18 dezembro 2003

A BOA COMUNICAÇÃO - SILOGISMO

Os militares da GNR - BT acusados de corrupção e favorecimentos a certos empresários algarvios, e que estão a ser julgados no tribunal de Albufeira, realizaram setenta e sete mil chamadas, em três meses, para combinarem os esquemas com os seus corruptores.
Tomando por base esta premissa, e sabendo nós que o Governo Português está com dificuldades de comunicação com os portugueses ( segundo os mais variados, insuspeitos e prestigiados comentadores), venho por este meio propôr ao Governo Português para pôr os olhos naquelas máquinas comunicacionais que são os os citados agentes da Brigada de Trânsito, e tranferir todos os gabinetes de Relações Públicas para as mãos daqueles bravos homens, que tanto dinheiro deram ao Estado nos impostos que pagavam sobre a miríade de telefonemas que efectuavam.
Carlos Malmoro

Hipocrisia

Os melhores - e mais bem pagos - jogadores de futebol do mundo realizam amiúde jogos de futebol com as receitas a reverterem para o combate à fome e à miséria. Mas são esses mesmos jogadores que sempre que têm de negociar os seus contratos, impõe cláusulas onde os seus milionários prémios de jogo têm de ficar isentos de impostos, acabando assim por fazer as pessoas mais desfavorecidas da sociedade pagarem mais impostos. É a chamada hipocrisia desportiva.
Carlos Malmoro

03 dezembro 2003

Proporcionalidade Inversa

A cantora, ex – Spice Girl, Victoria Beckham, mulher do jogador do Real do Madrid com o mesmo nome, deu uma entrevista à BBC, onde revelou que está a aprender espanhol. Solicitada pelo entrevistador a dizer uma ou duas frases em espanhol que já tivesse aprendido, ela respondeu que, por enquanto, ainda só sabia dizer duas frases: «Onde fica a Gucci?» e «Tem um Bentley?». Chama-se a isto proporcionalidade inversa: quanto mais fama se tem, menos inteligência; quanto mais dinheiro, menos cultura; quanto menos necessidades, mais estupidez e quanto menos contacto com a realidade quotidiana, mais imbecilidade.
Carlos Malmoro

O maior, e Mais Caro, Pão do Mundo -

Viseu entrou para o Guiness com o maior pão do mundo – 402,5 metros de comprimento, pesando mais de quatro toneladas.
Deixo aqui uma proposta aos senhores de Viseu que vão registar o recorde: por que não registar também o maior aumento de pão do mundo, em relação à inflação prevista: 35% de aumento, para uma inflação prevista de 2,5%; uma diferença de 1400%!!! (leram bem, mil e quatrocentos por cento!!!!!)
Carlos Malmoro

Justiça Injusta

A ministra da Justiça doou equipamentos de vídeo-conferência e videotelefone aos tribunais de Cabo Verde. Na ocasião, afirmou que «Uma Justiça só é justa se for rápida.» Das duas uma: ou os cabo-verdianos vão passar a dispor da «celeridade» da Justiça Portuguesa, ou então, e isto é o que penso, a Justiça em Portugal é injusta, pelas razões que a própria ministra advogou.
Carlos Malmoro

Sacred Love

No videoclip de Sting, Sacred Love, as pessoas que caminham pelas ruas da cidade, em direcção aos seus empregos, vão com os rostos graves e fechados. Imprevisivelmente, uma criança sai-lhes ao caminho e abraça-as. Surpreendidas, as pessoas se num primeiro momento estranham, depois deixam envolver-se e retribuem o abraço. O que depois acontece é que as pessoas começam a abraçar-se umas às outras.
Esta ideia, embora aprazível, padece de duas pechas: a primeira, é que este tema já tinha sido desenvolvido no vídeo dos R.E.M, Everybody Hurts, mas de uma outra perspectiva: o que acontecia é que as pessoas começavam a abandonar os carros cansadas que estavam de esperar num gigantesco engarrafamento, que poderia acontecer em qualquer das nossas grandes cidades. A outra, e a mais importante, é que somos demasiadamente egoístas para partilhar um bom momento. De facto, se semelhante encontro acontecesse com qualquer um de nós, tenderíamos a guardá-lo como uma boa recordação que nos sucedeu num dia cheio de stress, e continuaríamos o nosso caminho, ainda com mais preocupações, visto que o abraço do miúdo nos tinha atrasado.
Carlos Malmoro

20 novembro 2003

O imperscrutável peso da vida

“Húmus”, de Raúl Brandão é, antes de mais, um romance completo. Afirmo-o com a convicção de quem leu um romance de amplitudes incomensuráveis, em que, por exemplo, existe uma personagem com tanta ternura e inocência, Joana, que várias vezes acercou-se do meu pensamento a “Joaninha dos olhos verdes” das “Viagens...”, de Almeida Garrett., mas em concomitância fatídica com as angústias existenciais do Homem - Deus, a Vida, a Morte, o Bem, o Mal - bem como, com toda a incompreensão para com os absurdos endógenos à sua existência.

Um livro que se inicia com esta frase: «Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste.», e termina com este apelo: «É preciso matar segunda vez os mortos.», nunca seria, por certo, um livro despiciendo . Porém, raras ou nenhumas vezes, no século passado, um livro conseguiu ser tão inovador no conteúdo, tão revolucionário nas formas narrativas e tão inventivo estética, estilística e metaforicamente como este “Húmus” o foi na época em que foi lançado (1917).

Com uma estrutura diarística, o romance tem como espaço uma vila, condensada em meia dúzia de personagens de carácteres esbatidos, que decadentemente aceitam os preceitos estabelecidos, mas que se transfiguram noutras personagens, através da introdução da técnica narrativa do jogo de espelhos. O tempo narrativo é entrecortado por «viagens» pela alma humana, primordialmente nos capítulos apelidados de «Os Papéis do Gabiru» - tendo em linha de conta que “Gabiru” não é mais que um alter-ego do Autor. Não existe linearidade narrativa, mas sim a descontinuidade, sendo este um dos pontos que iria revolucionar estilisticamente o romance moderno, assim como as temáticas de índole existencial que preenchem o romance tornam-no em percursor do Existencialismo (passe o leve anacronismo, pois, segundo as Convenções, o Existencialismo só foi fundado por Sartre, com “A Náusea”, e este livro só foi publicado em 1938).
O ponto forte do livro, se bem que não existam pontos realmente fracos, é a simplicidade genial e mesmo aterradora com que Raúl Brandão desnuda a alma humana: «Pior que sofrer – é não sofrer – para sempre. É nunca mais sentir (...) é o silêncio absoluto». Depois: «Para ele tanto vale um segundo como um século...Que outra coisa fizeste senão esperar a morte?», «Ver para não ver, ouvir para não ouvir, viver para morrer». Mais, e acerca das personagens de fachada da vila: «O que lhes custa mais perder não é a vida, são os hábitos(...), a outra existência falsa acabou por os dominar».

