04 março 2006

As Intermitências da Vida

  • Quando se escuta na rádio: «Um gato alemão morreu com a gripe das aves», perguntamo-nos se o humor non-sense tem alguma hipótese contra a realidade ou se o rádio não estava sintonizado na Monty Python’s Radio.

  • E ao terceiro dia do mês de Março do Ano da Graça do Senhor de 2006, Maya, a astróloga, teve este rasgo: «Lili tem uma nova cara em cima de um pescoço velho.» Soberbo! Letal! Absoluto!

  • Há uns anos, se lesse num jornal que «em 2005, os administradores do Metro do Porto receberam 650 mil euros de prémios de gestão, numa empresa altamente deficitária e cheia de derrapagens financeiras», vociferava neste estaminé que já não havia decência, dizia revoltado ao meus amigos que era por estas e por outras que o país não saía da cepa torta e podia mesmo cometer a loucura de escrever uma carta irada para um periódico de referência dizendo que «este país está perdido! Per-di-do!!!».
    Hoje, e sabendo que algum do dinheiro que custou a ganhar aos meus neurónios foi para aqueles senhores, regresso do estrangeiro, olho para a notícia e penso: «Finalmente, em Portugal». Chama-se a isto crescer. Cres-cer!!!

  • Quando se lê numa revista que Joss Stone quer deixar a música para ser parteira e que Sara Moniz (uma das meninas dos «Morangos com Açúcar») está farta de ser actriz e vai ser cabeleireira, agradeço e fico feliz pelas meninas se irem dedicar àquilo que realmente sabem fazer.

    Carlos Malmoro

Tudo o Que Há Para Saber de Adolph Eichmann

OLHOS:..........Normais
CABELO:..........Normal
PESO:..........Médio
ALTURA:..........Média
SINAIS PARTICULARES:..........Nenhum
NÚMERO DE DEDOS DAS MÃOS:..........Dez
NÚMERO DE DEDOS DOS PÉS:..........Dez
INTELIGÊNCIA:..........Média

Que esperavas?
Garras?
Incisivos enormes?
Saliva Verde?

Loucura?

Leonard Cohen, Flores Para Hitler

Carlos Malmoro

C�sar Cadimo

01 março 2006

Tabuadas

Amigos meus pediram ao filho que fizesse as tabuadas do sete, do oito e do nove. Passados dois minutos, ele aparece com as tabuadas do zero, do um e dois feitas. Justificação do miúdo: «as coisas mais simples são as mais complicadas. E agora, já posso ir brincar?»
Como advogado, o miúdo faz-se.

Carlos Malmoro

Há dez anos...

...morria quem escreveu isto:
«A crença seja no que for é um resíduo de tudo o que falhou.», e isto:«Não te queixes tanto das falhas de memória. Porque se soubesses tudo o que soubeste, não te poderias mexer. E então é que não terias nenhuma», e isto: «Não queiras saber tudo. Deixa um espaço livre para te saberes a ti», ou isto: «O melhor de uma verdade é o que dela nunca se chega a saber» e, finalmente, isto: «A verdade primeiro ama-se, depois demonstra-se».

Vergílio Ferreira, Escrever

Carlos Malmoro

28 fevereiro 2006

Van Gohg

Da Licenciosidade

«Contém Material Sexualmente Explícito». Foi esta a explicação que a NBC deu para não transmitir a canção Start Me Up dos Rolling Stones. A banda tocou dois temas durante o intervalo da final do Super Bowl. Curiosamente, transmitiram a canção «(I can’t get no) Satisfaction», do mesmo grupo. Chama-se a isto licenciosidade relativa.

David Irving, o historiador negacionista do Holocausto, foi condenado por um tribunal austríaco a cumprir uma pena efectiva de prisão. Está mal. Se existem cartoonistas ridículos a quem defendo a sua licenciosidade, também não o poderia deixar de fazer para este «historiador» de estorietas. A licenciosidade tem de ser absoluta.

Dicionário de sinónimos do Word para o verbo «fazer»: defecar, evacuar, obrar, conceber...E para o adjectivo «licencioso»: depravado, devasso, indecoroso, libidinoso, sensual,… A licenciosidade chegou à informática.

Carlos Malmoro

27 fevereiro 2006

Falta de rede

Ao telemóvel, ele pergunta:

- Gostas de mim?
- P+*x_ enzzztz, não. GSM Service your call…


Ele ainda está a matutar nas três hipóteses:
1) Será que ela disse, «Por enquanto, não»? Será que é um problema temporal?
2) Será que ela disse, «Por encanto, não»? Ou seja, não há amor à primeira vista, mas pode haver a possibilidade de uma relação construída.
3) Ou será que ela usou a velha táctica das mulheres do «pronto-amor-toma-lá-uma-festinha-para-preparar-o-sítio-antes-de-te-dar-uma-paulada», dizendo «Puro encanto, não.»

Passados 20 segundos de profunda reflexão, em que pensou a sério em todas as hipóteses, e em que maldisse a mania das mulheres do não que significa sim e do não que significa não, telefonou a outra.
Afinal, a resposta foi não. E há que ser homenzinho e reconhecer que uma tampa é sempre uma tampa.
Carlos Malmoro

25 fevereiro 2006

Deixar de fumar

Antigamente, fumar era um sinal de afirmação. Hoje, deixar de fumar é um sinal afirmação.

O meu médico, sempre preocupado com a minha afirmação pessoal (e penso que com uma doença que o meu criador padece a que fico mais exposto por fumar, mas isso é o menos), disse que estava na altura de incrementar a minha auto-estima largando o vício.
Depois do choque, analisemos.
Historial:
Começo a fumar cigarros roubados ao criador aos 9 anos. Vou fumá-los para a cave da casa com uma amiga. Um dia, além dos cigarros, fiz-lhe uma cama muito bonita na cave. Olhou-me terna e longamente, sorriu, passou a língua entre os lábios e sussurrou como um regato límpido estas palavras de veludo: «Carlos, vai à fava!». Adiante.
Comecei a fumar «a sério» aos dezassete. A partir daí, e até aos vinte e quatro foi sem parar e em crescendo. No dia dezanove de Novembro de 1999, deixei de fumar. Sem reduções. De um dia para o outro, deu-me para isso. Durante quinze dias, perdi doze amigos e fiz dezoito novos inimigos. E nem foi necessário recorrer ao mau feitio intrínseco: a falta de nicotina realizou a proeza. Deve ser por isso que agora tenho um blogue: falta de amigos.

Recomecei a fumar aos 26 anos. Porquê? Como é que dizia o Einstein? «Só conheço duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. E quanto ao Universo, não tenho a certeza.» Exacto, recomecei a fumar porque o Einstein não tinha a certeza se o Universo é infinito.
Hoje, estou com 31 anos e 30 cigarros por dia.
Possibilidades:
1) Continuar a fumar (é mau para a minha afirmação, segundo o meu médico);
2) Parar de fumar de um dia para o outro, como fiz no passado (esta opção levanta um problema: se perco mais amigos, fico sem contactos…a não ser que crie mais um blogue);
3) Reduzir, força de vontade e pensos de nicotina (não quero adoptar esta opção: sempre pensei que um problema se resolvia com uma solução e não com três. Isso dos sistemas é na matemática);
4) Picada na orelha (é uma escolha que dizem que resulta em mais de 90% dos casos. Porém, (tem de haver sempre um porém, um mas, um contudo, não é?...) é dispendiosa.

Conclusões:
Telefonar à menina que me mandou «à fava» a convidá-la para fumar um cigarro comigo. A meias, como nos bons velhos tempos.
Carlos Malmoro

Acerca de «Munique»

Munique não é um grande filme. É um bom filme.
É um filme poderoso no argumento, imprevisível na narrativa e belo enquanto objecto estético (notável fotografia). É ainda um filme com uma excelente produção e com uma sonoplastia muito bem cuidada. Então o que lhe falta para ser um grande filme? Os pormenores. Erros de palmatória ao nível dos pormenores. A saber:

  • é minimamente plausível que membros de elite da mais reputada e organizada polícia secreta do mundo – a Mossad - possam parecer-se com aquele bandos de rapazolas que, inadvertidamente, dão informações top-secret a um completo desconhecido numa esplanada de Roma, ou que o membro indicado para a construção das bombas seja apenas um curioso, pois o seu verdadeiro trabalho é desmontá-las ou , finalmente, que caiam na mais velha armadilha do mundo da espionagem: uma apetecível senhora no bar de um hotel a implorar que façam amor com ela? A mim não me parece verosímil.

