a fazer uma sondagem sobre homossexualidade. -Sim… -O senhor alguma vez teve ou pensou em ter relações homossexuais? -Ó minha va…. Vira para cá essa p….que eu já te digo quem é o maricas! -Desculpe, estou só a perguntar: é o meu trabalho. -Onde tu devias estar a trabalhar sei eu, minha p…. -Não me ofenda, por favor. Como lhe disse, este é apenas o meu trabalho…. -E tu vens para aqui chamar-me de pane…às tantas da noite!! -Olhe, sabe que mais? Vou colocar nas respostas que o senhor sempre pegou de empurrão, sempre gostou de morder a fronha da almofada e sempre desejou ter um boeing 747 metido bem dentro do seu hangar. -Atreve-te, p…» (chamada desligada pela operadora) Foi assim que o Expresso encontrou o milhão de portugueses homossexuais. Herman: depois de ter sido «posto na linha» pelo novo director da SIC, já começa a dar gosto dar umas espreitadelas ao Herman Sic. Carlos Malmoro |
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2005
| Discos: Leonard Cohen - Dear Heatter Nick Cave – Abattoir Blues / Lyre of Orpheus(2004) / B-Sides & Rarities (2005) Arcade Fire - Funeral Patrick Wolf - Wind in the Wires Bloc Party - Silent Alarm Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs Editors: The Back Room DVD: Nick Cave – The Videos Million Dollar Baby – Clint Eastwood Verão Azul (é mesmo muito pessoal e, diria mesmo, freudiana) Concertos: Nick Cave – Paredes de Coura Patrick Wolf – Gaia Filmes: Million Dollar Baby – Clint Eastwood Charlie e a Fábrica de Chocolates - Tim Burton Flores Partidas - Jim Jarmusch Blogs: Estes três links aqui ao lado Livros: Philip Roth - A Conspiração Contra a América Gonçalo M. Tavares - Jerusalém T.S. Eliot - Prufrock e Outras Observações J.M. Coetzee - No Coração desta Terra Carlos Malmoro |
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