Ao longo de todo o texto, o autor revela-nos, de modo singular, a precariedade da nossa existência: «Se a vida é um momento entre o nada e o nada, o que vale a pena é aproveitá-lo», «O problema capital da vida é a morte», «A vida gera morte – a morte gera vida» ou «Nunca o acaso viu nada tão monstruoso e tão grotesco como a isto que se chama vida». Do mesmo modo, o livro problematiza as temáticas metafísicas nos moldes que penso que elas devem ser colocadas: a existência – ou não existência - de Deus nas nossas consciências tolda-nos os actos: «Se Deus não existe não há força que me detenha. Não há palavras, nem regras, nem leis. Tudo é permitido», «Se Deus existe, eu sou um homem – Se Deus não existe eu sou em homem completamente diferente». Continuando ainda nestas questões intrínsecas da existência, Raúl Brandão sublinha também a dimensão volátil da alma: «A alma (...) é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluído envolve a matéria.», para, no seguimento lógico, concluir: «O amor não é senão a impregnação desses fluídos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível.» Ou seja, a alma é uma campo de forças que ora atrai as outras almas, e nesse caso emana amor, ou rejeita essas mesmas almas, e nesse outro caso, desperta ódios.

O livro é todo ele um tratado exemplarmente bem conseguido: a matiz decadente da Vila, que se confunde com a Vida: «A Vila é um simulacro. Melhor: a Vida é um simulacro», «...aqui se enterram os sonhos», o murmúrio perene das personagens fantasmagóricas: «O nada à espera...», «- A Religião sem Inferno está perdida», «O mundo é feito de dor – a Vida é feita de ternura», «O que eu sinto é não haver dor eterna (...) o Inferno em lugar do Nada»; e, principalmente, a inenarrável falibilidade do Indivíduo: «Eu sou um desconhecido para mim mesmo.», «Ninguém quer achar-se frente a frente com o seu próprio fantasma,...», «Não me compreendo nem compreendo os outros...», «Cada vez fujo mais de olhar para dentro de mim mesmo. «É só sonho, é sonho estreme e dor estreme», «Eu sou os mortos...»; mas onde também existe lugar para a esperança, para os matizes oníricos e feéricos: «Mas o Inverno é sonho (...) sob esta casca ressequida está uma Primavera intacta.», Ser só e livre e encontrar-me..., que alegria frenética.», «O único mundo real é o mundo irreal.», «O sonho completo é o Universo realizado», «A vida é muito maior pelo sonho do que pela realidade.»; enfim, todo o livro consubstancia as múltiplas alusões e ilusões que per correm todas as densidades da Existência e do Espírito Humano, num livro que embora escrito em 1917, se mantém actual e actuante, fruto da forma sábia e precoce como foram desenvolvidas as temáticas constantes deste precioso volume.

Em resumo: qualquer romancista existencialista não desdenharia ter chancelado este texto, uma vez que nele, não se utilizam as fórmulas mais folclóricas do Existencialismo – e que acabaram por causticá-lo (do género: «....porque eu existo, existo como todas as coisas do céu e da terra, como os animais e as árvores, etc...), mas vai até ao âmago da Existência Humana, numa viagem inclemente, alucinante e perturbadora, porém reveladora, quer da eviternidade da vida enquanto sonho, quer do imperscrutável peso da vida enquanto morte.
O maior elogio que posso fazer a este livro é que fiquei a conhecer-me um pouco melhor.

Autor: Raúl Brandão
Título: Húmus
Género: Romance
Páginas: 222
Classificação 5 / 5
Carlos Malmoro

18 novembro 2003

Sorry...

Durante cerca de três semanas estive à volta com Contabilidades Analíticas, Cálculo Financeiro e Fiscalidade. Como tal, não se proporcionou o regresso às minhas paixões, em detrimento do cumprimento das minhas obrigações...mas isto já está a voltar ao normal, e, consequentemente, começarei a escrever coisas com mais regularidade. De qualquer forma, sorry....
Carlos Malmoro

29 outubro 2003

Up Your Ass

O livro «Harry Potter e a Ordem de Fénix» foi lançado no Panteão Nacional, numa grande festa encenando um ambiente de feitiçaria com fumos azuis e brancos, onde supostamente teria lugar uma aula de bruxaria.
O marketing conseguiu assim, desrespeitar a memória de um sítio onde repousam os restos mortais de Almeida Garrett, de Guerra Junqueiro entre outros, e onde existem cenotáfios (túmulos sem conter os restos mortais) de Vasco da Gama, Camões, Infante D. Henrique, entre outra gente de “somenos” importância para a nossa História e Memória Colectivas.
Nunca utilizei linguagem vernácula neste espaço, mas como o ridículo, a estupidez, a boçalidade e a falta de senso têm limites, e neste caso ultrapassaram tudo o que era admissível nesta campanha de marketing, peço encarecidamente aos promotores, aos organizadores, aos membros da editora que não se aperceberam do disparate e, ainda, a quem autorizou tal surrealismo e entregou as chaves, permitindo assim que tal evento se realizasse naquele local, que peguem nas vassouras voadoras e enfiem-nas pelo cu acima!!
Carlos Malmoro

No Comment<

Segundo um estudo realizado por investigadores franceses, da Direcção de Pesquisa e Estatística, às condições de vida dos idosos, em quatro grandes metrópoles – Paris, Londres, Nova Iorque e Tóquio – uma em cada duas pessoas com mais de 85 anos vive na mais completa solidão.
No Comment.
Carlos Malmoro

24 outubro 2003

Absolutamente enojado

Caminhava na avenida paralela ao Rio Lima, em Ponte de Lima. Eram 13:05. Do rio evanescia uma neblina a anunciar que aquele era, de facto, o 1º dia de Inverno. A neblina não tocava no leito do rio: deixava um interstício ténue de claridade. Era hora do almoço. Nas tasquinhas, nos restaurantes, nas pizzarias, as televisões mostravam as notícias. Numa primeira casa ouvi a voz do Procurador Geral da República. Uns passos á frente, ouvi o Pedro Namora, ando mais um pouco, e ouço a voz de Ferro Rodrigues, depois do advogado de «Bibi», e á medida que caminhava, a voz de João Nabais, depois a do Bastonário dos advogados, depois de António Costa, depois de Adelino Granja e, novamente, Souto Moura... E as declarações estavam repletas das expressões «Casa Pia», «abuso sexual de menores», «pedofilia», «violação do Segredo de Justiça», «escutas ilegais», e dos nomes próprios «Rui Teixeira», «João Guerra», «Carlos Cruz»..., e ainda escutei vozes iluminadas a comentar este pântano, como se fosse possível ver o interior de um manicómio, através dos seus vidros martelados...
Olhei para o Rio Lima, e pensei que bom seria se eu pudesse pegar nas mãos de todos aqueles de quem eu gosto, e conduzi-los àquele mundo de luminosidade, que tem por terra a água do rio e por céu aqueles breves fios de bruma.
Desconsoladamente, sei-o impossível.
Carlos Malmoro

O Poeta

G. W. Bush dedicou um «belo» poema à sua mulher. Reza assim: “ The Roses are red / and the violets are blue.”
Reparem bem na relação tranquila entre sujeito poético e a realidade explorada; reparem bem no «pathos» poético excelentemente conseguido; reparem bem na complexidade da construção fraseológica, na utilização conceptual de figuras de estilo. Se o Presidente dos EUA consegue ter uma verve deste jaez, então o mundo está em boas mãos.
Carlos Malmoro
P.S. Não acreditem numa palavra daquilo que está escrito no segundo parágrafo.