  • Também não me parece lá muito verosímil que exista uma pessoa em Paris que saiba todos os nomes e todas as movimentações dos espiões de todo o mundo.

  • Finalmente, é um filme com uma montagem muito fraquita, com flashbacks constantes e cenas que parecem descontínuas. As interpretações, não sendo fracas, não enchem o olho


Para rematar o filme, está a verdade que ainda hoje constatamos: no fim disto não haverá vencedores nem vencidos. Apenas as mortes não terão fim. De um lado e do outro.
Um bom filme, sem dúvida.

Carlos Malmoro



22 fevereiro 2006

Um cartoon licensioso

Lost In Translation

«Só pra dizer que te amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.»

Esta letra de Sérgio Godinho para a canção «Problema de Expressão» dos Clã, só erra num verso: onde está «E nunca atraiçoa ninguém», deveria estar, em meu entender, «E nunca apaixona ninguém» (ou «E não apaixona niguém»). Dizer «I love You» não provoca calafrios, mas dizer «Amo-te», aí sim, é necessária coragem e, mais importante, Amor.
O primeiro termo é uma expressão; o segundo é uma declaração.

Carlos Malmoro

20 fevereiro 2006

Turner: Snowstorm

17 fevereiro 2006

No mail...

N., enviou-me um mail com um pensamento e uma anedota.

«O atraso do nosso país resulta de um problema agrícola: excesso de nabos e falta de tomates.»

«Um homem chega a casa, vira-se para a mulher e diz:
- Querida, recebi uma intimação das finanças a respeito do atraso da entrega da declaração do IRS! Achas que devo comparecer na repartição de jeans ou de fato e gravata?
- Bem, querido... Digo-te a mesma coisa que a minha mãe me disse quando lhe perguntei se, na noite de núpcias, eu devia usar uma cuequinha de rendas ou uma cuequinha de seda!
- E o que foi que a tua mãe te disse?
- Tanto faz. Ele vai foder-te na mesma!»

Deixo aqui o agradecimento ao N. Só falta descobrir qual dos textos é o pensamento e qual é a anedota...

Carlos Malmoro

13 fevereiro 2006

O tino e o desatino

O desatino:
«-Quem têm sido os maiores agressores nos últimos tempos? Somos nós!» (Freitas do Amaral, antes de sugerir que um campeonato euro-árabe de futebol aproximaria os povos…)

O tino:
Em resposta à questão “Como reage às caricaturas a temáticas cristãs?”:
- O facto de estarmos num ambiente de liberdade de expressão significa que eu não me indigno com isso, mas quando acontece magoa-me. A liberdade de expressão tem desses riscos: eu sei que, às vezes, magoo os outros. A grande diferença entre o horizonte ocidental e o horizonte que estamos a assistir nos muçulmanos é que eu manifesto a minha indignação de outra maneira, não vou pôr bombas nas embaixadas, nem bater nas pessoas na rua". E conclui: "tenho visto comentadores a tentar pôr isto no âmbito do diálogo e do respeito inter-religioso, mas penso que, por trás disto há mais estratégias políticas que questões religiosas". (Cardeal Patriarca de Lisboa)

Começa-se a perceber por que razão Freitas do Amaral era um candidato a PR com metade do país com ele e agora é um Ministro dos Negócios Estrangeiros.
Da mesma forma, começa-se a perceber por que razão o Cardeal Patriarca era um dos possíveis sucessores de João Paulo II.
Carlos Malmoro

Um dia...

...vou contar aos meus netos o seguinte
- Bem no final do século XX, houve a crise dos mísseis, a crise do petróleo, várias crises derivadas da fome extrema em muitas partes do mundo, crises provocadas por tempestades e fenómenos naturais, crises políticas, enfim, uma imensidão de crises que se resolveram de forma positiva algumas vezes…
E eles perguntarão:
- E o século XXI, como foi o seu início?
- Bem, algumas das crises que eu vos enumerei há pouco resolveram-se, outras agravaram-se e surgiram outras novas
-Avô, dá-nos um exemplo de uma crise que tenha surgido.
- A crise dos cartoons.
Depois de me abraçarem, os meus netos dirão:
- É por isso que gostamos tanto do avô: consegue sempre pôr humor mesmo nos assuntos mais sérios.
-Mas...deixem - direi eu, com bonomia
Carlos Malmoro

12 fevereiro 2006

Easy Money

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11 fevereiro 2006

Foto do Ano 2005 - World Press Photo


Uma mulher espera, juntamente com o filho, a chegada de
ajuda num centro de emergência alimentar em Tahoua-Níger.
Foto tirada pelo canadiano Finbarr O' Reilly, para a Reuters,
com o fim de retratar a situção de fome extrema no Níger.
Carlos Malmoro

10 fevereiro 2006

À consideração do interessados:

  • Eu também vou lançar uma OPA sobre a PT. Só para não pagar mais telefone;

  • É um abuso de coscuvilhice (linda palavra, esta) dizer-se que aquelas duas mulheres que se querem casar têm o mesmo sexo;

  • Previsibilidade :

«Daqui a cinco minutos, estou aí» - disseste. Passados seis minutos, encontraste um bilhete na mesa que dizia:

«Há um minuto estava aqui.»

Carlos Malmoro

09 fevereiro 2006

E agora para algo completamente diferente

Amigos, o que se segue não é nenhum texto humorístico, embora os humoristas de todo o mundo sonhem alcançar este patamar de excelência. É um comunicado do SINTAV - Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audivisual, acerca da Oferta Pública de Aquisição da Portugal Telecom pela Sonae. Reza assim:
«NOTICIA DE ÚLTIMA HORA:
“POLVO” ATACA AS TELECOMUNICAÇÕES

(...)Segundo a Comunicação Social, Belmiro de Azevedo, o homem mais rico de Portugal, cuja ganância não tem limites, prepara-se para comprar a PT-C através do lançamento de uma OPA(...) Estas afirmações fundamentam-se no conhecimento concreto que a sociedade tem do indivíduo em causa.(...)
Embora ainda não se conheça muito deste macabro processo desencadeado da noite para o dia, o SINTTAV desde já assume uma posição de total contestação, denunciando tudo o que vier a ser digno disso e mobilizando os trabalhadores e a sociedade para lutar e resistir contra as tentações deste poderoso “Polvo”.»

E, para finalizar em beleza, eis a jóia da coroa:

«NÃO AO RETROCESSO SOCIAL.O FUTURO É DOS TRABALHADORES E DOS POVOS E NÃO DOS “POLVOS” NEM DOS IMPÉRIOS.»
(sublinhados meus)

Eu sei que por mais credibilidade que se possa ter, existem certos acontecimentos que excedem o limite do plausível. Não vos levo a mal. Eu faria o mesmo. Convido-vos a virem aqui e confirmarem que estas preciosidades fazem corar de inveja muitas das rábulas dos Monty Python.

Carlos Malmoro

Assunto encerrado:

08 fevereiro 2006

Breves

  • Maya, a astróloga, afirma que a sua imagem de marca é o nariz. Grande feito: a de um actor pornográfico é o seu pénis;

  • O unico contacto que tem direito a número de fax na letra «A» da minha agenda pessoal é o sr. A., o profissional que trata dos funerais da família. Nem na série «Sete Palmos de Terra se dá tanta importância aos coveiros;

  • Freitas do Amaral diz que «Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos e/ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos.» E não disse uma palavra sobre a violência islâmica que surgiu como protesto a estes desenhos. Só há um comentário a fazer: Freitas do Amaral adoraria viver numa sociedade sem liberdade de expressão ou que quando esta se manifestasse fosse reprimida violentamente;

  • A TVI vai alojar o «Circo das Celebridades» em Março, diz o DN de hoje. Este programa, pelo menos, tem o mérito de acertar no nome: 'Circo', com os seus elefantes, burros, camelos, macacos, palhaços e fauna afim (peço desculpa se ofendi algum dos géneros atrás citados aos compará-los com os possíveis concorrentes);

Carlos Malmoro

Esta boa ideia está n' O Espectro

COMUNICADO
COMUNICADO - CONVITE

Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa. Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão. Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos. Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre. Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes". Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito.
Pela liberdade de expressão, nos subscrevemos
Rui Zink (916919331)
Manuel João Ramos (919258585)
Luísa Jacobetty

06 fevereiro 2006

O Amor É Um Fogo

O amor é um fogo

Queima-nos a todos

Desfigura-nos a todos
´
É a desculpa do mundo

Para ser tão feio

Leonard Cohen - A Energia dos Escravos - Relógio d´Água

Carlos Malmoro

05 fevereiro 2006

Temptation

A propósito...

