19 janeiro 2006
16 janeiro 2006
O massacre continua.
Como algumas pessoas que conheço, tenho uma caixa de correio electrónico que serve de caixa de correio publicitária. Eu explico: é uma forma de salvaguardarmos que quando fazemos um registo numa determinada empresa ou serviço, e colocamos que não desejamos receber regularmente correspondência, nem autorizamos que a empresa comunique os nossos dados a outras empresas, mas as empresas fazem de conta de que não perceberam essas instruções, as mensagens vão para um sítio diferente que não o nosso endereço de e-mail mais pessoal. É como se tivéssemos duas caixas de correio: numa o carteiro colocava o que realmente interessava; na outra, e embora estivesse lá bem explícito que não aceitávamos publicidade de qualquer tipo, colocava os panfletos do Intermarché, as carinhas larocas dos candidatos às presidenciais e os cursos CEAC que garantem que uma pessoa aprende a tocar piano de cauda em três semanas sem praticar. No dia sete de Janeiro, abri as caixas de entrada dos dois e-mails. Já andava visivelmente satisfeito por estarem a desaparecer as publicidades natalícias. Quando me deparo com o seguinte título de mensagem: «Dia dos Namorados: não se atrase». Paciência, haja paciência. Depois, reflecti um pouco e apercebi-me que isto vai durar o ano inteiro. A saber: depois do Dia dos Namorados, existirá o Carnaval, e a Páscoa, seguido dos dias do Pai e da Mãe. Entramos na canícula e nas viagens, e saímos da canícula com os saldos e os primeiros cheiros a Natal, intercalados pelo Halloween, essa tradição portuguesíssima. Acto contínuo, entra o Natal em força e no dia sete de Janeiro de 2007, a caixa de e-mail publicitária lá receberá uma mensagem com o título «Dia dos Namorados - não se atrase», e o ciclo estará consumado e eu consumido. Arre!!! Carlos Malmoro |
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15 janeiro 2006
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«Os jornalistas querem impor-nos a homossexualidade até cairmos» D. Eurico de Nogueira, bispo emérito de Braga, revista Sábado. Estes jornalistas são, de facto, uns perversos: sempre a pensarem na malandrice. Marotos. Só uma questão: eu leio jornais, e nunca vi nenhum jornalista a tentar impor-me a homossexualidade «até cair». Será que sou iletrado? «Mário Soares não confunde o autor da Montanha Mágica com o autor da Utopia, não acrescenta cantos a «Os Lusíadas» e sabe que Fernando Namora foi um dos autores mais lidos e traduzidos no século XIX» Presidente da Câmara de Condeixa, referindo-se a Mário Soares como um homem de cultura, antes do candidato entrar na Casa-Museu Fernando Namora. Diário de Notícias Fernando Namora de certeza que deu uma volta no caixão. Mário Soares pensou com os botões: se eu sou do mesmo século que o Namora, então estou mesmo velho. Cavaco Silva diz: não me facilitem tanto a vida. O eleitor pede: poupem-nos a estas lições, seguidas de humilhações – é confrangedor ver estas tristes figuras feitas por pessoas em quem votámos. Eu digo: de facto, Fernando Namora até pode dever alguma coisa da sua inspiração literária ao século XIX. Mas nada que possa transladar a sua existência física para o século anterior. Carlos Malmoro |
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Constatação
Quando o Holocausto provocou aqueles milhões de mortos, fizemos o que tínhamos a fazer para terminar com ele. Hoje, morrem tantas pessoas vítimas de fome e de doenças curáveis em quatro anos como as vítimas do Holocausto, e não estamos a fazer um centésimo do que era preciso. Se o resultado é tão mortífero como as ideias loucas de um ditador megalómano, então temos de admitir que a inacção também é um crime contra a Humanidade. Carlos Malmoro |
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14 janeiro 2006
Visões das presidenciais
A Optimista: Depois destas eleições, Portugal voltará a ser a Nação Valente e Imortal. Pessimista: O que eles querem é tacho! A Indiferente: Que eleições?!..Que presidenciais?! É para escolher o novo presidente do Benfica?!...Ah, é para escolher Presidente da República. Eu até acho que o Ramalho Eanes está a fazer um bom mandato... A Conspiradora: Isto é tudo mas é uma grande jogada para desviar as atenções do Processo Casa Pia, da Moderna e do Elefante Branco. Eles estão todos feitos uns com os outros. E, como sempre, o Zé-povinho é que se lixa. A Cavaquista: A opinião que eu tenho sobre o estado da nação está escrita na Bíb..., perdão, na Autobiografia Política do Prof. Aníbal Cavaco Silva. A Soarista: Eu já disse que não falo. É uma censura completa o que estão a fazer ao homem. Nem a jornais, nem a televisões, nem a rádios, e muito menos a blogalhadas como esta, eu não falo! A Alegre: Eu falo no nome de Álvaro Cunhal quantas vezes me apetecer: Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal, Álvaro Cunhal…e se o Jerónimo me tentar calar, eu concretizo a ameaça que o grande vate lhe fez: apanha a sério! A Comunista: Temos que olhar para os trabalhadores como pessoas dignas e não como máquinas de lucro escravas ao serviço do grande capital. Só assim poderemos aspirar a ser uma sociedade justa, equilibrada e tolerante como a Coreia do Norte. A Bloquista: Nesta campanha não se discutem os principais problemas das pessoas e do país. Já algum dos outros candidatos falou na necessidade das mortalhas serem produzidas em papel reciclado «Amigo do Ambiente»? Pois, é a campanha do ruído e das briguinhas, mas do silêncio sobre o que realmente importa. A propósito: alguém tem uma mortalha? MINHA: Depois de ter reparado que mais de metade deste texto supostamente satírico é vero, vou, portanto, votar na Carmelinda Pereira. Carlos Malmoro |
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11 janeiro 2006
08 janeiro 2006
Coisas que se vão passando...
O maior medo dos pilotos do Dakar: que Jorge Sampaio discursasse na altura em que deu a partida. Sondagens: segundo uma sondagem do Expresso, um milhão de portugueses têm tendências homossexuais. Vamos ver como esse milhão de portugueses homossexuais foi encontrado: «-Boa noite. Sou a Kátia Vanessa e estou a falar-lhe do centro de estudos do Expresso. -Boa noite, minha senhora. Que deseja? -Estamos a fazer uma sondagem sobre homossexualidade. -Sim… -O senhor alguma vez teve ou pensou em ter relações homossexuais? -Ó minha va…. Vira para cá essa p….que eu já te digo quem é o maricas! -Desculpe, estou só a perguntar: é o meu trabalho. -Onde tu devias estar a trabalhar sei eu, minha p…. -Não me ofenda, por favor. Como lhe disse, este é apenas o meu trabalho…. -E tu vens para aqui chamar-me de pane…às tantas da noite!! -Olhe, sabe que mais? Vou colocar nas respostas que o senhor sempre pegou de empurrão, sempre gostou de morder a fronha da almofada e sempre desejou ter um boeing 747 metido bem dentro do seu hangar. -Atreve-te, p…» (chamada desligada pela operadora) Foi assim que o Expresso encontrou o milhão de portugueses homossexuais. Herman: depois de ter sido «posto na linha» pelo novo director da SIC, já começa a dar gosto dar umas espreitadelas ao Herman Sic. Carlos Malmoro |
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2005
| Discos: Leonard Cohen - Dear Heatter Nick Cave – Abattoir Blues / Lyre of Orpheus(2004) / B-Sides & Rarities (2005) Arcade Fire - Funeral Patrick Wolf - Wind in the Wires Bloc Party - Silent Alarm Andrew Bird - The Mysterious Production of Eggs Editors: The Back Room DVD: Nick Cave – The Videos Million Dollar Baby – Clint Eastwood Verão Azul (é mesmo muito pessoal e, diria mesmo, freudiana) Concertos: Nick Cave – Paredes de Coura Patrick Wolf – Gaia Filmes: Million Dollar Baby – Clint Eastwood Charlie e a Fábrica de Chocolates - Tim Burton Flores Partidas - Jim Jarmusch Blogs: Estes três links aqui ao lado Livros: Philip Roth - A Conspiração Contra a América Gonçalo M. Tavares - Jerusalém T.S. Eliot - Prufrock e Outras Observações J.M. Coetzee - No Coração desta Terra Carlos Malmoro |
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04 janeiro 2006
01 janeiro 2006
26 dezembro 2005
Eu e eu e mais eu.