16 outubro 2003

Inconstitucionalissimamente

Chamar Constituição àquele texto alinhavado sob a batuta do «gaulês» é, no mínimo, inconstitucional.
Carlos Malmoro

Dúvida

Se "pecado" é um substantivo do género masculino, por que razão os sete pecados mortais são todos substantivos do género feminino? A natureza feminina é assim tão inexorável, tão fatal, tão mortal?
Carlos Malmoro

09 outubro 2003

Vira-casacas

Nas últimas semanas, 126 deputados brasileiros, 25% do total do Parlamento, mudaram de partido. É uma estratégia que eles usam para poderem concorrer às Eleições Municipais, conforme a tendência do eleitorado duma determinada região, afiançando assim maiores possibilidades de sucesso.
Lá, como cá, como em todo o Mundo: o Poder, para além de corromper, é viciante - é sempre necessário mais e, se possível, de melhor qualidade.
Carlos Malmoro

Uma Brilhante ideia

Está nos escaparates um “livro” que tem a seguinte sinopse: « Stella Madison, subdirectora de Marketing de uma grande empresa, esconde um enorme segredo: a cor dos seus olhos, um azul e outro castanho. Até ao dia em que concebe a brilhante ideia de aproveitar o facto de possuir olhos com cores diferentes para criar uma nova linha de cosmética. E quem melhor do que ela para dar rosto à campanha ?».
O tal livro tem 328 páginas: exactamente 328 páginas sobre a “brilhante” ideia, baseada nos olhos de cor diferente, de utilizar ou não o seu olhar na tal campanha. Para além de se impor a dúvida pertinente se a heroína - ou a autora - nunca teria ouvido falar de lentes de contacto coloridas, uma outra questão se impõe: se a autora considera esta uma trama digna de um livro, ou seja, se isto é o melhor enredo que uma autora consegue arrancar à sua verve, para escrever uma obra de arte? Bem, é que se isto é o melhor, imaginem o “assim-assim” ou o pior. Este livro é daqueles que deveria ser considerado literatura light; chamem-lhe o que quiserem, mas aquilo é tudo, mas tudo, menos literatura - chame-se ela pop ou light ou o raio que os parta. E o mais reles disto tudo é que existe uma editora portuguesa que teve o trabalho de traduzir e colocar no mercado uma vigarice destas, que se denomina por «Não me olhes nos olhos», também ele um título bastante rebuscado, e onde se nota a existência de um autêntico êxtase da imaginação para o encontrar.
Deixo-vos aqui um outro Post sobre as literaturas modernas, perdão, mercantis, que tinha escrito há já algum tempo.
SER OU NÃO SER...
Uma sondagem feita pela livraria Amazon, revela que há mais britânicos que se lembram do enredo do primeiro livro do Harry Potter, 66%, do que aqueles que se recordam da trama de «Hamlet», de Shakespeare, 28%.
A Existência humana está a ficar mais fútil: enquanto há uns séculos a premissa existencial era "Ser ou não ser: eis a questão", hoje, ela é: "Ou ser caixa de óculos e comprar uma vassoura voadora que não voa ou não ser cool: eis o marketing.
Carlos Malmoro

07 outubro 2003

Dia Mundial da Arquitectura

Ontem festejou-se o Dia Mundial da Arquitectura. Infelizmente, também se festejou em Portugal. Digo infelizmente, porque um país que tem arquitectos que passam a vida a projectar mamarrachos que invadem a nossa linha do horizonte, onde edifícios como o prédio Coutinho em Viana do Castelo ou as torres de Ofir conseguiram ter um arquitecto que se disponibilizasse a projectá-los, ou se observa a “excelente” qualidade da Arquitectura Paisagística dos nossos Algarves e das nossas cidades do litoral, não se deveria festejar a Arquitectura, mas antes lamentá-la. É que os Siza Veira’s e os Souto Moura’s deste país são apenas as excepções de génio à Arquitectura de pato-bravo que inunda Portugal que confirmam a regra.
Carlos Malmoro

Pianadas

Num primeiro momento, existiu um filme com o nome «O Piano». Foi aclamado um pouco por todo o mundo. Depois, estreou-se «A Pianista», um filme premiado em Cannes, e também ele um sucesso. No ano passado, o filme «O Pianista», de Roman Polanski arrebatou o Oscar para Melhor Filme. Agora, aqui na nossa vizinha Espanha, um dos best-sellers do momento denomina-se «El Afinador de Pianos».
Será que os autores já esgotaram o seu imaginário musical sobre este instrumento de cordas ou ainda vamos ter que assistir à Première do filme “«O Afinador de Pianos» que Pianou «A Pianista» n’«O Piano» d’«O Pianista»”.
Carlos Malmoro

06 outubro 2003

O Movimento Monárquico

Ontem, dia 5 de Outubro, reuniram-se uma vez mais os monárquicos como forma de reivindicar o regresso da monarquia como sistema organizativo do Estado Português. Para além da aderência maciça dos cidadãos a estes eventos, onde chegam a comparecer 20 pessoas, o mais caricato destas manifestações são aquelas vozinhas de Zés Cabras a entoarem o hino da Maria da Fonte. Defendam lá os vossos ideais, mas não provoquem poluição sonora.
Um pouco mais a sério: uma das principais razões porque eles defendem o regresso da monarquia, é que , segundo eles, não existe maior garante da independência nacional em relação a Espanha que a existência de um Rei de Portugal. Ora, não existe nada de mais errado: como se em visto amiúde por essa Europa fora, as Casas Reais têm por costume cruzarem-se entre elas. Ou seja, possivelmente, daqui a umas gerações, teríamos de aturar um Rei das Casas Reais espanholas, devido aos estragos que um príncipe português poderia fazer na realeza espanhola.
Mais vale que continuemos com um Presidente da República, democraticamente eleito por sufrágio universal, e que, segundo a Constituição Portuguesa, só pode ter como seus progenitores pessoas de cidadania portuguesa.
Carlos Malmoro

02 outubro 2003

Haja Paciência

Os comentadores económicos e os empresários portugueses, quando o Euro vale mais que o Dólar, lamentam-se que a moeda única é um entrave às nossas exportações; quando se verifica o contrário, carpem mágoas que as importações petrolíferas encarecem e, consequentemente, o custo da energia sobe.
Quando existir um único comentador que diga a verdade completa, sem optimismo naif , mas também sem litanias da desgraça, informo-vos. Um só que nos diga que, quando o Euro vale mais que o Dólar, representa uma barreira às nossas exportações, mas também embaratece o custo da energia, pelas razões acima mencionadas, e que quando se verifica contrário dessa preposição, ao mesmo tempo que agrava o custo da energia, dinamiza as exportações para fora da UE. Haja paciência!
Carlos Malmoro

A Mudança de Hora

A mudança de hora, para coincidir com o fuso horário do centro da Europa, não beneficia ninguém: nem empresários, nem empregados, nem estudantes, nem os pais destes, vai provocar o descontrolo do relógio biológico das crianças, crianças estas que, se hoje em dia, já têm de sair para a escola de noite, com a entrada do nova hora, passarão a ir de madrugada, com os compreensíveis estragos no nível de concentração e de apreensão de conhecimentos.
Por que razão existem certas medidas que não beneficiando ninguém insistem em ser adoptadas por governos, quase como masoquismo legislativo?
Por que razão os governos querem fazer-se passar por instituições visionárias que pretendem iluminar estes pobres coitados membros da plebe?
Que manifestem a sua autoridade noutro sítio: não nos embaracem mais as nossas vidinhas; elas já são intrinsecamente complexas.
Carlos Malmoro