  • Factos:
  • A Agência Internacional de Energia Atómica remeteu para o Conselho de Segurança da ONU a análise do programa nuclear iraniano. Como retaliação, o Irão suspendeu unilateralmente o TNP (Tratado de Não Proliferação). Final da estória: o chefe da AIEA a fazer uma declaração não para explicar o sucedido, mas para justificar-se perante o Irão a opção tomada;

  • Uns cartoonistas dinamarqueses, de um jornal tablóide lá do sítio, publicaram em Setembro umas caricaturas do profeta Maomé. Passados quatro meses, uma onda de protesto assola as virgens ofendidas muçulmanas, com destruição de embaixadas, queima de bandeiras, etc....Final da estória: As autoridades europeias vêm a público defender, não a liberdade de imprensa, mas o direito à indignação dos muçulmanos. (Os mesmos que aquando de Londres e Madrid nos pediram para não confudir o terrorismo islâmico e o islamismo...). Por outro lado, o Grande Ayatollah Ali al-Sistani, o líder do clérigo iraniano, condenou ontem as caricaturas e a «acção horrenda» dos jornais ocidentais. (Nota – este último período foi a concretização de um sonho há muito adiado: ter neste estaminé a presença de um Grande Ayatollah…dá logo outra seriedade à coisa);

  • Conclusões:
  • Ó meus amigos líderes europeus, se quereis ser serventis perante o poder do petróleo, façam muito bom proveito. Agora que eu - e mais uns milhões de gatos e gatas pingados - defendemos que a liberdade de imprensa é um pilar da nossa civilização, e que o Tratado de Não Proliferação Nuclear é uma das (poucas) boas coisas que V.exas se lembraram , é um facto que não podeis negar. Entendido?

  • Ó meus amigos líderes muçulmanos, aprendei de uma vez por todas que eu prefiro – e mais uns milhões de gatos e gatas pingados - que façam uma caricatura do deus que a maioria da Europa segue, do que ter de receber um telefonema a meio de uma manhã qualquer a dizer que um familiar, amigo, colega ou filho ficou esfrangalhado no metro ou no comboio só porque cometeu o pecado capital de ir trabalhar…E nós, também estamos entendidos?

Carlos Malmoro

30 janeiro 2006

10 coisas que dão comigo em doido por estes dias...

1 - Como está vastamente demonstrado neste estaminé, eu gosto do trabalho de Leonard Cohen (canções & escrita). Acontece que existem duas músicas dele – The Tower of Song & Take This Waltz - que só me levam ao nirvana quando acompanhadas do charuto e do Black Russian. A irritação é que não posso beber;

2 - Que na Europa rica, o carro do ano seja o Clio, um carro que custa metade do carro do ano português: o Passat. Ai este novo riquismo;

3 – Que, com todos os seus defeitos, o DNa tenha acabado;

4 – A discussão sobre o que há-de Manuel Alegre fazer ao milhão e duzentos mil votos. Eu tenho uma teoria…

5 – Que a mais importante coisa neste país seja o clima….

6 – Que ande obcecado por pianos de cauda. Para quem possa andar distraído, são caros;

7 – Que ninguém me ofereça um reluzente piano de cauda (e criticava eu o novo-riquismo) …

8 – Que o euro-milhões não tenha vencedores. Já vou com catorze propostas para «entrar numa sociedade». Quando se recusa, as pessoas não pensam que seja porque não se acredita em jogos de azar, mas sim porque estamos a desconfiar da honradez delas em repartir o prémio …

9 – Que os cartazes das campanhas eleitorais ainda nos impinjam como panorama citadino as carinhas larocas dos senhores candidatos à presidência….

10 – A TVI.

Carlos Malmoro


29 janeiro 2006

«Poema»

«Ouvi falar de um homem
que fala com tanta beleza
que só de pronunciar os seus nomes
as mulheres se lhe entregam.


Se estou mudo junto ao teu corpo
enquanto o silêncio floresce como tumores em nossos lábios
é porque ouço um homem subir as escadas
e a aclarar a voz do outro lado da porta.»

Leonard Cohen, Poemas & Canções - Vol. I, Relógio d'Água
Com um especial agradecimento à R.
Carlos Malmoro

28 janeiro 2006

Mozart

Portugal por estes dias

  • Há vinte anos, na rua onde vivia, colocou-se um novo tapete de alcatrão. Passados três meses abriram-se os fossos para instalar o saneamento básico. Ficou o tapete todo destruído.
    Há três meses, na rua onde vivo, colocou-se um novo tapete de alcatrão. Actualmente, estão a substituir os canos da água. O tapete está a ficar todo destruído. Conclusão: vinte anos passados, não se conseguiu atingir que a falta de organização é a maior responsável pelo mau aproveitamento do dinheiro. Parafraseando: é a organização, estúpidos!

  • Diálogo:
    Ela: -Tu já reparaste que agora todos os casais que compram casa estão a reservar uma divisão para o «escritório»?
    Eu: - Com a quantidade de papelada que hoje se é obrigado a administrar, é a coisa mais natural do mundo.
    Ela: - Mas assim, as casas, que supostamente deveriam ser lares, passam a ser um género de empresa…As pessoas saem do escritório da empresa e entram no da casa.
    Eu: - As famílias sempre foram empresas. Só não o sabiam.

  • Uma mulher foi destacada para o comandar o posto da GNR do Pombal. É triste que apenas em 2006 isto aconteça. E é triste que quando isto aconteça, seja motivo de notícia. A notícia que testemunha o nosso provincianismo latente.

Carlos Malmoro

24 janeiro 2006

Notas soltas

  • Pergunta para definir carácter: qual das versões de Neighborhood dos Arcade gostas mais?

  • Frase mais ouvida por estes dias (e pelos próximos anos): eu não votei Cavaco;

  • Diálogo escutado entre duas recepcionistas de Repartição Pública:
    - Amanhã, se calhar, chove.
    - Amanhã, se calhar, faz sol.
  • Máxima de fim de noite: o tamanho é preto e a cor é o L.

  • E agora, com um obrigado à T., relaxem aqui.

Carlos Malmoro

22 janeiro 2006

Conclusões...

  • É engraçado na declaração de Louça o adjectivo «grande» estava junto da palavra «mobilização». Meus senhores do BE, expliquem lá ao vosso líder que ele ficou em quinto lugar, mesmo atrás de um Jerónimo oriundo de uma força política que dizem em decadência;
  • Na aceitação da derrota, Mário Soares portou-se como sempre: um democrata...em quem não votei, mas em quem reconheço que se hoje posso discordar dele, a ele muito lhe devo. Como cidadão, não tenho as suas convicções; como homem, aceite que lhe retribua com um simples mas sincero obrigado a vida política que dedicou a Portugal.
  • O senhor Alegre tem de descer um pouco do pedestal de poeta: se uma jornalista perguntar-lhe se «foi o senhor o responsável pela divisão da Esquerda?», não é um crime que lhe mereça fuzilar com o ollhar a dita senhora. A liberdade é de todos;
  • O sr Jerónimo de Sousa tem de aprender que se mais de 50% dos portugueses deram a vitória a uma candidatura de centro-direita, não significa necessariamente que todos esses cidadãos estejam a «sonhar» desde Salazar em «apoderar-se» da Presidência da República - quantos mais não seja porque muitos deles ainda não eram nascidos;
  • Garcia Pereira, não comento porque não me apetece;
  • Cavaco Silva: ganhou por 50%+1 voto expressos. Será empossado Presidente da República dentro de algumas semanas. Espero sinceramente que para o meu bem enquanto cidadão e para o do País, que se mostre como o melhor Presidente da República Portuguesa de sempre;
  • Jorge Sampaio: grande homem, grande Presidente - atravessou as mais inconcebíveis crises políticas que um país pode ter, com primeiros-ministros que abondonavam o barco. Em minha opinião, escolheu na esmagadora maioria das vezes as soluções que melhor defendiam o interesse de Portugal. Obrigado;
  • E agora a melhor notícia da noite: não teremos eleições nos próximos três anos e meio.YES!