Carlos, o dono do carro atropelado – Está uma pessoa muito bem parada numa interminável e secante fila de trânsito, quando vem uma perigosa e excêntrica consumidora natalícia a olhar para uma amiga que estava do outro lado do passeio, dizendo-lhe: «Sandra, olha o que comprei para a T…» quando choca violentamente com o meu carro. A consumidora vinha a pé. Segundo os parâmetros jornalísticos, estas situações são os paradigmas que tipificam uma notícia: não foi o carro que atropelou o peão, mas o peão que atropelou o carro; Carlos, o perverso: A dona do café onde tomo o pequeno-almoço tem a preocupação de colocar tudo o que eu digo no seu diminutivo: se eu peço um café, ela diz: «sai um cafezinho para o Sr. Carlos.»; ao princípio, é agradável, depois é tolerável e por fim já se estava a tornar insuportável. Ontem, a minha paciência cansou-se: pedi-lhe um descafeinado e foi bastante divertido vê-la a tentar dizer o diminutivo da palavra… Nota a mim mesmo: repetir sempre que possível. Carlos, o eleitor: Se Soares ganhar, vai jurar a Constituição e depois apelar ao voto no PS em dias de eleições? Se Jerónimo ganhar, vai implementar uma democracia tipo Coreia do Norte, em clara consonância com as directrizes principais da nossa Constituição? Se Louçã ganhar, vai implementar a regra de que a minoria dos votos passa a vencer as eleições? Se Alegre ganhar, vai dissolver a Assembleia da República sempre que acordar mal disposto? Se Cavaco ganhar, vai jurar cumprir a Constituição ou os tomos da sua biografia política? Carlos, o leitor: em leitura – A Ilha dos Pinguins, de Anatole France, «…Por mais que busquemos, apenas nos encontramos a nós próprios…» Carlos, o ouvinte: no auto rádio, na aparelhagem e no computador: The Back Room – Editors e a pergunta que se torna em dúvida existencial para quem escuta este disco: por que razão aquela música se chama «Munich»?... «People are fragile things, you should know by now / Be careful what you put them through» Carlos, o consumido: esta é a época de excelência dos consumidores ou dos consumidos? Carlos, o intelectual: M. enviou-me um mail, que diz que segundo um reputadíssimo numerólogo (esta profissão existe?!) apenas os dias do nascimento são determinantes na personalidade de um indivíduo. Pois…Deixo-vos com os traços de carácter para quem nasceu no dia 30: «É o número da intelectualidade. Neste dia nascem pessoas de grande imaginação e intuição, que apreciam a arte, a música e o teatro e são eloquentes.» M.: sabes que comigo podes falar sem rodeios, isto é, acho que já existe confiança entre os dois para me chamares directamente de chato! Carlos Malmoro |
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25 dezembro 2005
20 dezembro 2005
17 dezembro 2005
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Porque eu tenho actualizar o blog, e tenho, é melhor que o faça já....
Uma das coisas mais peculiares no falar minhoto, é a repetição do verbo para dar força à ideia. Assim, achei por bem sair do período de hibernação deste blog, atribuindo um título a este post, onde se experimenta essa mesma forma...e digam lá que não fica um must?.... Carlos Malmoro |
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14 agosto 2005
Participação Cívica
| Pacheco Pereira, agora que o Governo é PS,está a dedicar uma grande atenção e um grande empenho em discutir os fogos. Ao consultarmos os arquivos do Abrupto, não encontramos esse empenho quando o PSD, principalmente com Durão Barroso como PM, era poder. Carlos Malmoro |
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28 maio 2005
15 maio 2005
Se...
Este texto era para ser enviado para um jornal quando ainda fazia sentido, isto é, há cerca de 10-11 meses. Porém, e por motivos vários, entre os quais se contam a infinda desorganização de quem mantém este tasco, ficou perdido nos meus papéis. A carta consistia numa paráfrase ao poema «If» de Rudyard Kipling, e rezava assim:
«Se Durão Barroso sair para a Comissão Europeia, se Santana Lopes subir a Primeiro-Ministro, se o Presidente da República aceitar esse nome, e assim desvirtuar todo o sistema democrático, porque embora o partido mais votado fosse o PSD, foi-o em nome de um Programa de Governo encabeçado pelo por um determinado líder, se tivermos que aturar os dislates de Santana por dois anos e os do seu séquito de santanetes, se a política seguida por Santana for anti-europeísta e populista – como não o ser?... –, Se os dois anos de sacrifícios dos portugueses forem esbanjados em nome da alimentação de clientelas, se tudo isto for acompanhado de muita demagogia própria de quem disse que se afastava da política por um sketch televisivo, pela ignorância cultural de quem afirmou que Mário de Sá Carneiro era o poeta da Arrábida, e não Sebastião da Gama, que disse que gostava dos violinos de Chopin e que endereçou uma carta de agradecimento ao escritor brasileiro Machado de Assis, quando este já faleceu há cerca de 100 anos; então, meu filho, peço-te para saíres de Portugal: só assim poderás ser um Homem.»
Ainda bem que não o enviei: ter razão antes do tempo implica fazer juízos de valor à priori das acções. Mas também não era preciso ser-se um geniozinho para ter razão antes do tempo neste caso, pois não? …
Carlos Malmoro
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12 maio 2005
Pôr-do-Sol
Esta foto de José Campos Roja, intitulada Cae-el-Sol, revela-nos que essa hora mágica do dia provoca uma doce melancolia nas cidades. A mesma doce melancolia que geralmente associamos a esse momento do dia quando é passado à beira-mar, no campo ou nos pinheirais... Carlos Malmoro |
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25 abril 2005
24 abril 2005
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| «Ser deputado está a ser muito bom. Muito trabalho? Quem quiser fá-lo, mas quem não quiser fazer nada também passa despercebido, sem problema.» Nuno da Câmara Pereira - TV 7Dias A bem da Nação, pede-se encarecidamente a este senhor que nada faça e, se não for pedir muito, que nada cante. A Nação agradece. C.M. «Ninguém entra na Rádio Renascença sem vir ao que chamamos de "confessionário".» Magalhães Crespo, vice-presidente da Rádio Renascença - 24 Horas E isso é uma ameaça ou um convite malandrinho? C.M «Não acredito que o BES [Banco Espírito Santo] seja beneficiado só porque um ministro foi seu quadro.» Ricardo Salgado - Jornal de Negócios Pois, como é que é mesmo aquele ditado espanhol? Eu não acredito em bruxas, pero que las hay... C.M «As lideranças personalizadas conduzem frequentemente a uma crise de sucessão» Anacoreta Correia - Visão É uma daquelas verdades que nem monsieur La Palisse diria melhor. Carlos Malmoro |
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10 abril 2005
Ah, conheço perfeitamente...
«E António Borges? Uma pessoa que está afastada do país e da política cai de pára-quedas e apresenta-se como um iluminado? Falta-lhe o percurso e as características. António Borges ainda tem muito para aprender.» Esta resposta é de um conhecidíssimo político, numa entrevista que deu ao Independente, que perante ele, Mário Soares, Cavaco Silva, Álvaro Cunhal ou Freitas do Amaral são pessoas totalmente desconhecidos, daquelas que, depois de ouvirmos pronunciar os seus nomes, perguntamos: «Quem?...». Este reputadíssimo senhor chama-se Jorge Bleck! Carlos Malmoro |
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06 abril 2005
O Carinho é um Direito dos Trabalhadores!
| Estava eu no remanso do meu lar, num Sábado ou Domingo ao fim da tarde, quando vejo esta notícia na televisão: «Jogador X quer sair do seu clube porque não se sente acarinhado.» Confesso que pensei que tinha ouvido/visto mal: estava quase a adormecer e poderia ter confundido a notícia. Mas não. Lá estava a passar no rodapé (naqueles rodapés que deveríamos esconder dos nossos filhos se ainda temos uma réstia de esperença que eles venham a saber escrever em português) a dita cuja, confirmando que o que ouvira não tinha sido uma mistura de várias notícias. O mais caricato ainda foi a reacção do clube: emitiu um comunicado a dizer que nutria bastante carinho pelo jogador em questão. Não vou perder muito tempo a comentar a situação, porque, neste momento, estou a numa fila para preencher papéis para o desemprego depois de ter dito ao meu patrão o seguinte: - Sr. Y, eu não me sinto acarinhado nesta firma, e penso que dar carinho é um dos deveres do patrão e, consequentemente, quero sair!» Pensava eu que ele iria emitir um comunicado semelhante ao do clube do jogador, mas o sr. Y disse pura e simplesmente: "Tem toda a razão, Sr. Carlos: aqui você não está a ser acarinhado e, consequentemente, sugiro-lhe que se mude depressa!" Carlos Malmoro |
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27 março 2005
Telhados de Vidro

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25 março 2005
21 março 2005
Admirável Mundo Triste
«Everybody knows the dice are loaded
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed:
The poor stay poor, the rich get richer
That's how it goes, what everybody knows.»...
