14 agosto 2005

Participação Cívica

Pacheco Pereira, agora que o Governo é PS,está a dedicar uma grande atenção e um grande empenho em discutir os fogos. Ao consultarmos os arquivos do Abrupto, não encontramos esse empenho quando o PSD, principalmente com Durão Barroso como PM, era poder.
Carlos Malmoro

28 maio 2005

Wassily Kandinsky.The Blue Rider

15 maio 2005

Se...

Este texto era para ser enviado para um jornal quando ainda fazia sentido, isto é, há cerca de 10-11 meses. Porém, e por motivos vários, entre os quais se contam a infinda desorganização de quem mantém este tasco, ficou perdido nos meus papéis. A carta consistia numa paráfrase ao poema «If» de Rudyard Kipling, e rezava assim:


«Se Durão Barroso sair para a Comissão Europeia, se Santana Lopes subir a Primeiro-Ministro, se o Presidente da República aceitar esse nome, e assim desvirtuar todo o sistema democrático, porque embora o partido mais votado fosse o PSD, foi-o em nome de um Programa de Governo encabeçado pelo por um determinado líder, se tivermos que aturar os dislates de Santana por dois anos e os do seu séquito de santanetes, se a política seguida por Santana for anti-europeísta e populista – como não o ser?... –, Se os dois anos de sacrifícios dos portugueses forem esbanjados em nome da alimentação de clientelas, se tudo isto for acompanhado de muita demagogia própria de quem disse que se afastava da política por um sketch televisivo, pela ignorância cultural de quem afirmou que Mário de Sá Carneiro era o poeta da Arrábida, e não Sebastião da Gama, que disse que gostava dos violinos de Chopin e que endereçou uma carta de agradecimento ao escritor brasileiro Machado de Assis, quando este já faleceu há cerca de 100 anos; então, meu filho, peço-te para saíres de Portugal: só assim poderás ser um Homem.»


Ainda bem que não o enviei: ter razão antes do tempo implica fazer juízos de valor à priori das acções. Mas também não era preciso ser-se um geniozinho para ter razão antes do tempo neste caso, pois não? …
Carlos Malmoro

12 maio 2005

Pôr-do-Sol

Esta foto de José Campos Roja, intitulada Cae-el-Sol, revela-nos que essa hora mágica do dia provoca uma doce melancolia nas cidades. A mesma doce melancolia que geralmente associamos a esse momento do dia quando é passado à beira-mar, no campo ou nos pinheirais... Carlos Malmoro


25 abril 2005

Completo.

24 abril 2005

Comentando Comentários

«Ser deputado está a ser muito bom. Muito trabalho? Quem quiser fá-lo, mas quem não quiser fazer nada também passa despercebido, sem problema.» Nuno da Câmara Pereira - TV 7Dias
A bem da Nação, pede-se encarecidamente a este senhor que nada faça e, se não for pedir muito, que nada cante. A Nação agradece. C.M.
«Ninguém entra na Rádio Renascença sem vir ao que chamamos de "confessionário".» Magalhães Crespo, vice-presidente da Rádio Renascença - 24 Horas
E isso é uma ameaça ou um convite malandrinho? C.M
«Não acredito que o BES [Banco Espírito Santo] seja beneficiado só porque um ministro foi seu quadro.» Ricardo Salgado - Jornal de Negócios
Pois, como é que é mesmo aquele ditado espanhol? Eu não acredito em bruxas, pero que las hay... C.M
«As lideranças personalizadas conduzem frequentemente a uma crise de sucessão» Anacoreta Correia - Visão
É uma daquelas verdades que nem monsieur La Palisse diria melhor.
Carlos Malmoro

10 abril 2005

Algures, num bar de Braga, vê-se isto

Ah, conheço perfeitamente...

«E António Borges?
Uma pessoa que está afastada do país e da política cai de pára-quedas e apresenta-se como um iluminado? Falta-lhe o percurso e as características. António Borges ainda tem muito para aprender.»
Esta resposta é de um conhecidíssimo político, numa entrevista que deu ao Independente, que perante ele, Mário Soares, Cavaco Silva, Álvaro Cunhal ou Freitas do Amaral são pessoas totalmente desconhecidos, daquelas que, depois de ouvirmos pronunciar os seus nomes, perguntamos: «Quem?...».
Este reputadíssimo senhor chama-se Jorge Bleck!
Carlos Malmoro

06 abril 2005

O Carinho é um Direito dos Trabalhadores!