Carlos Malmoro

21 janeiro 2006

Dia de Reflexão

Hoje é dia reflexão.
Cogitemos, então.
Cavaco: Não - nunca gostei de políticos/economistas/salvadores;
Soares: Não - nunca gostei de políticos/políticos/políticos;
Alegre: Não - nunca gostei de políticos/poetas/parlamentaristas;
Jerónimo: Não - nunca gostei de políticos/operários/dançarinos;
Louçã: Não - nunca gostei de políticos/economistas/Pregadores de Verdades Absolutas;
Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê...

Cavaco: Sim - sempre gostei daqueles de que todos falam mal;
Soares: Sim - sempre gostei dos que combatem a ditadura da juventude;
Alegre: Sim - sempre gostei de rebeldes;
Jerónimo: Sim - sempre gostei de convicções;
Louçã: Sim - sempre gostei de inteligência;
Garcia Pereira - Não, e nem me vou dar ao trabalho de explicar porquê...

Mas como o que eu queria mesmo era uma Presidente, o meu voto está direccionado para uma grande mulher: Carmelinda Pereira - é o único candidato a quem eu não consigo encontrar defeitos.
Eu sei que virtudes também não encontro (nem sequer sei quem é a senhora), mas em eleições já estou habituado a escolher, não melhor opção, mas a opção menos má. É só mesmo pelo capricho de querer uma mulher como Presidente.
Carlos Malmoro




19 janeiro 2006

��Aishwarya Rai

heln wein

16 janeiro 2006



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O massacre continua.

Como algumas pessoas que conheço, tenho uma caixa de correio electrónico que serve de caixa de correio publicitária. Eu explico: é uma forma de salvaguardarmos que quando fazemos um registo numa determinada empresa ou serviço, e colocamos que não desejamos receber regularmente correspondência, nem autorizamos que a empresa comunique os nossos dados a outras empresas, mas as empresas fazem de conta de que não perceberam essas instruções, as mensagens vão para um sítio diferente que não o nosso endereço de e-mail mais pessoal. É como se tivéssemos duas caixas de correio: numa o carteiro colocava o que realmente interessava; na outra, e embora estivesse lá bem explícito que não aceitávamos publicidade de qualquer tipo, colocava os panfletos do Intermarché, as carinhas larocas dos candidatos às presidenciais e os cursos CEAC que garantem que uma pessoa aprende a tocar piano de cauda em três semanas sem praticar.
No dia sete de Janeiro, abri as caixas de entrada dos dois e-mails. Já andava visivelmente satisfeito por estarem a desaparecer as publicidades natalícias. Quando me deparo com o seguinte título de mensagem: «Dia dos Namorados: não se atrase». Paciência, haja paciência.
Depois, reflecti um pouco e apercebi-me que isto vai durar o ano inteiro. A saber: depois do Dia dos Namorados, existirá o Carnaval, e a Páscoa, seguido dos dias do Pai e da Mãe. Entramos na canícula e nas viagens, e saímos da canícula com os saldos e os primeiros cheiros a Natal, intercalados pelo Halloween, essa tradição portuguesíssima. Acto contínuo, entra o Natal em força e no dia sete de Janeiro de 2007, a caixa de e-mail publicitária lá receberá uma mensagem com o título «Dia dos Namorados - não se atrase», e o ciclo estará consumado e eu consumido. Arre!!!
Carlos Malmoro

15 janeiro 2006

Comentando Comentários

«Os jornalistas querem impor-nos a homossexualidade até cairmos» D. Eurico de Nogueira, bispo emérito de Braga, revista Sábado.
Estes jornalistas são, de facto, uns perversos: sempre a pensarem na malandrice. Marotos. Só uma questão: eu leio jornais, e nunca vi nenhum jornalista a tentar impor-me a homossexualidade «até cair». Será que sou iletrado?

«Mário Soares não confunde o autor da Montanha Mágica com o autor da Utopia, não acrescenta cantos a «Os Lusíadas» e sabe que Fernando Namora foi um dos autores mais lidos e traduzidos no século XIX» Presidente da Câmara de Condeixa, referindo-se a Mário Soares como um homem de cultura, antes do candidato entrar na Casa-Museu Fernando Namora. Diário de Notícias
Fernando Namora de certeza que deu uma volta no caixão. Mário Soares pensou com os botões: se eu sou do mesmo século que o Namora, então estou mesmo velho. Cavaco Silva diz: não me facilitem tanto a vida. O eleitor pede: poupem-nos a estas lições, seguidas de humilhações – é confrangedor ver estas tristes figuras feitas por pessoas em quem votámos. Eu digo: de facto, Fernando Namora até pode dever alguma coisa da sua inspiração literária ao século XIX. Mas nada que possa transladar a sua existência física para o século anterior.
Carlos Malmoro

Constatação

Quando o Holocausto provocou aqueles milhões de mortos, fizemos o que tínhamos a fazer para terminar com ele.
Hoje, morrem tantas pessoas vítimas de fome e de doenças curáveis em quatro anos como as vítimas do Holocausto, e não estamos a fazer um centésimo do que era preciso.
Se o resultado é tão mortífero como as ideias loucas de um ditador megalómano, então temos de admitir que a inacção também é um crime contra a Humanidade.
Carlos Malmoro

A «MAIS BELA MULHER DO PLANETA»

Aishwarya Rai, 31 anos. Eu concordo.
Carlos Malmoro

14 janeiro 2006

Visões das presidenciais

A Optimista: Depois destas eleições, Portugal voltará a ser a Nação Valente e Imortal.
Pessimista: O que eles querem é tacho!

A Indiferente: Que eleições?!..Que presidenciais?! É para escolher o novo presidente do Benfica?!...Ah, é para escolher Presidente da República. Eu até acho que o Ramalho Eanes está a fazer um bom mandato...

A Conspiradora: Isto é tudo mas é uma grande jogada para desviar as atenções do Processo Casa Pia, da Moderna e do Elefante Branco. Eles estão todos feitos uns com os outros. E, como sempre, o Zé-povinho é que se lixa.

A Cavaquista: A opinião que eu tenho sobre o estado da nação está escrita na Bíb..., perdão, na Autobiografia Política do Prof. Aníbal Cavaco Silva.
A Soarista: Eu já disse que não falo. É uma censura completa o que estão a fazer ao homem. Nem a jornais, nem a televisões, nem a rádios, e muito menos a blogalhadas como esta, eu não falo!
A Alegre: Eu falo no nome de Álvaro Cunhal quantas vezes me apetecer: Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal…e se o Jerónimo me tentar calar, eu concretizo a ameaça que o grande vate lhe fez: apanha a sério!

A Comunista: Temos que olhar para os trabalhadores como pessoas dignas e não como máquinas de lucro escravas ao serviço do grande capital. Só assim poderemos aspirar a ser uma sociedade justa, equilibrada e tolerante como a Coreia do Norte.
A Bloquista: Nesta campanha não se discutem os principais problemas das pessoas e do país. Já algum dos outros candidatos falou na necessidade das mortalhas serem produzidas em papel reciclado «Amigo do Ambiente»? Pois, é a campanha do ruído e das briguinhas, mas do silêncio sobre o que realmente importa. A propósito: alguém tem uma mortalha?

MINHA: Depois de ter reparado que mais de metade deste texto supostamente satírico é vero, vou, portanto, votar na Carmelinda Pereira.
Carlos Malmoro

11 janeiro 2006

Se ainda subsistissem dúvidas...

É uma casa de Gaudí, com certeza...
Carlos Malmoro

08 janeiro 2006

Coisas que se vão passando...

O maior medo dos pilotos do Dakar: que Jorge Sampaio discursasse na altura em que deu a partida.


Sondagens: segundo uma sondagem do Expresso, um milhão de portugueses têm tendências homossexuais. Vamos ver como esse milhão de portugueses homossexuais foi encontrado:
«-Boa noite. Sou a Kátia Vanessa e estou a falar-lhe do centro de estudos do Expresso.
-Boa noite, minha senhora. Que deseja?
-Estamos a fazer uma sondagem sobre homossexualidade.
-Sim…
-O senhor alguma vez teve ou pensou em ter relações homossexuais?
-Ó minha va…. Vira para cá essa p….que eu já te digo quem é o maricas!
-Desculpe, estou só a perguntar: é o meu trabalho.
-Onde tu devias estar a trabalhar sei eu, minha p….
-Não me ofenda, por favor. Como lhe disse, este é apenas o meu trabalho….
-E tu vens para aqui chamar-me de pane…às tantas da noite!!
-Olhe, sabe que mais? Vou colocar nas respostas que o senhor sempre pegou de empurrão, sempre gostou de morder a fronha da almofada e sempre desejou ter um boeing 747 metido bem dentro do seu hangar.
-Atreve-te, p…» (chamada desligada pela operadora)
Foi assim que o Expresso encontrou o milhão de portugueses homossexuais.