«Everybody Knows» Leonard Cohen & Sharon Robinson
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Mais do mesmo?...
Governo promete consolidação e transparência das contas públicas.
Mas aonde é que eu já ouvi isto?...
Carlos Malmoro
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18 março 2005
...e agora, Herberto Hélder:
«As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras.»
P.S.: Uma Verdade destas não se comenta: contempla-se!
Carlos Malmoro
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14 março 2005
13 março 2005
Portugal Viciado
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08 março 2005
Uma História Sem Palavras
Terra-Sebastião Salgado
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07 março 2005
Por Esclarecer
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04 março 2005
O seu a seu dono
Inadvertidamente, a pintura do post anterior ficou sem «dono» e sem nome...
Chama-se «The Boat Studio» e é de Monet.
Carlos Malmoro
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«Partida»-I
Sobre enormes espaços de luz
naufragava Neruda
Naufragava...
Sobre o vinho e o mel dos segredos
Sobre a órbita do coração do povo!
Parte da ida
As imagens lúcidas tornam-se estímulos para a partida
Percorrem todo o corpo beijando a nossa água.
Percorrem todo o nosso ciclo em ápice de luva.
No veludo espesso
da ruga na solidão.
Cada um. Ou quase, tem um gémeo preso
nas teias do encontro
Ama a vida do cais. Parte em muitos barcos. E sente
música nos passageiros mudando
O sono invade a paisagem desfeita de dia
Sinto a noite e é dia
O coral assombra porque é claro.
Isso não que as cores serem ausência mesmo cores.
Trapos coloridos que não se vêm. Só o preto e branco
da instabilidade
Fulcro mecânico do cinzento jorrando o óleo
- E a falta A FALTA DO COMEÇO DO POEMA E A PARTIDA
O avanço infantil da Partida.
A inconsciência hipnotizada da partida
O choro certo de alegria na Partida
A falta de adeua certíssimo na Partida
a Partida
a partida...
a Parti...
a Par..
a P...
A ...
...
Onde estão os tempos
em que tudo era simples
por não ser nacessário outra coisa
senão um abrigo frágil de luar?
Onde estão os violinos dentro das gotas
As montanhas ainda sem cimento corpos e confusão?
Onde estão os amigos de infância
que olhavam o Tejo
das gaivotas e rostos sadios?
Onde estão nesta tempestade?
Quem perdeu as asas dentro da cidade?
Que espíritos são estes adormecidos em tédio,
que despem todos os dias a pele nas ruas
e trazem nos olhos a dureza
da morte adiada?
Quem bebeu a última vaga de esperança
e ficou com a apatia na fundo
das veias a ser naufrágio?
Onde estão os animais que lambiam
as mãos das crianças?
Onde estão as aves
que viram no tempo claro
a última sensação de alegria?
Quem sabe da última folha beijada
pelo potro na planície?
Onde estão os caminhos desta cascata congelada?
Outono de maré cheia
Gravidez esquecida
de muitos silêncios num só corpo
Voo até ao infinito
desta necessidade de fuga como um raio
que nada toca pela ausência
Arvore esquecida no pântano
perto de um piano de cristal em melodia
Mundo autêntico que existe
além deste fastio de horas
sem nexo!
Eduardo Nascimento «Pedaços do meu Tempo»
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03 março 2005
Um pequeno passo
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Um Outro «Se Isto é Um Homem»
O livro apresentado não necesitava de nada mais do que a sua foto de capa para nos revelar que o seu título era «Sem Destino». Um livro que é um dos mais poderosos a retratar um campo de concentração nazi. O seu autor, o Prémio Nobel Imre Kertész, foi um sobrevivente desses campos. Uma vez mais: apenas quem passou pelo Inferno pode ter veleidades a descrevê-lo com o mínimo de fidelidade.Carlos Malmoro
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Um Mediterrâneo Queima-se com o Frio...
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28 fevereiro 2005
Um outro Beijo....
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O PSD
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26 fevereiro 2005
Como ganhar eleições
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Pausa para Alma

O Beijo - Rodin
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25 fevereiro 2005
A Razão de Torga

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Preparar Terreno
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Mudança de «Tempos»

Van Gogh - Wheat Field Under treatening skies
Carlos Malmoro
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A Paixão
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21 fevereiro 2005
As eleições...
serviram para que cada partido recebesse 2,70€ por voto. E de momento não me recordo de nada mais para que elas servissem.
Carlos Malmoro
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08 fevereiro 2005
Indecência
A propósito do acidente que vitimou sete portugueses em Espanha, perguntou uma «jornalista» televisiva a um familiar das vítimas: «Como recebeu a notícia?»
Carlos Malmoro
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06 fevereiro 2005
O Vazio
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04 fevereiro 2005
O debate
O debate de ontem entre Sócrates e Santana clarificou-me uma única coisa: é mesmo um daqueles dois senhores que vai ser Primeiro-ministro de Portugal. É que ainda havia uma réstia de esperança que irrompesse pelo estúdio dentro alguém a dizer coisas com nexo, a fazer propostas sérias, a afirmar uma coisa e objectivamente fazê-la, alguém que tivesse o pensamento estruturado por ele próprio e não pelos departamentos de marketing de campanha dos partidos, enfim, uma pessoa mais real e menos plástica.
Quem ganhou o debate: Santana e Sócrates. Quem perdeu: os portugueses.
Carlos Malmoro
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30 setembro 2004
A ameaça
Depois da trapalhada informática que foi a colocação dos professores, a sugestão do governo querer implantar o «e-governement» não é uma promessa: é uma ameça.
Carlos Malmoro
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O «Barco do Aborto»
A ideia da associação «Women on Waves» de fazerem passar a sua mensagem através de um «barco do aborto» é tão demagógica como a criminalizacão da prática abortiva pelas mulheres portuguesas é hipócrita: ambos não resolvem o verdadeiro problema. Só o mascaram.
Carlos Malmoro
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02 setembro 2004
O sol e a chuva de Agosto
Se faz sol, os incêndios arrasam com a floresta portuguesa; se chove, os acidentes mostram de novo a guerra civil na estradas...Portugal necessitava de um toldo ou de uma cobertura, depois faziam-se umas lojas e grande nação conseguiria ter o que sempre desejou: não estar condicionado pelas condições climatéricas e, ao mesmo tempo e mais importante de tudo, transformava-se no delírio onírico de muitos: num gigantesco centro comercial, ou utilizando linguagem técnica, num gigantesco shopping.
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03 agosto 2004
Da teoria à prática
A União de Livreiros e Editores está a impulsionar um abaixo-assinado, que já conta com mais de dez mil assinaturas, para que o IVA não seja aplicado aos livros (neste momento é de 5%).
Esta iniciativa tinha um certo valor lógico se produtos alimentares e de higiene não pagassem IVA. Mas é que, em Portugal, infelizmente, os primeiros, quando não estão isentos, pagam 5% e 12% e os segundos chegam aos 19%.
Sem demagogias: a verdade é que num país que tem mais de dois milhões de pobres, segundo dados da ONU, e em que existem 200 mil concidadãos que apenas têm posses para comer uma refeição por dia, não é muito difícil de perceber que, se existem produtos onde o IVA deve descer ou mesmo desaparecer, são nestes bens de primeira necessidade. Com o prejuízo daqueles que, como eu, ganhariam mais em que os livros ficassem isentos de IVA. Mas a isto é que se chama ter um mínimo de consciência cívica: não é só fazer belos discursos sobre a pobreza e a solidariedade e coesão sociais, para depois organizar abaixo-assinados em que, mais do que a defesa de um bem cultural, o objectivo é fortalecer a reivindicação de um lobby junto do poder político…
Carlos Malmoro
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29 julho 2004
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«O tráfico humano é a terceira actividade criminosa mais lucrativa, a seguir ao narcotráfico e ao tráfico de armas.» Relatório da ONG «Shared Hope International»
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Guia Prático do Terrorista
Segunda-feira, 7 de Junho de 2004, 18:00 horas: no cruzamento das avenidas Rosedale e Randall estava, posta de pé, uma bomba de aviação com um metro e vinte de altura. As autoridades ainda não conseguiram compreender como se conseguiu colocar, em pleno dia, uma bomba com tal dimensão e com quase uma tonelada de peso, num cruzamento de duas avenidas tão movimentadas como são aquelas.