Estava eu no remanso do meu lar, num Sábado ou Domingo ao fim da tarde, quando vejo esta notícia na televisão: «Jogador X quer sair do seu clube porque não se sente acarinhado.» Confesso que pensei que tinha ouvido/visto mal: estava quase a adormecer e poderia ter confundido a notícia.
Mas não. Lá estava a passar no rodapé (naqueles rodapés que deveríamos esconder dos nossos filhos se ainda temos uma réstia de esperença que eles venham a saber escrever em português) a dita cuja, confirmando que o que ouvira não tinha sido uma mistura de várias notícias.
O mais caricato ainda foi a reacção do clube: emitiu um comunicado a dizer que nutria bastante carinho pelo jogador em questão.
Não vou perder muito tempo a comentar a situação, porque, neste momento, estou a numa fila para preencher papéis para o desemprego depois de ter dito ao meu patrão o seguinte:
- Sr. Y, eu não me sinto acarinhado nesta firma, e penso que dar carinho é um dos deveres do patrão e, consequentemente, quero sair!»
Pensava eu que ele iria emitir um comunicado semelhante ao do clube do jogador, mas o sr. Y disse pura e simplesmente:
"Tem toda a razão, Sr. Carlos: aqui você não está a ser acarinhado e, consequentemente, sugiro-lhe que se mude depressa!"
Carlos Malmoro

27 março 2005

Deposição

Telhados de Vidro

Esta afirmação foi proferida por Pedro Rolo Duarte, no Editorial do Diário de Notícias, no sábado, 26 de Março. Ela reporta-se a uma notícia que faz a primeira página desse dia, segundo a qual, existiria uma milícia em Viseu que tinha por fim atemorizar os homossexuais. É certo que a homofobia se sente mais nos meios isolados do que nas grandes cidades. Porém, e embora a notícia seja uma prova disso mesmo, a ilustração que acompanha a referida notícia - que se presume ser feita por um designer vanguardista, moderno, urbano e não-homofóbico - transmite-nos todos os clichés, preconceitos e ideias feitas que o mais homófobico dos seres tem em relação aos homossexuais. A saber: 1 - Os homossexuais frequentam as casas de banho públicas para engatar e não para fazer as suas necessidades; 2 - Os homossexuais são pessoas pouco entroncadas, ou seja, efeminadas; 3 - Os homossexuais têm sempre aquele corte de cabelo à la José Castelo Branco, isto é, têm aparência de bichas.
Deixo-vos com a ilustração que acompanha a notícia. Não sei porquê, mas se o ilustrador não é da referida milícia de Viseu, deve ser de alguma com semelhantes propósitos de Lisboa.

Carlos Malmoro

25 março 2005

A Dança da Lua


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Moondance - Janet Treby
Carlos Malmoro

21 março 2005

Admirável Mundo Triste

«Everybody knows the dice are loaded
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed:
The poor stay poor, the rich get richer
That's how it goes, what everybody knows.»...
«Everybody Knows» Leonard Cohen & Sharon Robinson

Este excerto é de um poema de Leonard Cohen, escrito há trinta anos. Isso torna-o simultaneamente admirável e triste. Admirável, porque conseguiu manter a sua actualidade passadas que estão três décadas da sua génese; triste, porque as afirmações contidas nos três últimos versos, são e estão cada vez mais verdadeiras.
Carlos Malmoro

Mais do mesmo?...

Governo promete consolidação e transparência das contas públicas.
Mas aonde é que eu já ouvi isto?...
Carlos Malmoro

18 março 2005

...e agora, Herberto Hélder:

«As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras.»


P.S.: Uma Verdade destas não se comenta: contempla-se!
Carlos Malmoro

O Génio de Gaudí II...

...ou de como todas as catedrais deviam ser...

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Carlos Malmoro

14 março 2005

O Génio de Gaudí...

...ou de como todos os parques deveriam ser...