Herman: depois de ter sido «posto na linha» pelo novo director da SIC, já começa a dar gosto dar umas espreitadelas ao Herman Sic.
Carlos Malmoro

2005

Discos:
Leonard Cohen - Dear Heatter
Nick Cave – Abattoir Blues / Lyre of Orpheus(2004) / B-Sides & Rarities (2005)
Arcade Fire - Funeral
Patrick Wolf - Wind in the Wires
Bloc Party - Silent Alarm
Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs
Editors: The Back Room

DVD:
Nick Cave – The Videos
Million Dollar Baby – Clint Eastwood
Verão Azul (é mesmo muito pessoal e, diria mesmo, freudiana)

Concertos:
Nick Cave – Paredes de Coura
Patrick Wolf – Gaia

Filmes:
Million Dollar Baby – Clint Eastwood
Charlie e a Fábrica de Chocolates - Tim Burton
Flores Partidas - Jim Jarmusch

Blogs:
Estes três links aqui ao lado

Livros:
Philip Roth - A Conspiração Contra a América
Gonçalo M. Tavares - Jerusalém
T.S. Eliot - Prufrock e Outras Observações
J.M. Coetzee - No Coração desta Terra

Carlos Malmoro

04 janeiro 2006

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01 janeiro 2006

Luz no fundo do? Bom 2006

26 dezembro 2005

Eu e eu e mais eu.


Carlos, o dono do carro atropelado – Está uma pessoa muito bem parada numa interminável e secante fila de trânsito, quando vem uma perigosa e excêntrica consumidora natalícia a olhar para uma amiga que estava do outro lado do passeio, dizendo-lhe: «Sandra, olha o que comprei para a T…» quando choca violentamente com o meu carro. A consumidora vinha a pé. Segundo os parâmetros jornalísticos, estas situações são os paradigmas que tipificam uma notícia: não foi o carro que atropelou o peão, mas o peão que atropelou o carro;
Carlos, o perverso: A dona do café onde tomo o pequeno-almoço tem a preocupação de colocar tudo o que eu digo no seu diminutivo: se eu peço um café, ela diz: «sai um cafezinho para o Sr. Carlos.»; ao princípio, é agradável, depois é tolerável e por fim já se estava a tornar insuportável. Ontem, a minha paciência cansou-se: pedi-lhe um descafeinado e foi bastante divertido vê-la a tentar dizer o diminutivo da palavra… Nota a mim mesmo: repetir sempre que possível.
Carlos, o eleitor: Se Soares ganhar, vai jurar a Constituição e depois apelar ao voto no PS em dias de eleições? Se Jerónimo ganhar, vai implementar uma democracia tipo Coreia do Norte, em clara consonância com as directrizes principais da nossa Constituição? Se Louçã ganhar, vai implementar a regra de que a minoria dos votos passa a vencer as eleições? Se Alegre ganhar, vai dissolver a Assembleia da República sempre que acordar mal disposto? Se Cavaco ganhar, vai jurar cumprir a Constituição ou os tomos da sua biografia política?
Carlos, o leitor: em leitura – A Ilha dos Pinguins, de Anatole France, «…Por mais que busquemos, apenas nos encontramos a nós próprios…»
Carlos, o ouvinte: no auto rádio, na aparelhagem e no computador: The Back Room – Editors e a pergunta que se torna em dúvida existencial para quem escuta este disco: por que razão aquela música se chama «Munich»?... «People are fragile things, you should know by now / Be careful what you put them through»
Carlos, o consumido: esta é a época de excelência dos consumidores ou dos consumidos?
Carlos, o intelectual: M. enviou-me um mail, que diz que segundo um reputadíssimo numerólogo (esta profissão existe?!) apenas os dias do nascimento são determinantes na personalidade de um indivíduo. Pois…Deixo-vos com os traços de carácter para quem nasceu no dia 30: «É o número da intelectualidade. Neste dia nascem pessoas de grande imaginação e intuição, que apreciam a arte, a música e o teatro e são eloquentes.» M.: sabes que comigo podes falar sem rodeios, isto é, acho que já existe confiança entre os dois para me chamares directamente de chato!
Carlos Malmoro

25 dezembro 2005

Boas Festas. C.M.

20 dezembro 2005

Refuse/Resist...

17 dezembro 2005

UM BOM T�TULO PARA UM LIVRO - O AMARELO DE VAN GOGH

Porque eu tenho actualizar o blog, e tenho, é melhor que o faça já....

Uma das coisas mais peculiares no falar minhoto, é a repetição do verbo para dar força à ideia. Assim, achei por bem sair do período de hibernação deste blog, atribuindo um título a este post, onde se experimenta essa mesma forma...e digam lá que não fica um must?....
E agora chega de falar do umbigo. Vamos para a rua: é Natal! É tempo de paz, amor e concórdia entre os homens e as mulheres. Para onde quer que telefone, lá estão as famílias em concordante discussão a saber porque a prenda para o tio ainda não foi comprada, a despacharam-me com um amigável «despacha-te que ainda não comprei as prendas todas», a compatriotas a declararem aos seus amores que «nem pensar em dar uma prenda de 20,00€ à pirua/ao tanso da(o) C. que o que ela(e) quer sei eu»...enfim, é só amor....
Num assomo de laicismo, o Governo decidiu retirar todos os crucifixos das escolas. A função pública, incluindo professores, concordou. Agora só falta retirarem os feriados religiosos. Mas aí os professores vão querer que se respeite a dignidade dos católicos. Estes tipos são, como o título deste post: um «must»...Em sentido contrário, George W. Bush, esse Monty Python transatlântico, decretou multas para os estabelecimento comerciais que, nas suas montras natalícias, para além do tradicional Pai Natal, não tenham presépios, ou alguma forma de representação similar, que demonstre que estas festividades celebram o nascimento de Cristo.. Lá, como cá, quando existem problemas que a sua resolução é adiada consecutivamente, desvia-se a atenção da opinião pública criando um falso problema com esse íman das atenções gerais que é a religião.

Carlos Malmoro

14 agosto 2005

Participação Cívica

Pacheco Pereira, agora que o Governo é PS,está a dedicar uma grande atenção e um grande empenho em discutir os fogos. Ao consultarmos os arquivos do Abrupto, não encontramos esse empenho quando o PSD, principalmente com Durão Barroso como PM, era poder.
Carlos Malmoro

28 maio 2005

Wassily Kandinsky.The Blue Rider

15 maio 2005

Se...

Este texto era para ser enviado para um jornal quando ainda fazia sentido, isto é, há cerca de 10-11 meses. Porém, e por motivos vários, entre os quais se contam a infinda desorganização de quem mantém este tasco, ficou perdido nos meus papéis. A carta consistia numa paráfrase ao poema «If» de Rudyard Kipling, e rezava assim:


«Se Durão Barroso sair para a Comissão Europeia, se Santana Lopes subir a Primeiro-Ministro, se o Presidente da República aceitar esse nome, e assim desvirtuar todo o sistema democrático, porque embora o partido mais votado fosse o PSD, foi-o em nome de um Programa de Governo encabeçado pelo por um determinado líder, se tivermos que aturar os dislates de Santana por dois anos e os do seu séquito de santanetes, se a política seguida por Santana for anti-europeísta e populista – como não o ser?... –, Se os dois anos de sacrifícios dos portugueses forem esbanjados em nome da alimentação de clientelas, se tudo isto for acompanhado de muita demagogia própria de quem disse que se afastava da política por um sketch televisivo, pela ignorância cultural de quem afirmou que Mário de Sá Carneiro era o poeta da Arrábida, e não Sebastião da Gama, que disse que gostava dos violinos de Chopin e que endereçou uma carta de agradecimento ao escritor brasileiro Machado de Assis, quando este já faleceu há cerca de 100 anos; então, meu filho, peço-te para saíres de Portugal: só assim poderás ser um Homem.»