Sexta-Feira, 11 de Junho de 2004, 17:30: no terminal ferroviário de Long Island, Darius McCollum foi preso quando se apoderava de um comboio. Estava vestido com uniforme oficial da Autoridade Metropolitana dos Transportes de Nova Iorque (MTA) e tinha em seu poder as chaves mestras que dão acesso a todas as composições e caixas de controlo. Darius tinha saído há apenas dois meses da cadeia, após ter já sido detido outras vinte vezes por acções semelhantes – roubo de comboios, autocarros e composições de metropolitano. Este indivíduo sofre do síndroma de Asperger, uma doença neurológica com ligações ao autismo que leva o paciente a ter obsessão por desenvolver determinadas rotinas.
Estas duas histórias, por mais inverosímeis que possam parecer, são verdadeiras. Elas revelam de uma forma sintomática que não é com guerras preventivas que se combate o terrorismo, mas antes com uma política de segurança interna e de informações capazes de travar estas pequenas brincadeiras que, antes de mais, servem de estímulo a quem realmente queira causar danos e derramar sangue inocente. É que esta cidade, que mais que nenhuma outra deveria ter aprendido a lição da segurança, mostrou uma vulnerabilidade igual ou maior do que aquela que padecia em 11 de Setembro de 2001.
P.S: Pela improbabilidade que estas histórias parecem ter, convido-os a conferir no New York Post de 8 de Junho de 2004 e de 12 de Junho de 2004 a veracidade delas. Com uma simples consulta na net conseguem-no, e irão ficar boquiabertos, principalmente quando repararem na fotografia da bomba que está colocada no meio do cruzamento e que, segundo o jornal, não estava desactivada…
Carlos Malmoro
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A coerência, a consoância & a consistência do pensamento do político português
«Como pode um Presidente eleito pela esquerda (…) arvorar-se agora um guardião activo do programa neoliberal de José Manuel Durão Barroso?» Freitas do Amaral, Visão.
Se bem me lembro, este foi o senhor que na campanha para as últimas legislativas apoiou Durão Barroso pelo seu projecto de dimensão social…
«Odeio o unilateralismo e a arrogância dos E.U.A.» Durão Barroso discursando no Parlamento Europeu antes de ser eleito Presidente da Comissão Europeia.
Se bem me lembro o antigo Primeiro-Ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso, chamaria, sem apelo nem agravo, anti americano primário e radical a este José Manuel Barroso, Presidente Indigitado da Comissão Europeia.
«Não tenho motivação para entrar nessa corrida e penso que é preciso gente mais jovem na liderança do PS. Se quisesse ser secretário-geral do PS, teria avançado há 20 anos.» Manuel Alegre, em entrevista ao Público, cinco dias antes de anunciar a sua candidatura ao lugar de Secretário-Geral do PS.
Se bem me lembro, eu nunca consegui arranjar motivação para nada que não pretendesse fazer em cinco dias…e o pensamento deste político–poeta ou poeta-político, como queiram chamá-lo em relação ao rejuvenescimento do PS é, digamos, volátil, bastante volátil…
«Não sou candidato à Presidência da Comissão Europeia.» Durão Barroso, quatro dias antes de pedir uma audiência ao Presidente da República para apresentar a sua demissão de Primeiro-ministro de Portugal
Bem já me começam a faltar os comentários para tanta reviravolta de opinião em tão pouco espaço de tempo, mas os adjectivos para classificar este discurso político são muitos: falso, hipócrita, insidioso, apócrifo, fingido, leviano, demagógico, …
Carlos Malmoro
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29 junho 2004
A Falência
O artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais estipula que, a partir de 2005, as empresas que completem dois exercícios consecutivos com capitais próprios inferiores a metade do seu capital social sejam obrigadas a encerrar.
Segundo um estudo da Dun & Brastreet, se esse critério fosse aplicado no presente ano, 2820 empresas portuguesas teriam de fechar portas. Por outros números, de um universo de 21253 de empresas que já entregaram as suas contas, 13% teriam de abrir o processo de falência.
Fazendo uma extrapolação, e se aplicássemos o mesmo critério aos estados, Portugal teria de abrir falência, uma vez que o correspondente aos capitais próprios das empresas, a Dívida Pública, ultrapassa os sessenta por cento do PIB (o mesmo que os capitais próprios das empresas). A única consolação é que não estaria sozinho: todos os países do mundo abririam falência, com a excepção dos países nórdicos.
Não há por aí uns marcianos que queiram comprar isto?
Carlos Malmoro
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26 junho 2004
Os Historiadores e os Jornalistas
O erro no Exame Nacional de História, que atribuía a autoria de um texto de Ramalho Eanes a Costa Gomes, foi explorado pelas televisões com um certo snobismo intelectual, de tipo populista, daquele que afirma, chocado, que até os professores de História de Portugal não sabem a História do nosso país.
O pior foi o rodapé da SIC que, em relação ao mesmo assunto, afirmava que: «Costa Gomes trocado por Ramalho Eanes!». Como se pode ver pelo título, se temos historiadores que não sabem a nossa História, também temos jornalistas que não sabem a nossa gramática, porque, como é de fácil depreensão, a ideia que o título contém faz passar a informação contrária ao acontecimento. Correctamente, o título deveria ser: «Ramalho Eanes trocado por Costa Gomes!»
Uma última nota: reparem no ponto de exclamação para melhor projectar o escândalo. Deixo uma sugestão: coloquem dois pontos de exclamação: um para a argolada dos historiadores que não sabem História e outro para os jornalistas que não sabem escrever uma frase com seis palavras.
Carlos Malmoro
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11 junho 2004
Pianadas
Num primeiro momento, existiu um filme com o nome «O Piano». Foi aclamado um pouco por todo o mundo. Depois, estreou-se «A Pianista», um filme premiado em Cannes, e também ele um sucesso. No ano passado, o filme «O Pianista», de Roman Polanski arrebatou o Oscar para Melhor Filme. Agora, aqui na nossa vizinha Espanha, um dos best-sellers do momento denomina-se «El Afinador de Pianos».
Será que os autores já esgotaram o seu imaginário musical sobre este instrumento de cordas ou ainda vamos ter que assistir à Première do filme “«O Afinador de Pianos» que Pianou «A Pianista» n’«O Piano» d’«O Pianista»”.
Carlos Malmoro
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Prof. Sousa Franco
No país do «prontos», do consumismo desenfreado, do atropelar tudo e todos para se alcançar os objectivos, das quatro horas diárias de tele-lixo por habitante, da elevação de centros comerciais a santuários de peregrinação dominical e dos estádios a catedrais de catarse colectiva, dos carros comprados em 120 prestações e dos telemóveis sempre a tocar, do viver acima das possibilidades, no país com a mais alta taxa de abandono escolar e com os mais baixos níveis de leitura da Europa, no país dos sorrisos pela frente e das críticas pelas costas, no país em que se atropelam convicções para conquistar remunerações; para um país como este, é mais indispensável para o seu destino a existência de pessoas como o Dr. António Sousa Franco do que a realização de três ou quatro Euro’s.
Carlos Malmoro
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Os dólares da morte
O relatório do Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz de Estocolmo (Sipri) revela que, em 2003, foram gastos 956 mil milhões de dólares na compra de material bélico em todo o mundo. E que este valor representa um acréscimo de 11% relativamente ao ano anterior.
O mesmo documento denuncia que o maior gastador são os EUA com 47% do bolo total (cerca de 450 mil milhões de dólares), e que o maior importador, e o segundo do ranking dos gastadores, é a China com um total de 13% das importações (aproximadamente 125 mil milhões de dólares) seguido do Japão com 5% dos gastos(48 mil milhões de dólares). O relatório denuncia ainda que 5 países ricos foram responsáveis por 75% dos gastos militares.
Se compararmos estes números com o total de ajuda concedida para o desenvolvimento mundial, chegamos à pragmática conclusão que os países mais ricos investem cerca de dez vezes mais nos seus arsenais bélicos do que no apoio aos países subdesenvolvidos.
Porém, a questão ainda se torna mais vergonhosa quando países que ainda não têm um desenvolvimento económico minimamente consolidado, como a China, gastam o seu orçamento a comprarem armas em vez de o canalizarem para programas de desenvolvimento interno sustentado, infra-estruturas de apoio social, etc.: é preciso não esqucer que a pneumonia atípica surgiu na China por falta de condições de salubridade.