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Carlos Malmoro

13 março 2005

Portugal Viciado

Esta notícia do jornal Público, baseada num estudo, vem confirmar aquilo que já se suspeitava: Portugal é um país de vícios.
Temos o vício do álcool que afecta quase dez por cento da população e o vício do tabaco que afecta muitos mais; temos o vício das drogas que afecta cerca de 2% da população e o vício da tagarelice ao telemóvel - 100% da populção afectada; o vício da net, uma imensa minoria, o vício colateral dos blogs, moi, por exemplo, e o vício das quatro horitas de televisão diárias; o vício de comer, ou melhor de encher o bandulho - muitos - e o vício de não comer - poucos, mas cada vez mais; o vício de trabalhar - raro, muito raro - e o vício da preguiça - toda a populção exceptuando as raridades atrás citadas; o vício do café - muitos - e o vício da leitura - considerados animais em vias de extinção; o vício de dizer mal do Estado, mas estar sempre à espera que ele nos resolva todos os nossos problemas - uma imensa maioria - e o vício de parar o carro quando se vê um acidente na estrada - uma imensa e vasta parte população, etc., etc., etc....
Finalmente, existe o maior dos vícios, aquele a que eu chamaria «o» vício de todos os portugueses, sejam eles racionais ou não: o vício de se ter a mania que se é engraçadinho, que tem a sua melhor e mais cabal prova no texto que acaba de ser escrito.
Carlos Malmoro

08 março 2005

Uma História Sem Palavras

Esta é a foto de capa do livro «Terra» que Sebastião Salgado dedicou ao Movimento dos Sem Terra no Brasil. Este álbum do fotógrafo brasileiro consegue atingir aquilo que poucos artistas sabem fazer: através de imagens, ficamos a conhecer o que é, quem compõe e que fins ambiciona o Movimento dos Sem Terra.
É tão poeta o que pinta um fresco com palavras, como o que conta uma história sem palavras.

Terra-Sebastião Salgado

Carlos Malmoro

07 março 2005

Por Esclarecer

Se o «choque tecnológico» for bem sucedido, como será possível baixar o desemprego? Se o trabalho que hoje é realizado por homens passar a ser efectuado por máquinas, como criar os tais 150 mil postos de trabalho?
Eis a dúvida que será esclarecida brevemente...ou dentro de uns quatro anos.
Carlos Malmoro

04 março 2005

O seu a seu dono

Inadvertidamente, a pintura do post anterior ficou sem «dono» e sem nome...
Chama-se «The Boat Studio» e é de Monet.
Carlos Malmoro

Partida-II

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«Partida»-I

Sobre enormes espaços de luz
naufragava Neruda
Naufragava...
Sobre o vinho e o mel dos segredos
Sobre a órbita do coração do povo!
Parte da ida
As imagens lúcidas tornam-se estímulos para a partida
Percorrem todo o corpo beijando a nossa água.
Percorrem todo o nosso ciclo em ápice de luva.
No veludo espesso
da ruga na solidão.
Cada um. Ou quase, tem um gémeo preso
nas teias do encontro
Ama a vida do cais. Parte em muitos barcos. E sente
música nos passageiros mudando
O sono invade a paisagem desfeita de dia
Sinto a noite e é dia
O coral assombra porque é claro.
Isso não que as cores serem ausência mesmo cores.
Trapos coloridos que não se vêm. Só o preto e branco
da instabilidade
Fulcro mecânico do cinzento jorrando o óleo
- E a falta A FALTA DO COMEÇO DO POEMA E A PARTIDA
O avanço infantil da Partida.
A inconsciência hipnotizada da partida
O choro certo de alegria na Partida
A falta de adeua certíssimo na Partida
a Partida
a partida...
a Parti...
a Par..
a P...
A ...
...
Onde estão os tempos
em que tudo era simples
por não ser nacessário outra coisa
senão um abrigo frágil de luar?
Onde estão os violinos dentro das gotas
As montanhas ainda sem cimento corpos e confusão?
Onde estão os amigos de infância
que olhavam o Tejo
das gaivotas e rostos sadios?
Onde estão nesta tempestade?
Quem perdeu as asas dentro da cidade?
Que espíritos são estes adormecidos em tédio,
que despem todos os dias a pele nas ruas
e trazem nos olhos a dureza
da morte adiada?
Quem bebeu a última vaga de esperança
e ficou com a apatia na fundo
das veias a ser naufrágio?
Onde estão os animais que lambiam
as mãos das crianças?
Onde estão as aves
que viram no tempo claro
a última sensação de alegria?
Quem sabe da última folha beijada
pelo potro na planície?
Onde estão os caminhos desta cascata congelada?
Outono de maré cheia
Gravidez esquecida
de muitos silêncios num só corpo
Voo até ao infinito
desta necessidade de fuga como um raio
que nada toca pela ausência
Arvore esquecida no pântano
perto de um piano de cristal em melodia

Mundo autêntico que existe
além deste fastio de horas
sem nexo!