Ainda bem que não o enviei: ter razão antes do tempo implica fazer juízos de valor à priori das acções. Mas também não era preciso ser-se um geniozinho para ter razão antes do tempo neste caso, pois não? …
Carlos Malmoro

12 maio 2005

Pôr-do-Sol

Esta foto de José Campos Roja, intitulada Cae-el-Sol, revela-nos que essa hora mágica do dia provoca uma doce melancolia nas cidades. A mesma doce melancolia que geralmente associamos a esse momento do dia quando é passado à beira-mar, no campo ou nos pinheirais... Carlos Malmoro


25 abril 2005

Completo.

24 abril 2005

Comentando Comentários

«Ser deputado está a ser muito bom. Muito trabalho? Quem quiser fá-lo, mas quem não quiser fazer nada também passa despercebido, sem problema.» Nuno da Câmara Pereira - TV 7Dias
A bem da Nação, pede-se encarecidamente a este senhor que nada faça e, se não for pedir muito, que nada cante. A Nação agradece. C.M.
«Ninguém entra na Rádio Renascença sem vir ao que chamamos de "confessionário".» Magalhães Crespo, vice-presidente da Rádio Renascença - 24 Horas
E isso é uma ameaça ou um convite malandrinho? C.M
«Não acredito que o BES [Banco Espírito Santo] seja beneficiado só porque um ministro foi seu quadro.» Ricardo Salgado - Jornal de Negócios
Pois, como é que é mesmo aquele ditado espanhol? Eu não acredito em bruxas, pero que las hay... C.M
«As lideranças personalizadas conduzem frequentemente a uma crise de sucessão» Anacoreta Correia - Visão
É uma daquelas verdades que nem monsieur La Palisse diria melhor.
Carlos Malmoro

10 abril 2005

Algures, num bar de Braga, vê-se isto

Ah, conheço perfeitamente...

«E António Borges?
Uma pessoa que está afastada do país e da política cai de pára-quedas e apresenta-se como um iluminado? Falta-lhe o percurso e as características. António Borges ainda tem muito para aprender.»
Esta resposta é de um conhecidíssimo político, numa entrevista que deu ao Independente, que perante ele, Mário Soares, Cavaco Silva, Álvaro Cunhal ou Freitas do Amaral são pessoas totalmente desconhecidos, daquelas que, depois de ouvirmos pronunciar os seus nomes, perguntamos: «Quem?...».
Este reputadíssimo senhor chama-se Jorge Bleck!
Carlos Malmoro

06 abril 2005

O Carinho é um Direito dos Trabalhadores!

Estava eu no remanso do meu lar, num Sábado ou Domingo ao fim da tarde, quando vejo esta notícia na televisão: «Jogador X quer sair do seu clube porque não se sente acarinhado.» Confesso que pensei que tinha ouvido/visto mal: estava quase a adormecer e poderia ter confundido a notícia.
Mas não. Lá estava a passar no rodapé (naqueles rodapés que deveríamos esconder dos nossos filhos se ainda temos uma réstia de esperença que eles venham a saber escrever em português) a dita cuja, confirmando que o que ouvira não tinha sido uma mistura de várias notícias.
O mais caricato ainda foi a reacção do clube: emitiu um comunicado a dizer que nutria bastante carinho pelo jogador em questão.
Não vou perder muito tempo a comentar a situação, porque, neste momento, estou a numa fila para preencher papéis para o desemprego depois de ter dito ao meu patrão o seguinte:
- Sr. Y, eu não me sinto acarinhado nesta firma, e penso que dar carinho é um dos deveres do patrão e, consequentemente, quero sair!»
Pensava eu que ele iria emitir um comunicado semelhante ao do clube do jogador, mas o sr. Y disse pura e simplesmente:
"Tem toda a razão, Sr. Carlos: aqui você não está a ser acarinhado e, consequentemente, sugiro-lhe que se mude depressa!"
Carlos Malmoro

27 março 2005

Deposição

Telhados de Vidro

Esta afirmação foi proferida por Pedro Rolo Duarte, no Editorial do Diário de Notícias, no sábado, 26 de Março. Ela reporta-se a uma notícia que faz a primeira página desse dia, segundo a qual, existiria uma milícia em Viseu que tinha por fim atemorizar os homossexuais. É certo que a homofobia se sente mais nos meios isolados do que nas grandes cidades. Porém, e embora a notícia seja uma prova disso mesmo, a ilustração que acompanha a referida notícia - que se presume ser feita por um designer vanguardista, moderno, urbano e não-homofóbico - transmite-nos todos os clichés, preconceitos e ideias feitas que o mais homófobico dos seres tem em relação aos homossexuais. A saber: 1 - Os homossexuais frequentam as casas de banho públicas para engatar e não para fazer as suas necessidades; 2 - Os homossexuais são pessoas pouco entroncadas, ou seja, efeminadas; 3 - Os homossexuais têm sempre aquele corte de cabelo à la José Castelo Branco, isto é, têm aparência de bichas.
Deixo-vos com a ilustração que acompanha a notícia. Não sei porquê, mas se o ilustrador não é da referida milícia de Viseu, deve ser de alguma com semelhantes propósitos de Lisboa.

Carlos Malmoro

25 março 2005

A Dança da Lua


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Moondance - Janet Treby
Carlos Malmoro

21 março 2005

Admirável Mundo Triste

«Everybody knows the dice are loaded
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed:
The poor stay poor, the rich get richer
That's how it goes, what everybody knows.»...
«Everybody Knows» Leonard Cohen & Sharon Robinson

Este excerto é de um poema de Leonard Cohen, escrito há trinta anos. Isso torna-o simultaneamente admirável e triste. Admirável, porque conseguiu manter a sua actualidade passadas que estão três décadas da sua génese; triste, porque as afirmações contidas nos três últimos versos, são e estão cada vez mais verdadeiras.
Carlos Malmoro

Mais do mesmo?...

Governo promete consolidação e transparência das contas públicas.
Mas aonde é que eu já ouvi isto?...
Carlos Malmoro

18 março 2005

...e agora, Herberto Hélder:

«As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras.»


P.S.: Uma Verdade destas não se comenta: contempla-se!
Carlos Malmoro

O Génio de Gaudí II...

...ou de como todas as catedrais deviam ser...

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Carlos Malmoro

14 março 2005

O Génio de Gaudí...

...ou de como todos os parques deveriam ser...

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Carlos Malmoro

13 março 2005

Portugal Viciado

Esta notícia do jornal Público, baseada num estudo, vem confirmar aquilo que já se suspeitava: Portugal é um país de vícios.
Temos o vício do álcool que afecta quase dez por cento da população e o vício do tabaco que afecta muitos mais; temos o vício das drogas que afecta cerca de 2% da população e o vício da tagarelice ao telemóvel - 100% da populção afectada; o vício da net, uma imensa minoria, o vício colateral dos blogs, moi, por exemplo, e o vício das quatro horitas de televisão diárias; o vício de comer, ou melhor de encher o bandulho - muitos - e o vício de não comer - poucos, mas cada vez mais; o vício de trabalhar - raro, muito raro - e o vício da preguiça - toda a populção exceptuando as raridades atrás citadas; o vício do café - muitos - e o vício da leitura - considerados animais em vias de extinção; o vício de dizer mal do Estado, mas estar sempre à espera que ele nos resolva todos os nossos problemas - uma imensa maioria - e o vício de parar o carro quando se vê um acidente na estrada - uma imensa e vasta parte população, etc., etc., etc....
Finalmente, existe o maior dos vícios, aquele a que eu chamaria «o» vício de todos os portugueses, sejam eles racionais ou não: o vício de se ter a mania que se é engraçadinho, que tem a sua melhor e mais cabal prova no texto que acaba de ser escrito.
Carlos Malmoro

08 março 2005

Uma História Sem Palavras

Esta é a foto de capa do livro «Terra» que Sebastião Salgado dedicou ao Movimento dos Sem Terra no Brasil. Este álbum do fotógrafo brasileiro consegue atingir aquilo que poucos artistas sabem fazer: através de imagens, ficamos a conhecer o que é, quem compõe e que fins ambiciona o Movimento dos Sem Terra.
É tão poeta o que pinta um fresco com palavras, como o que conta uma história sem palavras.