Carlos Malmoro
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O Apócrifo Combate
Pelo menos quarenta navios mercantes em circulação são controlados por Ussama Ben Laden. Esta revelação é feita pelo repórter William Langeviesche, colaborador da revista «Atlantic Monthly», no seu mais recente livro «The Outlaw Sea». Nele, o autor descreve como através do registo de uma embarcação nos off-shores, ela ganha direito à bandeira de «conveniência» desse mesmo país, normalmente pequenos arquipélagos perdidos no meio dos oceanos. Para quem não o saiba, como eu não o sabia, um barco com uma bandeira do país A que está atracado num porto do país B, só pode ser revistado mediante autorização do país A, e o seu interior é considerado território do país A.
Assim sendo, não é difícil de adivinhar de onde vem o dinheiro para sustentar a Al-Qaeda e, assim sendo, se um dia um barco entrar por um porto ocidental dentro, cheio de explosivos, e marcar mais uma data do nosso calendário a sangue, os senhores que nos governam que não nos venham dizer, uma vez mais, que tudo fazem para combater o terrorismo.
Combatem-no quando não existem interesses económicos: a passagem do presidente da Líbia, M. Kadhafi, de terrorista responsável pelo atentado que mais vítimas mortais provocou na Europa, o atentado contra o Boeing da Lockerbie que fez mais de 250 mortos, a democrata, prova-o plenamente. É que esta mudança repentina só aconteceu por uma de duas razões: ou porque o petróleo está muito caro e convém encontrar «aliados» que o forneçam a bom preço, ou porque a Líbia está a desenvolver-se rapidamente e existem contratos de biliões de dólares que não podem ser perdidos. Embora eu me incline para a junção dos dois motivos…
Em qualquer dos casos, as pessoas inocentes, ainda e sempre pessoas inocentes, que morreram naquele dia, jamais verão a sua morte minimamente justiçada, nem que fosse com o simples julgamento desse senhor num qualquer tribunal internacional dos direitos humanos.
Carlos Malmoro
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Paradoxo
Um belíssimo livro de Ana Marques Gastão, chamado Nós / Nudos, publicado pela Gótica, contém 25 poemas sobre 25 obras de Paula Rego. É um excelente tratado de como as palavras podem complementar as imagens, neste caso com as pinturas da nossa mais internacional artista plástica.
Agora que está feito o elogio da obra, que aconselho, uma coisa não entendo na autora. Aquando do seu lançamento, há cerca de um mês, numa entrevista ao Diário de Notícias, Ana Marques Gastão referia que nunca desejou que os seus poemas «tocassem» as imagens de Paula Rego, mas antes que caminhassem paralelas. Até aqui tudo bem: é uma perspectiva como todas as outras. O que já é mais estranho é que a mesma autora, nesse mesmo dia, tenha dito no programa «Magazine», sobre o mesmo livro, que pretendeu que os poemas encontrassem as pinturas de Paula Rego como que se de intercepções se tratassem. Afinal, em que é que ficamos: paralelismos ou intercepções?...
Talvez seja este um daqueles casos em que se prova que a pior pessoa para falar acerca de uma determinada obra é o seu criador.
Carlos Malmoro
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Carlos Malmoro
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Da liberdade de Imprensa
Um conflito que opôs o director do Público à editora de Política do mesmo jornal originou que fosse retirado um texto que punha em causa a credibilidade da ministra das Finanças do alinhamento do jornal, sabendo-se agora que esse texto já estava paginado, isto é, pronto para entrar nas rotativas.
Já tínhamos tido notícias que dois jornalistas tinham sido «dispensados» por tentarem publicar uma notícia em que punham em causa certos métodos menos transparentes que a Sonae, empresa detentora do referido título de imprensa, praticava nos seus negócios.
Ainda bem que existe liberdade de imprensa para que os jornalistas possam investigar e informar-nos acerca do que acontece no país e no mundo…Mas, claro, desde que não se metam com o poder político ou económico. Era o que mais faltava!
Carlos Malmoro
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Desesperança
Em Bnei Brak, um bairro de Telavive, em Israel, um tribunal religioso decretou que homens e mulheres têm de caminhar em passeios separados: os homens têm de caminhar no passeio do lado poente da rua e as mulheres no lado nascente. Esta decisão justifica-se para manter os «bons costumes» na rua onde vive o rabino Moisheh, o guia espiritual da comunidade ortodoxa daquela zona.
Com este tipo de mentalidade não me surpreende que a Paz nunca mais chegue para aquelas bandas. Se é o próprio povo de Israel que sofre na pele os preconceitos religiosos ditados pela comunidade judaica ultra-ortodoxa, e que ainda tem de pagar impostos para que essa comunidade de «iluminados» possa continuar a ter mais privilégios que a população israelita em geral, como se conseguirá chegar a um acordo de Paz com um Estado vizinho que professa uma outra religião?
A resposta é triste mas verdadeira: não se consegue!
Carlos Malmoro
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A 200 à hora, a beber vinho e a falar no telele
Durante uma viagem de comboio entre o Coimbra e Faro, Durão Barroso, enaltecendo as vantagens do comboio como meio de transporte rápido e cómodo, perguntava aos jornalistas: «Qual é o meio de transporte em que podemos ir a 200 Km/h e a beber um bom vinho?».
Esta pergunta revela que o Primeiro-ministro não tem um profundo conhecimento do país e do povo que governa, porque, se o tivesse, saberia que os portugueses conseguem-no de carro e a falar ao telele… Era só sair do comboio e dar um pulo à A1 ou à A2. Mas sem batedores…
Carlos Malmoro
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Há dias que valem a pena
Há Dias Que Valem a Pena
Eu sei que todos os suspeitos são presumíveis inocentes até trânsito em julgado de uma sentença em sentido contrário. Eu sei que a muita água, isto é, muito barulho na comunicação social, vai “correr” antes de se comprovarem as suspeitas que recaem sobre eles – se é que alguma vez se chegará a provar algo. Eu conheço aquele provérbio inglês que diz que “cem coelhos não fazem um cavalo e cem suspeitas não fazem uma prova”. Mas sabe bem, sabe mesmo muito bem, depois de anos e anos de suspeições lançadas pelos próprios, de acusações cobardes na comunicação social, que posteriormente não tinham o respectivo e indispensável encaminhamento para os Órgãos que administram a Justiça em Portugal, e depois de centenas de incriminações apócrifas, sabe mesmo muito bem chegar a casa, ligar a televisão e constatar que muito peixe graúdo do futebol, da arbitragem e alguns vereadores municipais foram presos. Nem que seja por um só dia ou por umas horas… Há dias que valem a pena e que até se pensa que este país ainda tem emenda…
Carlos Malmoro
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13 abril 2004
Concorrência Monopolista
Belmiro Azevedo afirmou recentemente que, se o Governo não mudar de estratégia, está a considerar deixar o País e estabelecer os seus negócios noutra nação. Também disse que está de costas voltadas com o ministro da Economia, já lhe tendo dito mesmo, cara a cara, que não voltaria a falar com ele.
O caricato da situação de um empresário particular, numa economia de mercado, aberta, concorrencial, com regras bem definidas para todos, presumir-se no direito de coagir um Governo de um país a mudar de estratégia política por sua causa, é revelador do corporativismo e caciquismo que ainda grassam na sociedade portuguesa, e, como este exemplo demonstra à saciedade, nas mentes dos nossos competitivos empresários, que se julgam D. Sebastiões da retoma económica aos quais todos os caprichos devemos vergar...
Mas, o que eu gostava mesmo de saber era o país que ele tinha em mente para transferir os seus negócios...
É que, sinceramente, não estou a ver nenhum outro país onde os grandes grupos privados negoceiem, directamente e por ajuste, os impostos que têm de pagar sobre os seus “rarefeitos” lucros, em vez de se subjugarem à Lei que, como toda a gente que tem umas luzes de Direito sabe, gozam da faculdade de serem gerais e não particulares…A não ser, claro, num país da África Sub – Sahariana, da Ásia das Monções ou da América do Sul.
Carlos Malmoro
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La Culture
Gao Xingjian, o escritor chinês refugiado político em França, vencedor do Prémio Nobel em 2000, não foi convidado para o Salão do Livro em Paris. Ao que tudo indica as pressões das autoridades oficiais chinesas sobre o governo francês para o «esquecerem» foram bem sucedidas.
É que a França está ansiosa por ter um maior acesso ao mercado chinês, ou seja, a um mercado de mil milhões de consumidores, e isso, como comprova a decisão de afastar uma voz dissonante da política oficial de Pequim, vale mais que toda a retórica de igualdade, liberdade e fraternidade e da aposta na cultura, com que os governos franceses tantas vezes enchem os seus discursos.