Eduardo Nascimento «Pedaços do meu Tempo»

03 março 2005

Um pequeno passo

Segundo um estudo divulgado pelo jornal «Público», uma em cada três adolescentes sexualmente activas já tomou a pílula do dia seguinte.
Só gostava de saber o que fariam estas adolescentes caso não existisse a possibilidade de recorrerem ao método da contracepção oral de emergência. Das duas uma: ou deixavam a gravidez prosseguir e tinham o seu futuro enquanto Mulheres - e não donas de casa com a função primordial de procriar e satisfazer o marido - completamente aruinado, ou então fariam um aborto, sem as mínimas condições de segurança de para a sua saúde e, com sorte, ainda eram julgadas criminalmente...
A introdução da pílula do dia seguinte foi um pequeno passo para a sociedade portuguesa começar a aceitar que uma mulher não é uma máquina parideira: é um ser humano com o dom supremo de dar vida a uma nova vida. Conscientemente!
Carlos Malmoro

Um Outro «Se Isto é Um Homem»

O livro apresentado não necesitava de nada mais do que a sua foto de capa para nos revelar que o seu título era «Sem Destino». Um livro que é um dos mais poderosos a retratar um campo de concentração nazi. O seu autor, o Prémio Nobel Imre Kertész, foi um sobrevivente desses campos. Uma vez mais: apenas quem passou pelo Inferno pode ter veleidades a descrevê-lo com o mínimo de fidelidade.
Carlos Malmoro
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Um Mediterrâneo Queima-se com o Frio...

...e este frio que queima...

Carlos Malmoro
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28 fevereiro 2005

Um outro Beijo....

Se a escultura de Rodin «O Beijo» representa uma pausa para a alma, este «Beijo» de Klimt representa uma caminhada de confiança...
Gustav Klimt - The Kiss
Carlos Malmoro
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O PSD

Para que o PSD volte a ser um partido digno da confiança dos portugeses, penso que três coisas devem mudar: primeiro, um corte radical e absoluto com o populismo santanista, sabendo nós que isso pressupõe que a candidatura de Menezes saia derrotada do Congresso. Depois, um reposicionamento ao centro e deixar de lado a inclinação à direita que a coligação com Portas obrigou, sendo que o exemplo mais prático disto é a questão da Descriminalização da Interrupção Voluntária da Gravidez. E, finalmente, que, de uma vez por todas opte por ir buscar e ouvir as muitas pessoas válidas, competentes e com vontade de servir o País - e não o partido - que ainda por lá se encontram e que parece que ninguém naquele partido quer ouvir ou escutar. Porque são essas pessoas que os portugueses ainda têm alguma confiança. E não aquele grupo parlamentar de carreiristas políticos, que Vasco Pulido Valente tão bem nomeeou de incapaz para proceder à «regeneração política do PSD».
Basta lembrar-nos que no Parlamento, no grupo parlamentar do PSD, vai estar um senhor chamado Nuno da Câmara Pereira.
Carlos Malmoro

26 fevereiro 2005

Como ganhar eleições

Luís Filipe Menezes desafiou Marques Mendes a concorrer a uma câmara municipal em Outubro próximo, como forma de provar que, como ele, também Marques Mendes «sabia como se ganhavam eleições». Este desafio ao seu colega de partido é perfeitamente rídiculo. Foi este raciocínio que Santana Lopes teve: se eu ganho a Figueira e Lisboa, também consigo ganhar o País. Foi o que se viu.
Mas eu não estou aqui para tirar os sonhos a ninguém...por mais irrealistas que estes o sejam.
Carlos Malmoro

Pausa para Alma

No meio de guerras e de fomes, de misérias várias e de dores que parecem intermináveis, de invejas reles e mesquenhices obscenas que este mundo parece interessado em provar-nos à saciedade que são as únicas realidades que tem para nos oferecer, o maior consolo da vida ainda é pressentirmos que existem pausas para a alma... Como quando se dá um beijo.

O Beijo - Rodin
Carlos Malmoro
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25 fevereiro 2005

A Razão de Torga

É apenas uma foto que dá razão a Miguel Torga quando escreveu que, em Portugal, só existem duas coisas realmente grandiosas: Trás-os-Montes e o Alentejo(cito de cor). A única coisa que posso fazer é aconselhar-vos a dar uma volta por lá e a ficarem esmagados com a imponência da paisagem. Como eu fiquei...