Terra-Sebastião Salgado

Carlos Malmoro

07 março 2005

Por Esclarecer

Se o «choque tecnológico» for bem sucedido, como será possível baixar o desemprego? Se o trabalho que hoje é realizado por homens passar a ser efectuado por máquinas, como criar os tais 150 mil postos de trabalho?
Eis a dúvida que será esclarecida brevemente...ou dentro de uns quatro anos.
Carlos Malmoro

04 março 2005

O seu a seu dono

Inadvertidamente, a pintura do post anterior ficou sem «dono» e sem nome...
Chama-se «The Boat Studio» e é de Monet.
Carlos Malmoro

Partida-II

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«Partida»-I

Sobre enormes espaços de luz
naufragava Neruda
Naufragava...
Sobre o vinho e o mel dos segredos
Sobre a órbita do coração do povo!
Parte da ida
As imagens lúcidas tornam-se estímulos para a partida
Percorrem todo o corpo beijando a nossa água.
Percorrem todo o nosso ciclo em ápice de luva.
No veludo espesso
da ruga na solidão.
Cada um. Ou quase, tem um gémeo preso
nas teias do encontro
Ama a vida do cais. Parte em muitos barcos. E sente
música nos passageiros mudando
O sono invade a paisagem desfeita de dia
Sinto a noite e é dia
O coral assombra porque é claro.
Isso não que as cores serem ausência mesmo cores.
Trapos coloridos que não se vêm. Só o preto e branco
da instabilidade
Fulcro mecânico do cinzento jorrando o óleo
- E a falta A FALTA DO COMEÇO DO POEMA E A PARTIDA
O avanço infantil da Partida.
A inconsciência hipnotizada da partida
O choro certo de alegria na Partida
A falta de adeua certíssimo na Partida
a Partida
a partida...
a Parti...
a Par..
a P...
A ...
...
Onde estão os tempos
em que tudo era simples
por não ser nacessário outra coisa
senão um abrigo frágil de luar?
Onde estão os violinos dentro das gotas
As montanhas ainda sem cimento corpos e confusão?
Onde estão os amigos de infância
que olhavam o Tejo
das gaivotas e rostos sadios?
Onde estão nesta tempestade?
Quem perdeu as asas dentro da cidade?
Que espíritos são estes adormecidos em tédio,
que despem todos os dias a pele nas ruas
e trazem nos olhos a dureza
da morte adiada?
Quem bebeu a última vaga de esperança
e ficou com a apatia na fundo
das veias a ser naufrágio?
Onde estão os animais que lambiam
as mãos das crianças?
Onde estão as aves
que viram no tempo claro
a última sensação de alegria?
Quem sabe da última folha beijada
pelo potro na planície?
Onde estão os caminhos desta cascata congelada?
Outono de maré cheia
Gravidez esquecida
de muitos silêncios num só corpo
Voo até ao infinito
desta necessidade de fuga como um raio
que nada toca pela ausência
Arvore esquecida no pântano
perto de um piano de cristal em melodia

Mundo autêntico que existe
além deste fastio de horas
sem nexo!

Eduardo Nascimento «Pedaços do meu Tempo»

03 março 2005

Um pequeno passo

Segundo um estudo divulgado pelo jornal «Público», uma em cada três adolescentes sexualmente activas já tomou a pílula do dia seguinte.
Só gostava de saber o que fariam estas adolescentes caso não existisse a possibilidade de recorrerem ao método da contracepção oral de emergência. Das duas uma: ou deixavam a gravidez prosseguir e tinham o seu futuro enquanto Mulheres - e não donas de casa com a função primordial de procriar e satisfazer o marido - completamente aruinado, ou então fariam um aborto, sem as mínimas condições de segurança de para a sua saúde e, com sorte, ainda eram julgadas criminalmente...
A introdução da pílula do dia seguinte foi um pequeno passo para a sociedade portuguesa começar a aceitar que uma mulher não é uma máquina parideira: é um ser humano com o dom supremo de dar vida a uma nova vida. Conscientemente!
Carlos Malmoro

Um Outro «Se Isto é Um Homem»

O livro apresentado não necesitava de nada mais do que a sua foto de capa para nos revelar que o seu título era «Sem Destino». Um livro que é um dos mais poderosos a retratar um campo de concentração nazi. O seu autor, o Prémio Nobel Imre Kertész, foi um sobrevivente desses campos. Uma vez mais: apenas quem passou pelo Inferno pode ter veleidades a descrevê-lo com o mínimo de fidelidade.
Carlos Malmoro
Posted by Hello

Um Mediterrâneo Queima-se com o Frio...

...e este frio que queima...

Carlos Malmoro
Posted by Hello

28 fevereiro 2005

Um outro Beijo....

Se a escultura de Rodin «O Beijo» representa uma pausa para a alma, este «Beijo» de Klimt representa uma caminhada de confiança...
Gustav Klimt - The Kiss
Carlos Malmoro
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O PSD

Para que o PSD volte a ser um partido digno da confiança dos portugeses, penso que três coisas devem mudar: primeiro, um corte radical e absoluto com o populismo santanista, sabendo nós que isso pressupõe que a candidatura de Menezes saia derrotada do Congresso. Depois, um reposicionamento ao centro e deixar de lado a inclinação à direita que a coligação com Portas obrigou, sendo que o exemplo mais prático disto é a questão da Descriminalização da Interrupção Voluntária da Gravidez. E, finalmente, que, de uma vez por todas opte por ir buscar e ouvir as muitas pessoas válidas, competentes e com vontade de servir o País - e não o partido - que ainda por lá se encontram e que parece que ninguém naquele partido quer ouvir ou escutar. Porque são essas pessoas que os portugueses ainda têm alguma confiança. E não aquele grupo parlamentar de carreiristas políticos, que Vasco Pulido Valente tão bem nomeeou de incapaz para proceder à «regeneração política do PSD».
Basta lembrar-nos que no Parlamento, no grupo parlamentar do PSD, vai estar um senhor chamado Nuno da Câmara Pereira.
Carlos Malmoro

26 fevereiro 2005

Como ganhar eleições

Luís Filipe Menezes desafiou Marques Mendes a concorrer a uma câmara municipal em Outubro próximo, como forma de provar que, como ele, também Marques Mendes «sabia como se ganhavam eleições». Este desafio ao seu colega de partido é perfeitamente rídiculo. Foi este raciocínio que Santana Lopes teve: se eu ganho a Figueira e Lisboa, também consigo ganhar o País. Foi o que se viu.
Mas eu não estou aqui para tirar os sonhos a ninguém...por mais irrealistas que estes o sejam.
Carlos Malmoro

Pausa para Alma

No meio de guerras e de fomes, de misérias várias e de dores que parecem intermináveis, de invejas reles e mesquenhices obscenas que este mundo parece interessado em provar-nos à saciedade que são as únicas realidades que tem para nos oferecer, o maior consolo da vida ainda é pressentirmos que existem pausas para a alma... Como quando se dá um beijo.

O Beijo - Rodin
Carlos Malmoro
Posted by Hello

25 fevereiro 2005

A Razão de Torga

É apenas uma foto que dá razão a Miguel Torga quando escreveu que, em Portugal, só existem duas coisas realmente grandiosas: Trás-os-Montes e o Alentejo(cito de cor). A única coisa que posso fazer é aconselhar-vos a dar uma volta por lá e a ficarem esmagados com a imponência da paisagem. Como eu fiquei...

Parque Natural do Alvão - Vila Real
Carlos Malmoro
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Preparar Terreno

A subida de preço do «Diário de Notícias» de 0,65€ no final do ano para 0,75€, e há cerca de dois dias para 0,80€, é a melhor demonstração que a PT está a preparar o terreno para vender a Lusomundo Media.
O mais preocupante disto é que a melhor proposta continua a ser a da Controlinveste, com uma oferta de 300 milhões de euros. Esta empresa é controlada pela Olivedesportos, dos «manos Oliveira», que tem como coroa de glória na comunicação social o jornal «O Jogo».
Acho que não é preciso dizer mais nada do que: pobre «Diário de Notícias»...
Carlos Malmoro

Mudança de «Tempos»

... ameaçadores, estes céus...