No meio disto tudo, só tenho pena do escritor Gao Xingjian que, na altura em que recebeu o Nobel, foi utilizado como bandeira de propaganda da política oficial francesa para os refugiados políticos, e agora está novamente proibido de manifestar os seus ideais, como pensou que o poderia fazer quando decidiu abandonar a China natal e rumar a um país com «liberdade de expressão».
… C´est la Culture…
Carlos Malmoro
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01 março 2004
Uma tigela de endoesperma matinal
Na embalagem dos flocos de cereais que eu habitualmente tomo ao pequeno-almoço, vem anunciado, com toda a pompa e circunstância e em letras garridas, que aquele produto é elaborado com «cereais integrais». Na contracapa da referida embalagem, explica-se que «cereais integrais são aqueles em que se utilizam todas as partes do grão», e que a referida marca «utiliza todas as camadas saudáveis dos grãos de cereais: o gérmen (parte interior), o endoesperma (camada do meio) e o farelo (capa exterior). (…)» A situação é tão delirante que até recorrem a uma pequena infografia para melhor demonstrarem onde se situa o endoesperma nos cereais… Quanto ao nível de ridículo a que a publicidade nutritiva pode chegar para promover os produtos, acho que este exemplo fala por si mesmo, porque é denunciativo de um novo tipo de fanatismo: o da ditadura das coisas pretensamente saudáveis e naturais. Nem que para isso se tenha que apregoar uma sandice como a que está implícita na mensagem: a de que o endoesperma cerealífero é a melhor forma de se começar o dia…
Bem, o leite já está a ferver, agora vou comer uma boa tigela de endoesperma para ter energia, vitalidade e nutrientes suficientes para o meu corpinho aguentar um dia que se me adivinha complicado…
Haja paciência, muita paciência…
Carlos Malmoro
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05 fevereiro 2004
Precauções de um blogger
A Relate, uma ONG de aconselhamento matrimonial no Reino Unido, divulgou um relatório em que afirma que a Internet é responsável por um em cada dez divórcios nesse país.
Bem, depois de ler isto, deixo o comentário ao vosso cuidado, e vou mas é ter com a Maria para entretermo-nos mutuamente e assim precaver o agravamento das estatísticas da Relate, quando esta se decidir a fazer um estudo destes em relação a Portugal…
Carlos Malmoro
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02 fevereiro 2004
A sucessão
Anabela Mota Ribeiro afirmou que «não sinto que sucedo a Carlos Pinto Coelho». Deve ser a única neste país a ter tal sensação. Como muito bem sabemos, o «Magazine» é uma coisa completamente diferente do «Acontece». O primeiro é um telejornal diário de cultura, o segundo também; ambos têm uma duração de aproximadamente meia hora; ambos transmitidos por volta das 21 horas, ambos compostos de notícias culturais do dia e de reportagens mais reflexivas e, finalmente, ambos difundidos na mesma frequência, mas que agora tem o nome pomposo de «2:». Como podemos observar são apenas coincidências, e é claro que o «Magazine» não se trata de um remendo para emendar a mão de se ter acabado extemporaneamente com o «Acontece». Eu tenho mesmo a ousadia de fazer notar que eles representam um paradoxo, uma antinomia, uma antítese entre eles…agora sem ironias: um pouco mais de honestidade intelectual não faria mal a ninguém, principalmente às poucas boas jornalistas que ainda vamos tendo.
Carlos Malmoro
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18 dezembro 2003
A BOA COMUNICAÇÃO - SILOGISMO
Os militares da GNR - BT acusados de corrupção e favorecimentos a certos empresários algarvios, e que estão a ser julgados no tribunal de Albufeira, realizaram setenta e sete mil chamadas, em três meses, para combinarem os esquemas com os seus corruptores.
Tomando por base esta premissa, e sabendo nós que o Governo Português está com dificuldades de comunicação com os portugueses ( segundo os mais variados, insuspeitos e prestigiados comentadores), venho por este meio propôr ao Governo Português para pôr os olhos naquelas máquinas comunicacionais que são os os citados agentes da Brigada de Trânsito, e tranferir todos os gabinetes de Relações Públicas para as mãos daqueles bravos homens, que tanto dinheiro deram ao Estado nos impostos que pagavam sobre a miríade de telefonemas que efectuavam.
Carlos Malmoro
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Hipocrisia
Os melhores - e mais bem pagos - jogadores de futebol do mundo realizam amiúde jogos de futebol com as receitas a reverterem para o combate à fome e à miséria. Mas são esses mesmos jogadores que sempre que têm de negociar os seus contratos, impõe cláusulas onde os seus milionários prémios de jogo têm de ficar isentos de impostos, acabando assim por fazer as pessoas mais desfavorecidas da sociedade pagarem mais impostos. É a chamada hipocrisia desportiva.
Carlos Malmoro
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03 dezembro 2003
Proporcionalidade Inversa
A cantora, ex – Spice Girl, Victoria Beckham, mulher do jogador do Real do Madrid com o mesmo nome, deu uma entrevista à BBC, onde revelou que está a aprender espanhol. Solicitada pelo entrevistador a dizer uma ou duas frases em espanhol que já tivesse aprendido, ela respondeu que, por enquanto, ainda só sabia dizer duas frases: «Onde fica a Gucci?» e «Tem um Bentley?». Chama-se a isto proporcionalidade inversa: quanto mais fama se tem, menos inteligência; quanto mais dinheiro, menos cultura; quanto menos necessidades, mais estupidez e quanto menos contacto com a realidade quotidiana, mais imbecilidade.
Carlos Malmoro
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O maior, e Mais Caro, Pão do Mundo -
Viseu entrou para o Guiness com o maior pão do mundo – 402,5 metros de comprimento, pesando mais de quatro toneladas.
Deixo aqui uma proposta aos senhores de Viseu que vão registar o recorde: por que não registar também o maior aumento de pão do mundo, em relação à inflação prevista: 35% de aumento, para uma inflação prevista de 2,5%; uma diferença de 1400%!!! (leram bem, mil e quatrocentos por cento!!!!!)
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Justiça Injusta
A ministra da Justiça doou equipamentos de vídeo-conferência e videotelefone aos tribunais de Cabo Verde. Na ocasião, afirmou que «Uma Justiça só é justa se for rápida.» Das duas uma: ou os cabo-verdianos vão passar a dispor da «celeridade» da Justiça Portuguesa, ou então, e isto é o que penso, a Justiça em Portugal é injusta, pelas razões que a própria ministra advogou.
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Sacred Love
No videoclip de Sting, Sacred Love, as pessoas que caminham pelas ruas da cidade, em direcção aos seus empregos, vão com os rostos graves e fechados. Imprevisivelmente, uma criança sai-lhes ao caminho e abraça-as. Surpreendidas, as pessoas se num primeiro momento estranham, depois deixam envolver-se e retribuem o abraço. O que depois acontece é que as pessoas começam a abraçar-se umas às outras.
Esta ideia, embora aprazível, padece de duas pechas: a primeira, é que este tema já tinha sido desenvolvido no vídeo dos R.E.M, Everybody Hurts, mas de uma outra perspectiva: o que acontecia é que as pessoas começavam a abandonar os carros cansadas que estavam de esperar num gigantesco engarrafamento, que poderia acontecer em qualquer das nossas grandes cidades. A outra, e a mais importante, é que somos demasiadamente egoístas para partilhar um bom momento. De facto, se semelhante encontro acontecesse com qualquer um de nós, tenderíamos a guardá-lo como uma boa recordação que nos sucedeu num dia cheio de stress, e continuaríamos o nosso caminho, ainda com mais preocupações, visto que o abraço do miúdo nos tinha atrasado.
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20 novembro 2003
O imperscrutável peso da vida
“Húmus”, de Raúl Brandão é, antes de mais, um romance completo. Afirmo-o com a convicção de quem leu um romance de amplitudes incomensuráveis, em que, por exemplo, existe uma personagem com tanta ternura e inocência, Joana, que várias vezes acercou-se do meu pensamento a “Joaninha dos olhos verdes” das “Viagens...”, de Almeida Garrett., mas em concomitância fatídica com as angústias existenciais do Homem - Deus, a Vida, a Morte, o Bem, o Mal - bem como, com toda a incompreensão para com os absurdos endógenos à sua existência.
Um livro que se inicia com esta frase: «Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste.», e termina com este apelo: «É preciso matar segunda vez os mortos.», nunca seria, por certo, um livro despiciendo . Porém, raras ou nenhumas vezes, no século passado, um livro conseguiu ser tão inovador no conteúdo, tão revolucionário nas formas narrativas e tão inventivo estética, estilística e metaforicamente como este “Húmus” o foi na época em que foi lançado (1917).