Parque Natural do Alvão - Vila Real
Carlos Malmoro
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Preparar Terreno

A subida de preço do «Diário de Notícias» de 0,65€ no final do ano para 0,75€, e há cerca de dois dias para 0,80€, é a melhor demonstração que a PT está a preparar o terreno para vender a Lusomundo Media.
O mais preocupante disto é que a melhor proposta continua a ser a da Controlinveste, com uma oferta de 300 milhões de euros. Esta empresa é controlada pela Olivedesportos, dos «manos Oliveira», que tem como coroa de glória na comunicação social o jornal «O Jogo».
Acho que não é preciso dizer mais nada do que: pobre «Diário de Notícias»...
Carlos Malmoro

Mudança de «Tempos»

... ameaçadores, estes céus...

Van Gogh - Wheat Field Under treatening skies

Carlos Malmoro
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A Paixão

Luís Delgado, já todos nós o sabíamos, é completamente obcecado por George W. Bush. Mas agora parece que o caso evoluiu para uma paixão. O homem até consegue ver charme, seja ele diplomático ou de outra espécie, num homem daqueles... Só estabeleço uma comparação para justificar aquele texto, em especial o primeiro e o último parágrafo: o Bush é o Tarzan e ele é a Jane. Só com um imaginário infantil como sustentação, se pode ter a microscópica esperança de admitir que se compreende aquela paixão..
Carlos Malmoro

21 fevereiro 2005

As eleições...

serviram para que cada partido recebesse 2,70€ por voto. E de momento não me recordo de nada mais para que elas servissem.
Carlos Malmoro

08 fevereiro 2005

Indecência

A propósito do acidente que vitimou sete portugueses em Espanha, perguntou uma «jornalista» televisiva a um familiar das vítimas: «Como recebeu a notícia?»
Carlos Malmoro

06 fevereiro 2005

O Vazio

Miguel Sousa Tavares disse no comentário que fez do debate entre Pedro Santana Lopes e José Sócrates no Público, que, e cito de cor, aquele modelo não funcionou porque era demasiado rígido, deixando pouco espaço de intervenção aos debatentes e aos jornalistas. Ou seja, MST acaba por se ressentir da única reforma feita nestes últimos anos: neste modelo, os jornalistas não se podem assumir como protagonistas, mas sim, e esse é o seu papel numa entrevista, a profissionais que estão ali para fazer as perguntas e deixar os entrevistados responder-lhes. Com tempo e sem peixaradas à la Manuela Moura Guedes.
Por outro lado, penso que ele estará a fazer confusão entre forma e conteúdo: se existisse um modelo perfeito de debate, deixaria de o ser no momento que fosse posto à prova por aqueles dois senhores. Um debate serve para debater ideias, e quando elas não existem, não há formato que o salve.
Carlos Malmoro

04 fevereiro 2005

O debate

O debate de ontem entre Sócrates e Santana clarificou-me uma única coisa: é mesmo um daqueles dois senhores que vai ser Primeiro-ministro de Portugal. É que ainda havia uma réstia de esperança que irrompesse pelo estúdio dentro alguém a dizer coisas com nexo, a fazer propostas sérias, a afirmar uma coisa e objectivamente fazê-la, alguém que tivesse o pensamento estruturado por ele próprio e não pelos departamentos de marketing de campanha dos partidos, enfim, uma pessoa mais real e menos plástica.
Quem ganhou o debate: Santana e Sócrates. Quem perdeu: os portugueses.
Carlos Malmoro

30 setembro 2004

A ameaça

Depois da trapalhada informática que foi a colocação dos professores, a sugestão do governo querer implantar o «e-governement» não é uma promessa: é uma ameça.
Carlos Malmoro

O «Barco do Aborto»

A ideia da associação «Women on Waves» de fazerem passar a sua mensagem através de um «barco do aborto» é tão demagógica como a criminalizacão da prática abortiva pelas mulheres portuguesas é hipócrita: ambos não resolvem o verdadeiro problema. Só o mascaram.
Carlos Malmoro