Van Gogh - Wheat Field Under treatening skies

Carlos Malmoro
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A Paixão

Luís Delgado, já todos nós o sabíamos, é completamente obcecado por George W. Bush. Mas agora parece que o caso evoluiu para uma paixão. O homem até consegue ver charme, seja ele diplomático ou de outra espécie, num homem daqueles... Só estabeleço uma comparação para justificar aquele texto, em especial o primeiro e o último parágrafo: o Bush é o Tarzan e ele é a Jane. Só com um imaginário infantil como sustentação, se pode ter a microscópica esperança de admitir que se compreende aquela paixão..
Carlos Malmoro

21 fevereiro 2005

As eleições...

serviram para que cada partido recebesse 2,70€ por voto. E de momento não me recordo de nada mais para que elas servissem.
Carlos Malmoro

08 fevereiro 2005

Indecência

A propósito do acidente que vitimou sete portugueses em Espanha, perguntou uma «jornalista» televisiva a um familiar das vítimas: «Como recebeu a notícia?»
Carlos Malmoro

06 fevereiro 2005

O Vazio

Miguel Sousa Tavares disse no comentário que fez do debate entre Pedro Santana Lopes e José Sócrates no Público, que, e cito de cor, aquele modelo não funcionou porque era demasiado rígido, deixando pouco espaço de intervenção aos debatentes e aos jornalistas. Ou seja, MST acaba por se ressentir da única reforma feita nestes últimos anos: neste modelo, os jornalistas não se podem assumir como protagonistas, mas sim, e esse é o seu papel numa entrevista, a profissionais que estão ali para fazer as perguntas e deixar os entrevistados responder-lhes. Com tempo e sem peixaradas à la Manuela Moura Guedes.
Por outro lado, penso que ele estará a fazer confusão entre forma e conteúdo: se existisse um modelo perfeito de debate, deixaria de o ser no momento que fosse posto à prova por aqueles dois senhores. Um debate serve para debater ideias, e quando elas não existem, não há formato que o salve.
Carlos Malmoro

04 fevereiro 2005

O debate

O debate de ontem entre Sócrates e Santana clarificou-me uma única coisa: é mesmo um daqueles dois senhores que vai ser Primeiro-ministro de Portugal. É que ainda havia uma réstia de esperança que irrompesse pelo estúdio dentro alguém a dizer coisas com nexo, a fazer propostas sérias, a afirmar uma coisa e objectivamente fazê-la, alguém que tivesse o pensamento estruturado por ele próprio e não pelos departamentos de marketing de campanha dos partidos, enfim, uma pessoa mais real e menos plástica.
Quem ganhou o debate: Santana e Sócrates. Quem perdeu: os portugueses.
Carlos Malmoro

30 setembro 2004

A ameaça

Depois da trapalhada informática que foi a colocação dos professores, a sugestão do governo querer implantar o «e-governement» não é uma promessa: é uma ameça.
Carlos Malmoro

O «Barco do Aborto»

A ideia da associação «Women on Waves» de fazerem passar a sua mensagem através de um «barco do aborto» é tão demagógica como a criminalizacão da prática abortiva pelas mulheres portuguesas é hipócrita: ambos não resolvem o verdadeiro problema. Só o mascaram.
Carlos Malmoro

02 setembro 2004

O sol e a chuva de Agosto

Se faz sol, os incêndios arrasam com a floresta portuguesa; se chove, os acidentes mostram de novo a guerra civil na estradas...Portugal necessitava de um toldo ou de uma cobertura, depois faziam-se umas lojas e grande nação conseguiria ter o que sempre desejou: não estar condicionado pelas condições climatéricas e, ao mesmo tempo e mais importante de tudo, transformava-se no delírio onírico de muitos: num gigantesco centro comercial, ou utilizando linguagem técnica, num gigantesco shopping.
Carlos Malmoro

03 agosto 2004

Da teoria à prática

A União de Livreiros e Editores está a impulsionar um abaixo-assinado, que já conta com mais de dez mil assinaturas, para que o IVA não seja aplicado aos livros (neste momento é de 5%).
Esta iniciativa tinha um certo valor lógico se produtos alimentares e de higiene não pagassem IVA. Mas é que, em Portugal, infelizmente, os primeiros, quando não estão isentos, pagam 5% e 12% e os segundos chegam aos 19%.
Sem demagogias: a verdade é que num país que tem mais de dois milhões de pobres, segundo dados da ONU, e em que existem 200 mil concidadãos que apenas têm posses para comer uma refeição por dia, não é muito difícil de perceber que, se existem produtos onde o IVA deve descer ou mesmo desaparecer, são nestes bens de primeira necessidade. Com o prejuízo daqueles que, como eu, ganhariam mais em que os livros ficassem isentos de IVA. Mas a isto é que se chama ter um mínimo de consciência cívica: não é só fazer belos discursos sobre a pobreza e a solidariedade e coesão sociais, para depois organizar abaixo-assinados em que, mais do que a defesa de um bem cultural, o objectivo é fortalecer a reivindicação de um lobby junto do poder político…
Carlos Malmoro

29 julho 2004

No comment

«O tráfico humano é a terceira actividade criminosa mais lucrativa, a seguir ao narcotráfico e ao tráfico de armas.» Relatório da ONG «Shared Hope International»
No Comment
Carlos Malmoro




Guia Prático do Terrorista

 Segunda-feira, 7 de Junho de 2004, 18:00 horas: no cruzamento das avenidas Rosedale e Randall estava, posta de pé, uma bomba de aviação com um metro e vinte de altura. As autoridades ainda não conseguiram compreender como se conseguiu colocar, em pleno dia, uma bomba com tal dimensão e com quase uma tonelada de peso, num cruzamento de duas avenidas tão movimentadas como são aquelas.
Sexta-Feira, 11 de Junho de 2004, 17:30: no terminal ferroviário de Long Island, Darius McCollum foi preso quando se apoderava de um comboio. Estava vestido com uniforme oficial da Autoridade Metropolitana dos Transportes de Nova Iorque (MTA) e tinha em seu poder as chaves mestras que dão acesso a todas as composições e caixas de controlo. Darius tinha saído há apenas dois meses da cadeia, após ter já sido detido outras vinte vezes por acções semelhantes – roubo de comboios, autocarros e composições de metropolitano. Este indivíduo sofre do síndroma de Asperger, uma doença neurológica com ligações ao autismo que leva o paciente a ter obsessão por desenvolver determinadas rotinas.
Estas duas histórias, por mais inverosímeis que possam parecer, são verdadeiras. Elas revelam de uma forma sintomática que não é com guerras preventivas que se combate o terrorismo, mas antes com uma política de segurança interna e de informações capazes de travar estas pequenas brincadeiras que, antes de mais, servem de estímulo a quem realmente queira causar danos e derramar sangue inocente. É que esta cidade, que mais que nenhuma outra deveria ter aprendido a lição da segurança, mostrou uma vulnerabilidade igual ou maior do que aquela que padecia em 11 de Setembro de 2001.
P.S: Pela improbabilidade que estas histórias parecem ter, convido-os a conferir no New York Post de 8 de Junho de 2004 e de 12 de Junho de 2004 a veracidade delas. Com uma simples consulta na net conseguem-no, e irão ficar boquiabertos, principalmente quando repararem na fotografia da bomba que está colocada no meio do cruzamento e que, segundo o jornal, não estava desactivada…
Carlos Malmoro

A coerência, a consoância & a consistência do pensamento do político português

«Como pode um Presidente eleito pela esquerda (…) arvorar-se agora um guardião activo do programa neoliberal de José Manuel Durão Barroso?» Freitas do Amaral, Visão.
Se bem me lembro, este foi o senhor que na campanha para as últimas legislativas apoiou Durão Barroso pelo seu projecto de dimensão social…
«Odeio o unilateralismo e a arrogância dos E.U.A.» Durão Barroso discursando no Parlamento Europeu antes de ser eleito Presidente da Comissão Europeia.
Se bem me lembro o antigo Primeiro-Ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso, chamaria, sem apelo nem agravo, anti americano primário e radical a este José Manuel Barroso, Presidente Indigitado da Comissão Europeia.
«Não tenho motivação para entrar nessa corrida e penso que é preciso gente mais jovem na liderança do PS. Se quisesse ser secretário-geral do PS, teria avançado há 20 anos.» Manuel Alegre, em entrevista ao Público, cinco dias antes de anunciar a sua candidatura ao lugar de Secretário-Geral do PS.
Se bem me lembro, eu nunca consegui arranjar motivação para nada que não pretendesse fazer em cinco dias…e o pensamento deste político–poeta ou poeta-político, como queiram chamá-lo em relação ao rejuvenescimento do PS é, digamos, volátil, bastante volátil…
«Não sou candidato à Presidência da Comissão Europeia.» Durão Barroso, quatro dias antes de pedir uma audiência ao Presidente da República para apresentar a sua demissão de Primeiro-ministro de Portugal
Bem já me começam a faltar os comentários para tanta reviravolta de opinião em tão pouco espaço de tempo, mas os adjectivos para classificar este discurso político são muitos: falso, hipócrita, insidioso, apócrifo, fingido, leviano, demagógico, …
Carlos Malmoro