Com uma estrutura diarística, o romance tem como espaço uma vila, condensada em meia dúzia de personagens de carácteres esbatidos, que decadentemente aceitam os preceitos estabelecidos, mas que se transfiguram noutras personagens, através da introdução da técnica narrativa do jogo de espelhos. O tempo narrativo é entrecortado por «viagens» pela alma humana, primordialmente nos capítulos apelidados de «Os Papéis do Gabiru» - tendo em linha de conta que “Gabiru” não é mais que um alter-ego do Autor. Não existe linearidade narrativa, mas sim a descontinuidade, sendo este um dos pontos que iria revolucionar estilisticamente o romance moderno, assim como as temáticas de índole existencial que preenchem o romance tornam-no em percursor do Existencialismo (passe o leve anacronismo, pois, segundo as Convenções, o Existencialismo só foi fundado por Sartre, com “A Náusea”, e este livro só foi publicado em 1938).
O ponto forte do livro, se bem que não existam pontos realmente fracos, é a simplicidade genial e mesmo aterradora com que Raúl Brandão desnuda a alma humana: «Pior que sofrer – é não sofrer – para sempre. É nunca mais sentir (...) é o silêncio absoluto». Depois: «Para ele tanto vale um segundo como um século...Que outra coisa fizeste senão esperar a morte?», «Ver para não ver, ouvir para não ouvir, viver para morrer». Mais, e acerca das personagens de fachada da vila: «O que lhes custa mais perder não é a vida, são os hábitos(...), a outra existência falsa acabou por os dominar».
Ao longo de todo o texto, o autor revela-nos, de modo singular, a precariedade da nossa existência: «Se a vida é um momento entre o nada e o nada, o que vale a pena é aproveitá-lo», «O problema capital da vida é a morte», «A vida gera morte – a morte gera vida» ou «Nunca o acaso viu nada tão monstruoso e tão grotesco como a isto que se chama vida». Do mesmo modo, o livro problematiza as temáticas metafísicas nos moldes que penso que elas devem ser colocadas: a existência – ou não existência - de Deus nas nossas consciências tolda-nos os actos: «Se Deus não existe não há força que me detenha. Não há palavras, nem regras, nem leis. Tudo é permitido», «Se Deus existe, eu sou um homem – Se Deus não existe eu sou em homem completamente diferente». Continuando ainda nestas questões intrínsecas da existência, Raúl Brandão sublinha também a dimensão volátil da alma: «A alma (...) é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluído envolve a matéria.», para, no seguimento lógico, concluir: «O amor não é senão a impregnação desses fluídos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível.» Ou seja, a alma é uma campo de forças que ora atrai as outras almas, e nesse caso emana amor, ou rejeita essas mesmas almas, e nesse outro caso, desperta ódios.
O livro é todo ele um tratado exemplarmente bem conseguido: a matiz decadente da Vila, que se confunde com a Vida: «A Vila é um simulacro. Melhor: a Vida é um simulacro», «...aqui se enterram os sonhos», o murmúrio perene das personagens fantasmagóricas: «O nada à espera...», «- A Religião sem Inferno está perdida», «O mundo é feito de dor – a Vida é feita de ternura», «O que eu sinto é não haver dor eterna (...) o Inferno em lugar do Nada»; e, principalmente, a inenarrável falibilidade do Indivíduo: «Eu sou um desconhecido para mim mesmo.», «Ninguém quer achar-se frente a frente com o seu próprio fantasma,...», «Não me compreendo nem compreendo os outros...», «Cada vez fujo mais de olhar para dentro de mim mesmo. «É só sonho, é sonho estreme e dor estreme», «Eu sou os mortos...»; mas onde também existe lugar para a esperança, para os matizes oníricos e feéricos: «Mas o Inverno é sonho (...) sob esta casca ressequida está uma Primavera intacta.», Ser só e livre e encontrar-me..., que alegria frenética.», «O único mundo real é o mundo irreal.», «O sonho completo é o Universo realizado», «A vida é muito maior pelo sonho do que pela realidade.»; enfim, todo o livro consubstancia as múltiplas alusões e ilusões que per correm todas as densidades da Existência e do Espírito Humano, num livro que embora escrito em 1917, se mantém actual e actuante, fruto da forma sábia e precoce como foram desenvolvidas as temáticas constantes deste precioso volume.
Em resumo: qualquer romancista existencialista não desdenharia ter chancelado este texto, uma vez que nele, não se utilizam as fórmulas mais folclóricas do Existencialismo – e que acabaram por causticá-lo (do género: «....porque eu existo, existo como todas as coisas do céu e da terra, como os animais e as árvores, etc...), mas vai até ao âmago da Existência Humana, numa viagem inclemente, alucinante e perturbadora, porém reveladora, quer da eviternidade da vida enquanto sonho, quer do imperscrutável peso da vida enquanto morte.
O maior elogio que posso fazer a este livro é que fiquei a conhecer-me um pouco melhor.
Autor: Raúl Brandão
Título: Húmus
Género: Romance
Páginas: 222
Classificação 5 / 5
Carlos Malmoro
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18 novembro 2003
Sorry...
Durante cerca de três semanas estive à volta com Contabilidades Analíticas, Cálculo Financeiro e Fiscalidade. Como tal, não se proporcionou o regresso às minhas paixões, em detrimento do cumprimento das minhas obrigações...mas isto já está a voltar ao normal, e, consequentemente, começarei a escrever coisas com mais regularidade. De qualquer forma, sorry....
Carlos Malmoro
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29 outubro 2003
Up Your Ass
O livro «Harry Potter e a Ordem de Fénix» foi lançado no Panteão Nacional, numa grande festa encenando um ambiente de feitiçaria com fumos azuis e brancos, onde supostamente teria lugar uma aula de bruxaria.
O marketing conseguiu assim, desrespeitar a memória de um sítio onde repousam os restos mortais de Almeida Garrett, de Guerra Junqueiro entre outros, e onde existem cenotáfios (túmulos sem conter os restos mortais) de Vasco da Gama, Camões, Infante D. Henrique, entre outra gente de “somenos” importância para a nossa História e Memória Colectivas.
Nunca utilizei linguagem vernácula neste espaço, mas como o ridículo, a estupidez, a boçalidade e a falta de senso têm limites, e neste caso ultrapassaram tudo o que era admissível nesta campanha de marketing, peço encarecidamente aos promotores, aos organizadores, aos membros da editora que não se aperceberam do disparate e, ainda, a quem autorizou tal surrealismo e entregou as chaves, permitindo assim que tal evento se realizasse naquele local, que peguem nas vassouras voadoras e enfiem-nas pelo cu acima!!
Carlos Malmoro
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Segundo um estudo realizado por investigadores franceses, da Direcção de Pesquisa e Estatística, às condições de vida dos idosos, em quatro grandes metrópoles – Paris, Londres, Nova Iorque e Tóquio – uma em cada duas pessoas com mais de 85 anos vive na mais completa solidão.
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Carlos Malmoro
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24 outubro 2003
Absolutamente enojado
Caminhava na avenida paralela ao Rio Lima, em Ponte de Lima. Eram 13:05. Do rio evanescia uma neblina a anunciar que aquele era, de facto, o 1º dia de Inverno. A neblina não tocava no leito do rio: deixava um interstício ténue de claridade. Era hora do almoço. Nas tasquinhas, nos restaurantes, nas pizzarias, as televisões mostravam as notícias. Numa primeira casa ouvi a voz do Procurador Geral da República. Uns passos á frente, ouvi o Pedro Namora, ando mais um pouco, e ouço a voz de Ferro Rodrigues, depois do advogado de «Bibi», e á medida que caminhava, a voz de João Nabais, depois a do Bastonário dos advogados, depois de António Costa, depois de Adelino Granja e, novamente, Souto Moura... E as declarações estavam repletas das expressões «Casa Pia», «abuso sexual de menores», «pedofilia», «violação do Segredo de Justiça», «escutas ilegais», e dos nomes próprios «Rui Teixeira», «João Guerra», «Carlos Cruz»..., e ainda escutei vozes iluminadas a comentar este pântano, como se fosse possível ver o interior de um manicómio, através dos seus vidros martelados...
Olhei para o Rio Lima, e pensei que bom seria se eu pudesse pegar nas mãos de todos aqueles de quem eu gosto, e conduzi-los àquele mundo de luminosidade, que tem por terra a água do rio e por céu aqueles breves fios de bruma.
Desconsoladamente, sei-o impossível.