02 setembro 2004

O sol e a chuva de Agosto

Se faz sol, os incêndios arrasam com a floresta portuguesa; se chove, os acidentes mostram de novo a guerra civil na estradas...Portugal necessitava de um toldo ou de uma cobertura, depois faziam-se umas lojas e grande nação conseguiria ter o que sempre desejou: não estar condicionado pelas condições climatéricas e, ao mesmo tempo e mais importante de tudo, transformava-se no delírio onírico de muitos: num gigantesco centro comercial, ou utilizando linguagem técnica, num gigantesco shopping.
Carlos Malmoro

03 agosto 2004

Da teoria à prática

A União de Livreiros e Editores está a impulsionar um abaixo-assinado, que já conta com mais de dez mil assinaturas, para que o IVA não seja aplicado aos livros (neste momento é de 5%).
Esta iniciativa tinha um certo valor lógico se produtos alimentares e de higiene não pagassem IVA. Mas é que, em Portugal, infelizmente, os primeiros, quando não estão isentos, pagam 5% e 12% e os segundos chegam aos 19%.
Sem demagogias: a verdade é que num país que tem mais de dois milhões de pobres, segundo dados da ONU, e em que existem 200 mil concidadãos que apenas têm posses para comer uma refeição por dia, não é muito difícil de perceber que, se existem produtos onde o IVA deve descer ou mesmo desaparecer, são nestes bens de primeira necessidade. Com o prejuízo daqueles que, como eu, ganhariam mais em que os livros ficassem isentos de IVA. Mas a isto é que se chama ter um mínimo de consciência cívica: não é só fazer belos discursos sobre a pobreza e a solidariedade e coesão sociais, para depois organizar abaixo-assinados em que, mais do que a defesa de um bem cultural, o objectivo é fortalecer a reivindicação de um lobby junto do poder político…
Carlos Malmoro

29 julho 2004

No comment

«O tráfico humano é a terceira actividade criminosa mais lucrativa, a seguir ao narcotráfico e ao tráfico de armas.» Relatório da ONG «Shared Hope International»
No Comment
Carlos Malmoro




Guia Prático do Terrorista

 Segunda-feira, 7 de Junho de 2004, 18:00 horas: no cruzamento das avenidas Rosedale e Randall estava, posta de pé, uma bomba de aviação com um metro e vinte de altura. As autoridades ainda não conseguiram compreender como se conseguiu colocar, em pleno dia, uma bomba com tal dimensão e com quase uma tonelada de peso, num cruzamento de duas avenidas tão movimentadas como são aquelas.
Sexta-Feira, 11 de Junho de 2004, 17:30: no terminal ferroviário de Long Island, Darius McCollum foi preso quando se apoderava de um comboio. Estava vestido com uniforme oficial da Autoridade Metropolitana dos Transportes de Nova Iorque (MTA) e tinha em seu poder as chaves mestras que dão acesso a todas as composições e caixas de controlo. Darius tinha saído há apenas dois meses da cadeia, após ter já sido detido outras vinte vezes por acções semelhantes – roubo de comboios, autocarros e composições de metropolitano. Este indivíduo sofre do síndroma de Asperger, uma doença neurológica com ligações ao autismo que leva o paciente a ter obsessão por desenvolver determinadas rotinas.
Estas duas histórias, por mais inverosímeis que possam parecer, são verdadeiras. Elas revelam de uma forma sintomática que não é com guerras preventivas que se combate o terrorismo, mas antes com uma política de segurança interna e de informações capazes de travar estas pequenas brincadeiras que, antes de mais, servem de estímulo a quem realmente queira causar danos e derramar sangue inocente. É que esta cidade, que mais que nenhuma outra deveria ter aprendido a lição da segurança, mostrou uma vulnerabilidade igual ou maior do que aquela que padecia em 11 de Setembro de 2001.
P.S: Pela improbabilidade que estas histórias parecem ter, convido-os a conferir no New York Post de 8 de Junho de 2004 e de 12 de Junho de 2004 a veracidade delas. Com uma simples consulta na net conseguem-no, e irão ficar boquiabertos, principalmente quando repararem na fotografia da bomba que está colocada no meio do cruzamento e que, segundo o jornal, não estava desactivada…
Carlos Malmoro