01 outubro 2003

Cínzeos comentadores

Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Miguel Sousa Tavares e Manuel Maria Carrilho: a todos escutei na semana passada. No meio de tanto comentário, nem uma ideia nova, nem um prisma diferente de apreciar a actualidade, nem uma análise desviada um milímetro da cartilha do Bloco Central. Os comentários destes senhores deveriam ser transmitidos a preto e branco, para condizer adequadamente com o matiz cinzento das suas crónicas politicamente correctas.
Carlos Malmoro

30 setembro 2003

A Excitação

Os cientistas da BAS (British Antartic Survey) revelaram que o buraco de Ozono sobre o Pólo Sul é de, aproximadamente, 26 milhões de Km2 , cerca de 283 vezes a área de Portugal ou duas vezes a área da Antárctica.
Infelizmente, esta notícia nada tem de singular tão acostumados que estamos a receber novas deste molde. O que já é bastante extraordinário é o facto dos cientistas que procederam a este estudo, em vez de ficarem apreensivos ou mesmo prostrados perante tais indicadores, tiveram a seguinte reacção: «O mais excitante facto deste ano é que o buraco de Ozono está maior do que alguma vez esteve, segundo os registos.»
Bem, pelo andar da carruagem, ainda vamos ouvir falar de cientistas que abrem uma garrafa de champanhe de cada vez que uma espécie se extingue ou que dão uma festa por cada vez que um incêndio destrói umas centenas de milhares de floresta virgem. Será que estes cientistas só se conseguem excitar com estas coisas, que provocam inundações, secas, temperaturas desconformes e, consequentemente, milhares de euros de prejuízos materiais e centenas ou milhares de mortes por acção directa ou indirecta, cancros da pele, desses fenómenos.
Umas mamocas bem feitas ou umas pernas bem torneadas não lhe chegam para lhes inflamar a libido?
Carlos Malmoro

24 setembro 2003

Dia Europeu sem Carros.
Dia Europeu com Demagogia.
Carlos Malmoro

Comentando comentários

«Pretendemos simplificar a Constituição da República Portuguesa e adequá-la à realidade actual» Diogo Feyo (CDS/PP), Diário de Notícias, 17/04/2003
A frase completa seria «...e adequá-la à realidade actual do CDS/PP»; só o politicamente correcto o impediu.

«O [programa] Acontece foi dos menos elitistas dos programas culturais da TV. Parte da Lisboa Cultural continuará visível, mas livrarias de Portalegre, grupos de teatro de Viseu ou poetas de Braga tão cedo não se safam.» António Costa Pinto, Diário de Notícias, 17/09/2003
Sinceramente, e descontando um certo paternalismo parolo, alguma vez se «safaram»?
Carlos Malmoro

Os Autógrafos de Miguel Torga

A Planeta d’ Agostini tem nas bancas uma colecção chamada Biblioteca Miguel Torga. É sempre vantajoso para a cultura portuguesa quando se tomam estas iniciativas, ainda para mais com uma apresentação excelente, o preço de capa acessível (8 Euros) e a justiça implícita que é feita à obra de um escritor que, em minha opinião, perdurará por uns séculos na nossa literatura, fruto da actualidade e acutilância da mesma.
O que eu já não acho nada bem é que, na capa dos referidos livros, esteja inscrito o seu autógrafo, porque, como é do conhecimento de quem leu os seus Diários, o autor recusou-se sempre a autografar os seus livros. Achava que isso adulterava a própria essência do livro; que isso tornava os exemplares do mesmo livro diferentes entre si, quando se procura que eles sejam iguais.
Será que quem dirige esta colecção preocupou-se tanto com a apresentação que negligenciou o conteúdo dos livros que irá publicar?
Carlos Malmoro

No Comment

Portugal é o país da OCDE onde morrem mais crianças vítimas de agressão. O problema afecta 3.7 em cada cem mil, perfazendo um total 323 crianças mortas, no período que o estudo abrangeu. Este número é seis vezes maior do que nos anos 70. Portugal ocupa o 1º lugar desta «lista negra», à frente de países como o México, a Áustria, a Hungria ou a Polónia.
Fonte: Relatório da Unicef para o Estudo da Mortalidade Infantil Provocada por Agressão e Negligência, nos Países da OCDE.
No Comment.
Carlos Malmoro

17 setembro 2003

Comentando Comentários

«Portas é efectivamente o queijo limiano de Barroso...» João Marques dos Santos, Correio da Manhã 16/05/2003
Deve ser por isso que Barroso anda tão esquecido das promessas que fez na campanha eleitoral.
Carlos Malmoro

O Crepúsculo dos Heróis

O advogado João Vieira de Almeida relata, na sua coluna semanal no Diário de Notícias, de 15/11/03, intitulada «Heróis & Aspiradores», uma história no mínimo insólita. Numa dessas visitas de venda ao domicílio de aspiradores que tudo limpam só com o nosso pensamento, uma amiga do supramencionado causídico, não queria acreditar na personagem que tinha diante dos seus olhos, a demonstrar-lhe e a tentar convencê-la das excelência do aparelho: nem mais, nem menos que Carlos Lopes. Justamente esse, o campeão olímpico, detentor do recorde mundial da maratona durante uma década. A senhora teve que confirmar, através de pergunta feita ao próprio. Não a censuro: perante a o surrealismo do episódio, faria exactamente a mesma coisa.
Mas esta história é uma boa metáfora deste nosso país. O homem que em 1984 foi mais rápido, mais forte e mais longe do que o resto do mundo na Maratona, edificando uma marca que só viria a ser batida cerca de dez anos depois, tem de acabar a auferir o seu sustento no porta-a-porta, na venda de electrodomésticos que as lojas consideram de fraca fiabilidade.
Para o homem que recebeu condecorações por feitos desportivos relevantes em favor da sua pátria, não existe uma única porta que se abra para que ele possa desenvolver uma actividade ligada ao desporto que ama: o atletismo (ainda se lembram da triste figura que fizemos nos Campeonatos do Mundo de Paris?);
Para o homem que tanto fez pelo Sporting e por «meter Portugal no mapa», não existe um conjunto de escolas, uma associação de clubes de atletismo que o convidem para falar aos atletas mais novos sobre a necessidade de esforço, dedicação e perseverança que tem de se ter, para se conseguir ser herói por um dia. Exacto, herói, e essa é a diferença entre um herói e um famoso: o primeiro possui o espírito de sacrifício pelo objectivo; o segundo sacrifica o espírito pela fama.
Carlos Malmoro

Missão Impossível

Há cerca de uma semana, semana e meia, revi a «Missão Impossível II», na SIC ou na TVI (não tenho bem a certeza). Única justificação: ver Anthony Hopkins, durante breves momentos, no inicio e no final da fita, transfigurar duas linhas de texto completamente banais em Arte. Foi uma missão impossível realizada.
Carlos Malmoro

O Cromo

Na sequência do golpe militar na Guiné-Bissau, uma das fortes possibilidades de exílio para Kumba Iála é este jardim à beira-mar plantado. A concretizar-se o exílio, Portugal passa a contar nas suas hostes com o Cromo dos cromos, o mais raro dos cromos, enfim, O Cromo, em carne, osso e de barrete.
Carlos Malmoro

Ainda Há Esperança...

