Comunicado da Gerência
Carlos Malmoro
Pertenço a um género de portugueses / Que depois de estar a Índia descoberta / Ficaram sem trabalho. Opiário - Álvaro de Campos carlos.malmoro@gmail.com
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They think they know who I am...
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1) MAIS LEITORES:
«Quando a rubrica «Gosto Não Gosto» começou no DNA, houve logo leitores que se apressaram a tomar conta da ideia e transformaram as suas opiniões sobre este suplemento em listas de amores e desamores. Gostámos da «apropriação» e publicámos quase todas que nos chegaram. Depois a secção entrou na rotina do costume, e deixaram de chegar esses manifestos que nos fazem pensar e nos obrigam tantas vezes a mudar. Agora, repentinamente, eis de volta à caixa do correio cartas sob a forma de «Gosto Não Gosto». O editor dispensa a sua carta para mais uma destas formas de estar connosco, mesmo quando se critica e lamenta…Aí está, então, o que vai na alma de Carlos (…), de Ponte de Lima:»
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Silfos ou gnomos tocam?...
Roçam nos pinheirais
Sombras e bafos leves
De ritmos musicais.
Ondulam como em voltas
De estradas não sei onde
Ou como alguém que entre árvores
Ora se mostra ora se esconde.
Forma longínqua e incerta
Do que eu nunca terei...
Mal ouço e quase choro.
Por que choro não sei.
Tão ténue melodia
Que mal sei se ela existe
Ou se é só o crepúsculo,
Os pinhais e eu estar triste.
Mas cessa, como uma brisa
Esquece a forma aos seus ais;
E agora não há mais música
Do que a dos pinheirais.
Fernando Pessoa
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No início existia o Criacionismo que advogava que Deus era o criador do mundo. Depois foi a vez do Evolucionismo, defendido por Darwin no seu tratado «A Evolução das Espécies», um título que só por si já diz tudo, tal e qual o «Snakes on a Plane». Muito se escreveu, debateu e lutou pela apologia quer de uma quer de outra tese. Há porém uma outra teoria, muito pouco divulgada, e pela qual eu desde já me constituo como fiel adepto e defensor: o Simismo, aclarado por Clarice Lispector nessa esplêndida abertura do romance que dá pelo nome de «A Hora da Estrela»:
«Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. (...)»
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O que se pretende ver:

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Neste momento, não sou ninguém. Assim dita o prazo de validade do Bilhete de Identidade. Não pertenço a nenhum país, não nasci em nenhuma cidade, não tenho nome, altura ou idade. Não tenho pais, residência, estado civil ou assinatura. Melhor de tudo: não tenho número identificativo. Sou, portanto, um selvagem. E não é que estou a gostar?
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Há um mês fechou a maternidade de Barcelos. Há um ano foi inaugurado um novo estádio do Gil Vicente, comparticipado em 35% por dinheiros públicos. Se ambos dão prejuízo, penso que seria de bom senso manter aquela valência que garantia uma saúde pública de proximidade. Assim não decidiram as pessoas inteligentes. Concedo que se possa chamar ao raciocínio acima descrito de maniqueísta, no limite, de intelectualmente desonesto. A quem tenha veleidades de o fazer, desde já o convido a visitar as infra-estruturas desportivas destinadas ao desporto escolar, onde reina a ferrugem, onde as balizas ainda não foram fixadas ao chão, tornando-as em potenciais assassinas (recordam-se?), e onde os pavilhões multi-usos carecem de tanta atenção como o ego do Presidente do Gil Vicente. Carlos Malmoro |
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Um perfume com aroma a terra molhada.
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grande letra:
Fosse ciganos a levantar poeira
A misturar nas patas
Terras de outras terras, ares de outras matas
Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
Na mão direita o fado
Jogando sementes nos campos da mente
E se falasses magia, sonho e fantasia
E se falasses encanto, quebranto e condão
Não te enganarias, não te enganarias
Não te enganarias, não!
Fosse ciganos a levantar poeira
A misturar nas patas
Terras de outras terras, ares de outras matas
Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
Na mão direita o fado
Jogando sementes nos campos da mente
E se falasses magia, sonho e fantasia
E se falasses encanto, quebranto e condão
Feitiço, transe, viagem, alucinação
Bandoleiro
Ney Matogrosso
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...no Médio Oriente:
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Hoje, Sepultura; amanhã, D. Giovanni. Aceitas?
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Where do I take this pain of mine?
I run, but it stays right by my side
So tear me open, pour me out
There's things inside that scream and shout
And the pain still hates me
So hold me until it sleeps
Just like the curse, just like the stray
You feed it once and now it stays
Now it stays
(...)