A coerência, a consoância & a consistência do pensamento do político português

«Como pode um Presidente eleito pela esquerda (…) arvorar-se agora um guardião activo do programa neoliberal de José Manuel Durão Barroso?» Freitas do Amaral, Visão.
Se bem me lembro, este foi o senhor que na campanha para as últimas legislativas apoiou Durão Barroso pelo seu projecto de dimensão social…
«Odeio o unilateralismo e a arrogância dos E.U.A.» Durão Barroso discursando no Parlamento Europeu antes de ser eleito Presidente da Comissão Europeia.
Se bem me lembro o antigo Primeiro-Ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso, chamaria, sem apelo nem agravo, anti americano primário e radical a este José Manuel Barroso, Presidente Indigitado da Comissão Europeia.
«Não tenho motivação para entrar nessa corrida e penso que é preciso gente mais jovem na liderança do PS. Se quisesse ser secretário-geral do PS, teria avançado há 20 anos.» Manuel Alegre, em entrevista ao Público, cinco dias antes de anunciar a sua candidatura ao lugar de Secretário-Geral do PS.
Se bem me lembro, eu nunca consegui arranjar motivação para nada que não pretendesse fazer em cinco dias…e o pensamento deste político–poeta ou poeta-político, como queiram chamá-lo em relação ao rejuvenescimento do PS é, digamos, volátil, bastante volátil…
«Não sou candidato à Presidência da Comissão Europeia.» Durão Barroso, quatro dias antes de pedir uma audiência ao Presidente da República para apresentar a sua demissão de Primeiro-ministro de Portugal
Bem já me começam a faltar os comentários para tanta reviravolta de opinião em tão pouco espaço de tempo, mas os adjectivos para classificar este discurso político são muitos: falso, hipócrita, insidioso, apócrifo, fingido, leviano, demagógico, …
Carlos Malmoro

29 junho 2004

A Falência

O artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais estipula que, a partir de 2005, as empresas que completem dois exercícios consecutivos com capitais próprios inferiores a metade do seu capital social sejam obrigadas a encerrar.
Segundo um estudo da Dun & Brastreet, se esse critério fosse aplicado no presente ano, 2820 empresas portuguesas teriam de fechar portas. Por outros números, de um universo de 21253 de empresas que já entregaram as suas contas, 13% teriam de abrir o processo de falência.
Fazendo uma extrapolação, e se aplicássemos o mesmo critério aos estados, Portugal teria de abrir falência, uma vez que o correspondente aos capitais próprios das empresas, a Dívida Pública, ultrapassa os sessenta por cento do PIB (o mesmo que os capitais próprios das empresas). A única consolação é que não estaria sozinho: todos os países do mundo abririam falência, com a excepção dos países nórdicos.
Não há por aí uns marcianos que queiram comprar isto?
Carlos Malmoro

26 junho 2004

Os Historiadores e os Jornalistas

O erro no Exame Nacional de História, que atribuía a autoria de um texto de Ramalho Eanes a Costa Gomes, foi explorado pelas televisões com um certo snobismo intelectual, de tipo populista, daquele que afirma, chocado, que até os professores de História de Portugal não sabem a História do nosso país.
O pior foi o rodapé da SIC que, em relação ao mesmo assunto, afirmava que: «Costa Gomes trocado por Ramalho Eanes!». Como se pode ver pelo título, se temos historiadores que não sabem a nossa História, também temos jornalistas que não sabem a nossa gramática, porque, como é de fácil depreensão, a ideia que o título contém faz passar a informação contrária ao acontecimento. Correctamente, o título deveria ser: «Ramalho Eanes trocado por Costa Gomes!»
Uma última nota: reparem no ponto de exclamação para melhor projectar o escândalo. Deixo uma sugestão: coloquem dois pontos de exclamação: um para a argolada dos historiadores que não sabem História e outro para os jornalistas que não sabem escrever uma frase com seis palavras.
Carlos Malmoro

11 junho 2004

Pianadas

Num primeiro momento, existiu um filme com o nome «O Piano». Foi aclamado um pouco por todo o mundo. Depois, estreou-se «A Pianista», um filme premiado em Cannes, e também ele um sucesso. No ano passado, o filme «O Pianista», de Roman Polanski arrebatou o Oscar para Melhor Filme. Agora, aqui na nossa vizinha Espanha, um dos best-sellers do momento denomina-se «El Afinador de Pianos».
Será que os autores já esgotaram o seu imaginário musical sobre este instrumento de cordas ou ainda vamos ter que assistir à Première do filme “«O Afinador de Pianos» que Pianou «A Pianista» n’«O Piano» d’«O Pianista»”.
Carlos Malmoro