O primeiro Flash Mob a ter lugar em Portugal, realizou-se no dia 15/09/03, na cidade de Lisboa. Consistia em examinar o horizonte em busca de algo e, fingindo que se encontrava o que se procurava, exclamar um sonoro e feliz «Yes».
Segundo a Imprensa, o Flash Mob deu lugar a um Flash Flop. É que compareceram a esta iniciativa imbecil três almas penadas. E é nestes pequenas - mas simbólicas - coisas, que vamos sustentando que Portugal não é um país definitivamente perdido para a acefalia colectiva, e que ainda há esperança. YES!!
Carlos Malmoro

16 setembro 2003

DA ESTUPIDEZ E DO RÍDICULO

Os Flash Mobs são uma espécie de manifestação instantânea do nada : a partir de uma convocatória recebida via Internet ou SMS, um grupo de pessoas, totalmente desconhecidas entre si, marcam um encontro num determinado sítio, de uma determinada cidade. Aí, fazem um gesto pre-estabelecido, sem qualquer teor político, cultural ou religioso, para, em seguida, dispersar. O gesto dura breves momentos e é absolutamente desprovido de qualquer sentido lógico, racional ou instintivo (uma vez que é pré-definido). Para melhor entender o espírito da coisa, deixo-vos dois exemplos:
Em Nova Iorque, cerca de cem pessoas reuniram-se junto de uma loja de brinquedos e rosnaram para um dinossauro de borracha que ali se encontrava, dispersando em seguida. Em São Paulo, aproximadamente cem pessoas juntaram-se e atravessaram uma das avenidas mais movimentadas da cidade. O particular dessa travessia foi, durante o percurso, terem retirado os sapatos e baterem com eles no chão. Depois, dispersaram.
Analisando estas manifestações, chega-se facilmente às seguintes ilações: existe uma linha ténue que separa a sublimação da mensagem da inexistência de mensagem; existe ainda uma outra linha ténue, que separa o humor non-sense da imbecilidade absoluta. Finalmente, existe uma linha - igualmente ténue - que separa o ilogismo dos gestos, por forma a reforçar o seu conteúdo, da estupidez de um nível tão baixo e, principalmente, tão ridículo, que se torna difícil aquilatar a essência dos Flash Mobs, pela enormidade de demência cretina que estes manifestos implicam. Os Flash Mobs ultrapassam todas estas linhas por sofrerem de um niilismo absoluto: são iniciativas sem mensagem, são gestos sem justificação e ideias sem conteúdo. E, com base nisto, se demonstra que a Natureza Humana não tem limites para a idiotia e que as nossas cidades andam povoadas de pseudo-intelectuais que nada mais têm mais para fazer na vida do que teorizar onanismos intelectualóides.
Que não haja misericórdia para a estupidez!
Carlos Malmoro

Os Nus de Spencer Tunick

Spencer Tunick, o nova-iorquino que costuma fotografar centenas (ou mesmo milhares) de pessoas em nu integral, nos centros das mais variadas urbes, decidiu-se, neste passado sábado, fazer uma incursão na cidade de Santa Maria da Feira.

No iní­cio, as sessões fotográficas de Tunick desfrutavam de uma carga revolucionária, naquele sentido em que importavam para a arte a celebração do corpo enquanto massa, enquanto população, enquanto um conjunto de paredes sem pintura que interagiam com as peles cínzeas dos edifí­cios citadinos. Até então, a arte apenas tinha descrito, interpretado e meditado sobre o corpo humano nu, enquanto indiví­duo, enquanto ser único e uno, belo na sua exclusividade e distinto na sua singularidade.

Hoje, as sessões de Tunick apenas se assemelham a uma provocaçãozita, uma vez que já perderam o sentido de novidade e do espí­rito de motim moral da arte, para se transformarem em acontecimentos inconsequentes e com um forte travo a linha de montagem. A melhor prova daquilo que acabo de afirmar é a reacção dos moralistas, nas cidades que Tunick visita: já não se indignam; antes ridicularizam as sessões.

Uma das condições que distingue um artista de um charlatão provocador é que o primeiro sabe reconhecer o esgotamento de um tema e, a partir daí, regressar ao ponto de partida para desenvolver uma nova ideia - ou, utilizando a mesma ideia, alterar o conceito subjacente. Spencer Tunick está a uns breves centímetros de cruzar a linha: um artista estagnado não é um artista; é um empregado.
Carlos Malmoro

Comentando Comentários

«Mussolini nunca matou ninguém. Ele mandava as pessoas para férias em locais distantes» Sílvio Berlusconi, Liberátion, Paris, 12/09/03,
Se juntássemos este ao Henry Kissinger, poderíamos começar a fazer um Clube dos Revisionistas da História.
«Se é verdade que George W. Bush finalmente apresentou a conta de quanto vai custar o esforço do Iraque, ainda não fez o suficiente para explicar tudo ao povo americano» Editorial, The New York Times, 14/09/03
Não me admira: ainda está por inventar o primeiro político que explique realmente tudo ao seu povo...
Carlos Malmoro

15 setembro 2003

O "Não" Sueco ao Euro

Se fosse em Portugal, e se a vantagem estivesse do lado dos apologistas do "Não", o assassínio de uma ministra bastante popular que defendesse o "Sim", faria com que a tendência de voto mudasse, dando a vitória aos defensores do "Sim". E porquê? Somos um povo que tem duas características que os suecos não têm:
Primeiro, somos latinos, logo mais emocionais que racionais, e depois, somos um povo que só gosta de reconhecer, e de dar razão, aos pontos de vista dos outros, depois da sua morte. No meio literário, costuma-se dizer, em jeito de brincadeira, que a condição sine qua non para um poeta ter sucesso é estar morto.
No entanto, duas razões contribuiram, a meu ver, para a vitória do "Não": num primeiro momento, a frieza de análise e a cerebralidade nórdicas não se compadecem com a emoção na hora do voto. Mas, a génese de todos os "Não"'s foi a arrogância alemã e francesa que, ao dizerem que só cumpririam o Pacto de Estabilidade lá para 2006, colocaram em xeque toda a disciplina financeira e arruinaram o pressuposto da igualdade de tratamento entre Estados, em que a Europa se alicerçou para se transformar no gigante económico que hoje é.
Como é sabido, os nórdicos são dos povos que a nível mundial mais disciplina exigem nas suas contas internas. E é fácil perceber o "Porquê" do "Não" sueco: estariam os suecos dispostos a fazer poupanças e a apertar o cinto, para os alemães e franceses esbajarem de forma desregrada o superavit do seu orçamento, em reduções de impostos para as empresas e famílias desses dois países? É óbvio que não: a solidariedade económica tem limites.
Carlo Malmoro

12 setembro 2003

Literalmente ...Sem Comentários

Não escrevi nenhum texto no dia 11 de Setembro, porque penso que estão como eu: ontem, como tudo o que era comentador, jornalista, escritor, artista, político, director de uma qualquer Fundação ou Associação, editor, blogger, explanava as suas ideias, elucidava-nos com as suas mensagens e exprimia os seus juízos, estou, neste dia 12, com uma overdose opinativa. Aquilo que eu penso sobre os “11 de Setembro”, Chile e EUA, está reflectido parcialmente nos textos de todos, e de cada um , mas não está avaliado integral e irrepreensivelmente em nenhum deles. Querem saber o que penso? Esperem até passar a overdose.
Carlos Malmoro