So tell me why you've chosen me
Don't want your grip,
don't want your greed
Don't want it
I'll tear me open, make you gone
No more can you hurt anyone
And the fear still shakes me
So hold me until it sleeps
(...)
James Hetfield - Metallica - Until It Sleeps
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A vida dele, de tão des-interessante, dava um blogue.
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No meu primeiro texto de inglês, a professora pediu-me uma composição em que dissesse três coisas que gostaria de ser «quando fosse grande».As minhas respostas foram:
I pretend to be a guitar player;
I pretend to be a football player;
I pretend to be a computer engineer.
Na altura, eu pensava que «pretend» significava «pretendo», – o menino Carlitos já sabia que toda a turma ia responder «Eu quero…», e ele fazia questão em sair-se com uns brilharetes. Ora, como muito bem sabemos, «To Pretend» significa «Fingir». A professora deu-me um 10, pela composição estar bem escrita, mas que não me podia dar mais nota por causa desse lapso.
Hoje, se a encontrasse, pedia revisão de nota: é que, para mal de quem já me ouviu a tocar guitarra, de quem já me viu jogar futebol ou de quem já colocou os respectivos computadores nas minhas mãos, eu já fui/fingi ser tudo aquilo que escrevi.
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«- Que inscrição quer que coloque na sua sepultura?
- Por favor, não pise a relva.»
In Livro do Humor Negro
Carlos Malmoro
PS: Cinquenta post's depois, terminaram as Perspectivas. Começam os «Modos de Vida». Que também são perspectivas, mas mais perenes.
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Há cada vez mais romances a assemelharem-se a extensas notícias de jornal.
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My blog is worth $0.00.
How much is your blog worth?
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Eu sei e sinto que a família gosta de mim, e que me conforta e que está sempre presente. Eu sei e sinto que P. deseja-me, e que me leva onde nenhuma outra pessoa me consegue levar, e que me bebe as palavras e os sentidos. Eu sei e sinto que os meus amigos me compreendem na minha imperfeição, e que estão completamente disponíveis para aquele desabafo, e que me fazem rir com um simples olhar. Eu sei que sei e sinto tudo isto, e sei que tudo isto é o melhor que tenho na vida. Então, porquê esta vontade de mudar?
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com um obrigado a N. pelo mail
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«Deixem ver o Portugal que não deixam ver!» (Álvaro de Campos)
Começa a faltar a paciência para tanto negativismo e bota-abaixo. Não penso que tenhamos um país exemplar, mas também é leviano afirmar que os portugueses são, na sua maioria, estereótipos de concorrentes de reality-shows, imagens reflectidas dos intervenientes em telenovelas ou protótipos de personagens contidas nos jornais tablóides, como teimam afirmar muitos cronistas da nossa praça, num massacre quotidiano à nossa auto-estima. Se assim fosse, que dizer dos holandeses que inventaram o conceito de reality-show – vulgo, tele-esgoto –, dos norte-americanos que são espectadores do Jerry Springer ou do Howard Stern?, dos ingleses que consomem diariamente três milhões e meio de exemplares do jornalismo de sarjeta do The Sun, enquanto os jornais de referência da Velha Albion raramente superam o milhão de cópias vendidas?
A maioria dos portugueses, por aquilo que deles conheço, apenas deseja viver os seus dias tranquilamente, amar a família e os amigos, realizar as tarefas do dia-a-dia, não perder a esperança, acreditar no sonho, …enfim, viver uma vida com horizontes abertos. Sei que também existem os outros. Porém, penso ser de uma injustiça gritante meter tudo no mesmo saco.
Sonho com o dia em que os cronistas da nossa praça, quando deduzem que algum português famoso actuou de forma menos correcta, não generalizem imediatamente ao resto da população. E muito menos com as já gastas expressões "chapa cinco": «é o típico português», «é o país que temos» ou «é isto que somos». Mas sei que os caracteres disponibilizados pelas redacções são sempre escassos e, convenhamos, no país da 'apagada e vil tristeza' dizer mal ocupa sempre menos espaço do que dizer bem: recorre-se ao Eça ou à supramencionada citação de Camões e está feita a defesa do arrazoado.
Carlos Malmoro
PS: Este post de índole positiva não está em nada relacionado com quaisquer veleidades da equipa portuguesa no Mundial - já estava em «rascunho» há três semanas.
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...de navegar na web. Dizem eles. Descubra novos problemas em navegar na web. Digo eu.
Foto retirada daqui. Um outro queixoso.
Carlos Malmoro
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«O braço que falta ao mendigo é aquele que o sustenta.»
Manuel António Pina
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