Carlos Malmoro
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Carlos Malmoro
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O Poeta
G. W. Bush dedicou um «belo» poema à sua mulher. Reza assim: “ The Roses are red / and the violets are blue.”
Reparem bem na relação tranquila entre sujeito poético e a realidade explorada; reparem bem no «pathos» poético excelentemente conseguido; reparem bem na complexidade da construção fraseológica, na utilização conceptual de figuras de estilo. Se o Presidente dos EUA consegue ter uma verve deste jaez, então o mundo está em boas mãos.
Carlos Malmoro
P.S. Não acreditem numa palavra daquilo que está escrito no segundo parágrafo.
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Carlos Malmoro
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16 outubro 2003
Inconstitucionalissimamente
Chamar Constituição àquele texto alinhavado sob a batuta do «gaulês» é, no mínimo, inconstitucional.
Carlos Malmoro
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Dúvida
Se "pecado" é um substantivo do género masculino, por que razão os sete pecados mortais são todos substantivos do género feminino? A natureza feminina é assim tão inexorável, tão fatal, tão mortal?
Carlos Malmoro
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09 outubro 2003
Vira-casacas
Nas últimas semanas, 126 deputados brasileiros, 25% do total do Parlamento, mudaram de partido. É uma estratégia que eles usam para poderem concorrer às Eleições Municipais, conforme a tendência do eleitorado duma determinada região, afiançando assim maiores possibilidades de sucesso.
Lá, como cá, como em todo o Mundo: o Poder, para além de corromper, é viciante - é sempre necessário mais e, se possível, de melhor qualidade.
Carlos Malmoro
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17:20
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Uma Brilhante ideia
Está nos escaparates um “livro” que tem a seguinte sinopse: « Stella Madison, subdirectora de Marketing de uma grande empresa, esconde um enorme segredo: a cor dos seus olhos, um azul e outro castanho. Até ao dia em que concebe a brilhante ideia de aproveitar o facto de possuir olhos com cores diferentes para criar uma nova linha de cosmética. E quem melhor do que ela para dar rosto à campanha ?».
O tal livro tem 328 páginas: exactamente 328 páginas sobre a “brilhante” ideia, baseada nos olhos de cor diferente, de utilizar ou não o seu olhar na tal campanha. Para além de se impor a dúvida pertinente se a heroína - ou a autora - nunca teria ouvido falar de lentes de contacto coloridas, uma outra questão se impõe: se a autora considera esta uma trama digna de um livro, ou seja, se isto é o melhor enredo que uma autora consegue arrancar à sua verve, para escrever uma obra de arte? Bem, é que se isto é o melhor, imaginem o “assim-assim” ou o pior. Este livro é daqueles que deveria ser considerado literatura light; chamem-lhe o que quiserem, mas aquilo é tudo, mas tudo, menos literatura - chame-se ela pop ou light ou o raio que os parta. E o mais reles disto tudo é que existe uma editora portuguesa que teve o trabalho de traduzir e colocar no mercado uma vigarice destas, que se denomina por «Não me olhes nos olhos», também ele um título bastante rebuscado, e onde se nota a existência de um autêntico êxtase da imaginação para o encontrar.
Deixo-vos aqui um outro Post sobre as literaturas modernas, perdão, mercantis, que tinha escrito há já algum tempo.
SER OU NÃO SER...
Uma sondagem feita pela livraria Amazon, revela que há mais britânicos que se lembram do enredo do primeiro livro do Harry Potter, 66%, do que aqueles que se recordam da trama de «Hamlet», de Shakespeare, 28%.
A Existência humana está a ficar mais fútil: enquanto há uns séculos a premissa existencial era "Ser ou não ser: eis a questão", hoje, ela é: "Ou ser caixa de óculos e comprar uma vassoura voadora que não voa ou não ser cool: eis o marketing.
Carlos Malmoro
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Carlos Malmoro
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07 outubro 2003
Dia Mundial da Arquitectura
Ontem festejou-se o Dia Mundial da Arquitectura. Infelizmente, também se festejou em Portugal. Digo infelizmente, porque um país que tem arquitectos que passam a vida a projectar mamarrachos que invadem a nossa linha do horizonte, onde edifícios como o prédio Coutinho em Viana do Castelo ou as torres de Ofir conseguiram ter um arquitecto que se disponibilizasse a projectá-los, ou se observa a “excelente” qualidade da Arquitectura Paisagística dos nossos Algarves e das nossas cidades do litoral, não se deveria festejar a Arquitectura, mas antes lamentá-la. É que os Siza Veira’s e os Souto Moura’s deste país são apenas as excepções de génio à Arquitectura de pato-bravo que inunda Portugal que confirmam a regra.
Carlos Malmoro
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Pianadas
Num primeiro momento, existiu um filme com o nome «O Piano». Foi aclamado um pouco por todo o mundo. Depois, estreou-se «A Pianista», um filme premiado em Cannes, e também ele um sucesso. No ano passado, o filme «O Pianista», de Roman Polanski arrebatou o Oscar para Melhor Filme. Agora, aqui na nossa vizinha Espanha, um dos best-sellers do momento denomina-se «El Afinador de Pianos».
Será que os autores já esgotaram o seu imaginário musical sobre este instrumento de cordas ou ainda vamos ter que assistir à Première do filme “«O Afinador de Pianos» que Pianou «A Pianista» n’«O Piano» d’«O Pianista»”.
Carlos Malmoro
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06 outubro 2003
O Movimento Monárquico
Ontem, dia 5 de Outubro, reuniram-se uma vez mais os monárquicos como forma de reivindicar o regresso da monarquia como sistema organizativo do Estado Português. Para além da aderência maciça dos cidadãos a estes eventos, onde chegam a comparecer 20 pessoas, o mais caricato destas manifestações são aquelas vozinhas de Zés Cabras a entoarem o hino da Maria da Fonte. Defendam lá os vossos ideais, mas não provoquem poluição sonora.
Um pouco mais a sério: uma das principais razões porque eles defendem o regresso da monarquia, é que , segundo eles, não existe maior garante da independência nacional em relação a Espanha que a existência de um Rei de Portugal. Ora, não existe nada de mais errado: como se em visto amiúde por essa Europa fora, as Casas Reais têm por costume cruzarem-se entre elas. Ou seja, possivelmente, daqui a umas gerações, teríamos de aturar um Rei das Casas Reais espanholas, devido aos estragos que um príncipe português poderia fazer na realeza espanhola.
Mais vale que continuemos com um Presidente da República, democraticamente eleito por sufrágio universal, e que, segundo a Constituição Portuguesa, só pode ter como seus progenitores pessoas de cidadania portuguesa.
Carlos Malmoro
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02 outubro 2003
Haja Paciência
Os comentadores económicos e os empresários portugueses, quando o Euro vale mais que o Dólar, lamentam-se que a moeda única é um entrave às nossas exportações; quando se verifica o contrário, carpem mágoas que as importações petrolíferas encarecem e, consequentemente, o custo da energia sobe.
Quando existir um único comentador que diga a verdade completa, sem optimismo naif , mas também sem litanias da desgraça, informo-vos. Um só que nos diga que, quando o Euro vale mais que o Dólar, representa uma barreira às nossas exportações, mas também embaratece o custo da energia, pelas razões acima mencionadas, e que quando se verifica contrário dessa preposição, ao mesmo tempo que agrava o custo da energia, dinamiza as exportações para fora da UE. Haja paciência!
Carlos Malmoro
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A Mudança de Hora
A mudança de hora, para coincidir com o fuso horário do centro da Europa, não beneficia ninguém: nem empresários, nem empregados, nem estudantes, nem os pais destes, vai provocar o descontrolo do relógio biológico das crianças, crianças estas que, se hoje em dia, já têm de sair para a escola de noite, com a entrada do nova hora, passarão a ir de madrugada, com os compreensíveis estragos no nível de concentração e de apreensão de conhecimentos.
Por que razão existem certas medidas que não beneficiando ninguém insistem em ser adoptadas por governos, quase como masoquismo legislativo?
Por que razão os governos querem fazer-se passar por instituições visionárias que pretendem iluminar estes pobres coitados membros da plebe?
Que manifestem a sua autoridade noutro sítio: não nos embaracem mais as nossas vidinhas; elas já são intrinsecamente complexas.
Carlos Malmoro
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01 outubro 2003
Cínzeos comentadores
Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Miguel Sousa Tavares e Manuel Maria Carrilho: a todos escutei na semana passada. No meio de tanto comentário, nem uma ideia nova, nem um prisma diferente de apreciar a actualidade, nem uma análise desviada um milímetro da cartilha do Bloco Central. Os comentários destes senhores deveriam ser transmitidos a preto e branco, para condizer adequadamente com o matiz cinzento das suas crónicas politicamente correctas.
Carlos Malmoro
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