10 setembro 2003

O Nobel da Paz Revisionista

Numa entrevista recente ao jornal “La Tercera”, de Santiago do Chile, Henry Kissinger afirmou que o General Pinochet era mais uma vítima dos grupos de esquerda e dos fazedores de opinião do que um ditador sanguinário e déspota, e que «o seu maior pecado é ter derrubado um Governo que estava encaminhado em direcção ao comunismo». Por estas horas, o Comité Nobel estará arrependido de lhe ter atribuído o Nobel da Paz em 2002: nunca imaginaram que lhes sairia ao caminho um Revisionista. Pensando melhor, até não: afinal, estamos a falar de uma agremiação que já distinguiu com esse prémio um cidadão com as mãos cheias de sangue, e a consciência de mortos, de seu nome Arafat.
Carlos Malmoro

A Centenária Cineasta

Leni Riefenstahl morreu. Nunca uma artista despertou tanta conflituidade entre a consciência ética e o sentido estético como ela. De facto, os frescos que “pintou” do corpo humano perfeito são de uma beleza tal, que só se podem comparar ao Horror da ideologia que propagandeavam.
Carlos Malmoro

No Comment

Filha paga cem contos para mandar liquidar a mãe. No Comment
Carlos Malmoro

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«É improvável que os filhos de um déspota não acabem sendo tão tiranos como o seu progenitor. Há escassas excepções, femininas, como as de Svetlana Stalin e Alina Fernández, a filha de Fidel Castro, que ironias da História, acabaram fugindo para os EUA» Editorial, La Vanguardia, Barcelona, 3/08/20003
Ou seja, fugiram de ditaduras políticas para uma ditadura social: a do sucesso.
Carlos Malmoro

«A sesta é, tradicionalmente, uma forma de conservar a energia sob climas quentes. Mas, pode tornar-se num método de governo?» Editorial, Le Monde, Paris, 13/08/2003
Por esta frase, observa-se nitidamente que o Sr. Director do “Le Monde” não visitou Portugal nos últimos vinte anos, nem estudou as suas formas de governação.
Carlos Malmoro

«Um país em que há mais de vinte mil pessoas vezes n interlocutores a serem sistematicamente escutadas é orwelliano» Vasco Graça Moura, Diário de Notícias, 30/07/2003
Se juntarmos às escutas orwellianas, os incêndios de proporções dantescas, a burguesia queirosiana, a burocracia kafkiana e as políticas maquiavélicas, podemos afirmar, por factos abundantemente provados, que Portugal é um país literário.
Carlos Malmoro

08 setembro 2003

Diálogo Surrealista

Domingo, 7/9/2003, depois de um almoço “puxado” em termos de condimentos, peço à empregada do restaurante:
- Por favor, um café e uma água com gás.
A empregada:
- O senhor deseja a água com algum sabor?
Eu sempre julguei que a água era insípida, incolor e inodora. Mas, pelo caminho que isto leva, não faltará muito para termos água com cheiro...ou às cores.
Carlos Malmoro

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«É da natureza do artista sentir-se sempre menosprezado. Sempre. Quando recebe prémios, porque a crítica não o celebra tanto como o júri. Quando é apreciado pelos críticos e não é em igual proporção pelos leitores. E se os seus quadros, livros ou filmes alcançam sucesso, então teme o desprezo da elite que não perdoa o êxito» Vicente Molina Foix, El País, Madrid,15/08/2003
Pois é. Ainda estão por inventar agentes, editores e galeristas que celebrem contratos de gestão de autoconfiança.
Carlos Malmoro

«Como foi possível construir dois estádios de futebol, a poucas centenas de metros de distância, com chorudos subsídios do Estado, sendo que num há uma parte onde só os anões podem festejar os golos e noutro só os cegos podem «ver» o jogo? » Oliveira e Silva, Diário Económico, 13/8/2003
A verdadeira pergunta é: Como foi possível construir nove estádios de futebol, entre Braga e Lisboa, a cerca de quatrocentos Kms de distância entre eles (um estádio por cada 40 Kms) ?
Carlos Malmoro

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«Esta já não é uma guerra entre israelitas e palestinianos(...). As sondagens nos Territórios Palestinianos e em Israel mostram que setenta por cento de ambas as populações são favoráveis ao cessar-fogo, ao Roteiro para a Paz e à coexistência de dois Estados soberanos.» Amos Oz, Corriere Della Sera, Milão, 14/8/2003
O mar bate na rocha e o mexilhão é que...morre.
Carlos Malmoro

«Na sua segunda encarnação como Lara Croft, Angelina Jolie volta a enfiar-se num fato que lhe realça as sinuosas curvas. Infelizmente, o estúdio concluiu que o realce era excessivo e, para não perturbar o público adolescente, decidiu apagar digitalmente a marca dos mamilos do poster do filme. Afinal, sempre há boas razões para sermos anti-americanos.» João Miguel Tavares, Diário de Notícias, 12/8/2003
Esperemos que na terceira geração, a Anjelina já venha sem roupa: Única e exclusivamente, porque os estúdios sempre conseguiriam poupar uns dólares em “borrachas digitais”; só por isso.
Carlos Malmoro

«[Zé Cabra] declarou que cantava mal porque era assim que “os portugueses” gostavam, e que mudaria quando os “portugueses” o quisessem(...)Muitos e muitas romancistas do nosso burgo deviam fazer (...) uma declaração semelhante. Sempre era mais honesto» Pedro Mexia, Diário de Notícias, 12/08/2003
E, para aproveitarmos a onda de honestidade, uns quantos poetas também.
Carlos Malmoro

05 setembro 2003

A Droga do Dinheiro

A primeira página do "Expresso" do último sábado dava conta que, em Portugal, «45% das notas em circulação têm vestígios de cocaína».
Este título fez-me chegar às seguintes conclusões:
1) Fiquei a compreender por que razão os portugueses afirmam que o país não presta, que não tem futuro, etc..., em tempos de aperto de cinto, e orgulham-se de viver «no melhor país do mundo» em tempo de vacas gordas: é o efeito de euforia que mais notas no bolso, logo mais cocaína, tem sob os nossos queridos neurónios;
2)Percebi o ditado «Dinheiro puxa dinheiro»: como todos sabemos, as adições querem mais e sempre mais produto para um mesmo efeito de satisfação;
3)E Entendi o "porquê" das expressões alienadas que muitos dos nossos banqueiros têm: ir visitar um cofre-forte cheio de notas, em que 45% delas têm cocaína, deve dar uma boa pedrada.
Carlos Malmoro

Amor com amor se paga...

Foi útil ver António Guterres, quando saía de uma visita ao ex - deputado Paulo Pedroso, no Estabelecimento Prisional de Lisboa, perguntar aos jornalistas (que apenas faziam o seu trabalho) « não vêem a figura de ridículo que estão a fazer?». Foi útil ver Raquel Cruz, numa semelhante situação e perante os mesmíssimos protagonistas, pedir: « Deixem-me em paz, caralho!». E qual é a utilidade destas duas declarações? É que na próxima vez que nos entrarem pela casa dentro com aqueles sorrisos enquadrados e aquelas frases feitas, poderemos perguntar ao Ex - Primeiro - Ministro o que ele perguntou aos jornalistas, e à Raquel faremos o mesmo pedido que ela fez aos jornalistas.
Carlos Malmoro

DESOLAÇÃO

As 58 pessoas que morreram completamente sós, fruto de abandono dos familiares, amigos e vizinhos, na onda de calor que assolou a França, tiveram um funeral com Honras de Estado. A pátria de Albert Camus deu-lhe, uma vez mais, razão: sofre-se só; morre-se só. Infelizmente, para estas pessoas, a expressão saiu do domínio da metáfora e ganhou contornos literais.
Carlos Malmoro

03 setembro 2003

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«Portugal tem, obviamente, futuro» M. Bettencourt Resendes, Diário de Notícias, 12 Agosto 2003. Não se sabe bem quando, nem como, mas tem.
Carlos Malmoro

Comentando comentários...

Secção Negócios, Diário de Notícias de 27/8/2003: «Os resultados líquidos [lucros] dos bancos a operar em Portugal ascenderam a 912 milhões de euros no 1º Semestre [de 2003], mais 3,2% que em igual período do ano passado» Eu não acredito que Portugal seja um país rico, mas que há muito dinheiro, lá isso há.
Carlos Malmoro

02 setembro 2003

INSENSIBILIDADE E MAU SENSO

1) José Mário Silva, na sua crónica semanal, no DNa de 9/8, escreve, acerca da vaga de incêndios que assolou o país, o seguinte: «Para mim, o choque só se tornou completo quando vi a imagem captada por um satélite NASA». Antes, e nesse mesmo verborreico escrito, admitia que já estava informado que, até ao momento em que escrevia, tinham perdido a vida onze pessoas e que havia incêndios em quinze distritos. Ou seja, como diz o outro o choque, o horror, a tragédia foi a contemplação da imagem NASA e não, como em qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade, as vidas humanas perdidas, os ecossistemas destruídos, que vão demorar décadas a readquirirem os seus equilíbrios, e o desaparecimento material de vidas inteiras de trabalho.
Concluindo de uma forma irónica e depois séria: se o senhor não tiver acesso à Net ou o site da NASA se encontrar "em baixo", certifique-se que a sua casa, roupa ou automóvel não estão a arder: não existiria a Net para lhe dar conta da ocorrência; agora a sério: não nos venha mais com as suas litanias dos afectos e de sentimentos de puxar à lágrima com que povoa amiúde as suas croniquetas: neste texto, o senhor demonstrou tanta sensibilidade como a que tem um paralelo de calçada, sem ofensa para este último.
2)Por outro lado, Guilherme Silva, líder da bancada parlamentar do PSD, afirmou que «o número de vítimas é relativamente restrito». Esta afirmação só mostra o valor que a vida humana tem para o Chefe de Bancada do partido mais votado: são números, apenas números; ou melhor, votos, apenas votos. Será que não percebem que até um ferido ligeiro já é um número demasiado de baixas, para um país que todos os anos se debate com o mesmo flagelo, e todos os anos adia a sua resolução.
3)Para finalizar, um conselho a estes dois senhores, através de Wittgenstein, que aproveito para citar de cor: «A melhor coisa a fazer quando nada se tem a dizer, é ficar calado.»
Carlos Malmoro

01 setembro 2003

MISE EN SCENE

A estória daquele sujeito que foi detido pelo FBI, ao tentar introduzir um míssil em Nova Iorque, está muito mal contada.
Segundo a revista "Jane's", trata-se de uma «...história de estupidez e aproveitamento político», porque, segundo a estação de televisão ABC «...Lakhani [ o tal indivíduo detido] não tinha contactos na Rússia que lhe permitissem adquirir mísseis no Mercado Negro, e que esses mesmos contactos terão sido fornecidos por agentes das polícias russas e americanas...», com o único propósito de fabricar esta "estorieta" para os jornais. A supracitada revista "Jane's", fala ainda de «...encenação de estados...», um analista militar dos EUA apelidou-a de «operação montada» e o Diário de Notícias intitula o seu texto referente à mesma notícia de «"Invenção" de Polícias».
Eu sei que não existe Verdade, que ela é relativa, que cada sujeito apreende uma Verdade distinta na observação do mesmo objecto, mas não seria possível às Polícias limitarem-se a investigar os casos que existem, em vez de perder tempo a construir mises en scene, para os cabeçalhos dos jornais? Ou será que têm assim tão pouco que fazer?
Carlos Malmoro

E ASSIM DESAPARECEU...

O programa "Acontece" acabou; digo-vos de outro modo: um dos únicos programas que realmente valia a pena ser visto, pese embora o estilo patusco do apresentador, acabou.
Como o ministro Morais Sarmento disse, há cerca de três meses, que ficava mais barato pagar uma volta ao mundo a cada um dos telespectadores do "Acontece" do que produzir esse mesmo programa, já fiz as malas para a viagem que o Sr. ministro me vai pagar. Mas, para ser completamente justo, tenho que reconhecer que os livros que levo na bagagem, os museus que pretendo conhecer, bem como as exposições que visitar foram-me recomendados pelo Sr. Carlos Pinto Coelho.
Finalmente, se decidirem acabar também com os programas "O Lugar da História", "Sinais do Tempo", "Artes e Letras" e "Britcom", ponho o televisor no prego: não quero ficar com um electrodoméstico que tem como únicas funções calcinar-me os neurónios em programas como "Big Brother", "Êxtase", "Mousse de Chocolate", e estupidificar-me a inteligência com novelas de 600 episódios, o "Jornal Nacional", "Vidas Reais" ou "À Sombra da Bananeira", e toda uma lista quase infinita de programas, que deveriam ter todos o mesmo sub-título: «Quem quer ser ignorante?».
Carlos Malmoro

NO COMMENT

Duas das respostas de Paula Bobone ao questionário de Verão do Diário de Notícias:
Pergunta: Qual é o seu maior pesadelo?
Resposta: Perder a agenda.
Pergunta: Qual é o seu pássaro favorito?
Resposta: A borboleta.
No Comment
Carlos Malmoro

29 agosto 2003

NO COMMENT

Portugal, 28/08/2003: jovem de 9 anos dispara e mata o irmão de 4 anos, quando brincava na sala de jantar com a caçadeira do pai, que se encontrava carregada. No comment
Carlos Malmoro

OS SENTIDOS LITERAIS DE EXPRESSÕES FIGURADAS

Longe de querer criticar alguém por utilizar estas expressões - também eu as utilizo -, este texto apenas pretende demonstrar a insidiosidade da nossa Língua:
«Olha, fico na esplanada a matar o tempo» - Como é que se mata o tempo? à machadada, com a fisga ou será com armas de destruição maciça?
«Deixem-me em paz!» - Habitualmente, quando se utiliza esta expressão, é porque estamos em guerra com nós próprios. Sugestão:"Deixem-me em paz...com a minha guerra".
«Estás aqui?» Não é necessário explicar o ridículo desta expressão, bem como das suas congéneres «Já cá estás?» ou «Já chegaste?», quando a pessoa com quem falamos se encontra à  nossa frente.
«Bons olhos te vejam.» - Afinal, estamos contentes pela outra pessoa estar connosco ou pelo apurado e saudável sentido de visão que temos?
«- O trabalho está pronto amanhã, Sr. Joaquim? - Vamos ver.» - Responder desta forma ou «Prognósticos só no fim do jogo», é exactamente a mesma redundância.
«Querida, vou sair.» - Ora, se uma pessoa está dentro de casa, o único movimento que pode fazer é o de sair dessa mesma casa.
«Já vou!» - "Já" significa "agora, neste preciso momento", mas, no entanto, sempre que ouvimos esta expressão temos que esperar mais cinco minutos.
«Esta noite vou prá nightPenso que nunca ninguém escutou o seu contrário (Neste dia, vou pró day), pelo caricato que se expunha.
«-Senhor Dr., o que é isto? - Isso não é nada!» Por vezes, os médicos deviam estar calados, porque, se não é nada, é porque é alguma coisa: uma dupla negação é uma afirmação.
«Estou fora de mim» - É a demanda que todos pretendemos realizar, com o objectivo último de alcançar o dom da ubiquidade. Para além disso, é também uma forma de dizer que estamos fartos desta camisa de forças que é o nosso corpo.
«Escusado será dizer...» - Ao pretendermos reforçar a ideia que iremos transmitir depois desta expressão, estamos a retirar-lhe força, pois "escusado", segundo o dicionário, é um adjectivo que significa "dispensável, desnecessário ou evitável". Porque, se é escusado, então não se diz.
Carlos Malmoro

19 agosto 2003

DE UMA VEZ POR TODAS!

Há um ano, neste mesmo mês de Agosto, a Alemanha, e toda a zona central da Europa, estavam a ser assoladas por violentas chuvas que resultaram em cheias e, consequentemente, mortes e avultados prejuízos materiais.
Este ano, no mesmo mês e na mesma zona, bateram-se recordes de temperaturas provocados, essencialmente, pelo baixo índice de humidade no ar, lamentando-se, igualmente, mais mortes pela fúria da canícula.
O Homem vai assumir, de uma vez por todas, que está a fazer estragos no clima, e tentar consertá-los, ou vai continuar a assobiar para o ar e desculpar-se com ditos populares do género: "Depois da tempestade, vem a bonança.", ou a afirmar levianamente que isto sempre aconteceu, mas, o que agora sucede, é que existe mais informação?
Carlos Malmoro

NO COMMENT

Eis uma fala de João Baião para Marisa Cruz, no programa Campeões Nacionais, da SIC (ou será que houve interferências do Canal 18?) :
" Marisa, agora vou-te dar umas voltinhas para ficares tonta. Depois, baixas-te e apanhas a cenoura...agora vem, vem mais para dentro, vem, vem mais rápido, força, vem, não deixes cair a cenoura, isso, vem, mais rápido, estás quase, depressa, força, força, vem, agarra-te bem à cenoura, vem,... conseguiste em 1 minuto e 18 segundos." No comment

MALMORO@PORTUGALMAIL.PT

Críticas, sugestões, opiniões e comentários aos textos, mandar o autor dar uma volta, chamar-lhe nomes, contar-lhe a vossa vidinha, pedir-lhe dinheiro, pedir que se cale, declarações de amor e de guerra, tudo, tudo para malmoro@portugalmail.pt.
Carlos Malmoro

SER OU NÃO SER...

Uma sondagem feita pela livraria Amazon, revela que há mais britânicos que se lembram do enredo do primeiro livro do Harry Potter, 66%, do que aqueles que se recordam da trama de «Hamlet», de Shakespeare, 28%.
A Existência humana está a ficar mais fútil: enquanto há uns séculos a premissa existencial era "Ser ou não ser: eis a questão", hoje, ela é: "Ou ser caixa de óculos e comprar uma vassoura voadora que não voa ou não ser cool: eis o marketing.
Carlos Malmoro

DÚVIDA

Se "pecado" é um substantivo do género masculino, por que razão os sete pecados mortais são todos substantivos do género feminino? A natureza feminina é assim tão inexorável, tão fatal, tão mortal?
Carlos Malmoro

31 julho 2003

A LUMINAR CLASSE

Apesar dos argumentos para a mudança do regime de permissões das escutas telefónicas aos mais altos representantes da Nação ( PR, PM, PAR e Ministros), em certa medida, serem válidos; apesar de não fazer sentido, num sistema judicial que se pretende moderno, o absurdo de tempo que se pode ficar detido sem acusação formada, e apesar do segredo de Justiça, de "segredo" só ter o nome, a verdade é que a Justiça teve de bater à porta da classe política, para esta se propor a fazer mais do que discursos niilistas, visitas às cadeias em época natalícia eoutros expedientes inconsequentes a que esta luminar classe já habituou o comum dos cidadãos.
Há um ano, alguém falava destas situações que, verdade seja dita, roçam o domínio do kafkiano? Há um ano, alguém publicava "Apelos" no Diário de Notícias, comparando a Justiça actual à do Estado Novo - curiosamente, como fez o advogado da "Fatinha" Felgueiras? Há um ano, algum político ficava consternado, mais do que cinco minutos, com os relatórios das Organizações Internacionais de Justiça e Direitos Humanos que alertavam e pediam rápida resolução destes mesmos problemas, ano após ano? As respostas são não, não e não.
Ironicamente, quem hoje pretende mudar a Legislação são exactamente os mesmos que a fizeram e aprovaram, mas, agora que a Justiça lhes bate à porta de olhos vendados, a primeira reacção corporativista que a classe política teve foi a de tentar retirar-lhe a venda. Na data em que escrevo isto, ela ainda continua
de olhos vendados. Até quando?
Carlos Malmoro

30 julho 2003

HAJA PACIÊNCIA

Na promoção do terceiro filme da saga "Terminator", o subtítulo diz isto " A Ascenção das Máquinas"... exacto, ascensão escrito com "ç" em vez do normal, e correcto, "s". Curiosamente, o apelido do Arnold está bem escrito. O que é que podemos concluir? Não podemos concluir nada, excepto que o analfabetismo funcional grassa transversalmente toda a sociedade portuguesa ou, parafraseando as "Abóboras Esmagadas", que existe ignorância e infinita estupidez.
Haja Paciência.
Carlos Malmoro

29 julho 2003

A JESSICA

No início, a Jessica foi resgatada aos vilões que a tinham brutalmente torturado. Encontrava-se num hospital, como prisioneira de guerra, onde recuperava de graves ferimentos em combate. A qualidade do enredo fez com que Hollywood piscasse os olhos à Jessica. Sinopse: jovem, com palminho de cara, é feita prisioneira em combate, torturada pelo inimigo e resgatada pelos homens bons, numa operação espectacular. Blockbuster garantido.
Depois, a Jessica já tinha sido resgatada do hospital, onde tinha sido abandonada pelos homens maus, padecendo dos seus ferimentos e torturas, a evanescer-se para a morte.
Posteriormente, a Jessica "teve alta" de um hospital onde não havia ninguém e no qual a nossa heroína estava a recuperar dos ferimentos provocados pelo acidente com o jipe onde seguia.
Finalmente: não havia ninguém no hospital, quem a salvou foram os homens maus, que forneceram as indicações do seu paradeiro aos soldados bons, após estes terem "corrido" aqueles à metralhadora, quando os maus a queriam entregar aos bons, dois dias antes. Soube-se também que a Jessica foi tratada segundo a Convenção de Genebra, pelos homens maus.
Nestes dédalos de mentiras e desmentidos, deixa-me fazer-te duas perguntas Jessica: ó Jessica, tu és feita de carne e osso ou és um holograma?; ó Jessica, o teu apelido é Lynch ou Rabbit?
Carlos Malmoro