Prof. Sousa Franco

No país do «prontos», do consumismo desenfreado, do atropelar tudo e todos para se alcançar os objectivos, das quatro horas diárias de tele-lixo por habitante, da elevação de centros comerciais a santuários de peregrinação dominical e dos estádios a catedrais de catarse colectiva, dos carros comprados em 120 prestações e dos telemóveis sempre a tocar, do viver acima das possibilidades, no país com a mais alta taxa de abandono escolar e com os mais baixos níveis de leitura da Europa, no país dos sorrisos pela frente e das críticas pelas costas, no país em que se atropelam convicções para conquistar remunerações; para um país como este, é mais indispensável para o seu destino a existência de pessoas como o Dr. António Sousa Franco do que a realização de três ou quatro Euro’s.
Carlos Malmoro

Os dólares da morte

O relatório do Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz de Estocolmo (Sipri) revela que, em 2003, foram gastos 956 mil milhões de dólares na compra de material bélico em todo o mundo. E que este valor representa um acréscimo de 11% relativamente ao ano anterior.
O mesmo documento denuncia que o maior gastador são os EUA com 47% do bolo total (cerca de 450 mil milhões de dólares), e que o maior importador, e o segundo do ranking dos gastadores, é a China com um total de 13% das importações (aproximadamente 125 mil milhões de dólares) seguido do Japão com 5% dos gastos(48 mil milhões de dólares). O relatório denuncia ainda que 5 países ricos foram responsáveis por 75% dos gastos militares.
Se compararmos estes números com o total de ajuda concedida para o desenvolvimento mundial, chegamos à pragmática conclusão que os países mais ricos investem cerca de dez vezes mais nos seus arsenais bélicos do que no apoio aos países subdesenvolvidos.
Porém, a questão ainda se torna mais vergonhosa quando países que ainda não têm um desenvolvimento económico minimamente consolidado, como a China, gastam o seu orçamento a comprarem armas em vez de o canalizarem para programas de desenvolvimento interno sustentado, infra-estruturas de apoio social, etc.: é preciso não esqucer que a pneumonia atípica surgiu na China por falta de condições de salubridade.
Carlos Malmoro

O Apócrifo Combate

Pelo menos quarenta navios mercantes em circulação são controlados por Ussama Ben Laden. Esta revelação é feita pelo repórter William Langeviesche, colaborador da revista «Atlantic Monthly», no seu mais recente livro «The Outlaw Sea». Nele, o autor descreve como através do registo de uma embarcação nos off-shores, ela ganha direito à bandeira de «conveniência» desse mesmo país, normalmente pequenos arquipélagos perdidos no meio dos oceanos. Para quem não o saiba, como eu não o sabia, um barco com uma bandeira do país A que está atracado num porto do país B, só pode ser revistado mediante autorização do país A, e o seu interior é considerado território do país A.
Assim sendo, não é difícil de adivinhar de onde vem o dinheiro para sustentar a Al-Qaeda e, assim sendo, se um dia um barco entrar por um porto ocidental dentro, cheio de explosivos, e marcar mais uma data do nosso calendário a sangue, os senhores que nos governam que não nos venham dizer, uma vez mais, que tudo fazem para combater o terrorismo.
Combatem-no quando não existem interesses económicos: a passagem do presidente da Líbia, M. Kadhafi, de terrorista responsável pelo atentado que mais vítimas mortais provocou na Europa, o atentado contra o Boeing da Lockerbie que fez mais de 250 mortos, a democrata, prova-o plenamente. É que esta mudança repentina só aconteceu por uma de duas razões: ou porque o petróleo está muito caro e convém encontrar «aliados» que o forneçam a bom preço, ou porque a Líbia está a desenvolver-se rapidamente e existem contratos de biliões de dólares que não podem ser perdidos. Embora eu me incline para a junção dos dois motivos…
Em qualquer dos casos, as pessoas inocentes, ainda e sempre pessoas inocentes, que morreram naquele dia, jamais verão a sua morte minimamente justiçada, nem que fosse com o simples julgamento desse senhor num qualquer tribunal internacional dos direitos humanos.
Carlos Malmoro

Paradoxo

Um belíssimo livro de Ana Marques Gastão, chamado Nós / Nudos, publicado pela Gótica, contém 25 poemas sobre 25 obras de Paula Rego. É um excelente tratado de como as palavras podem complementar as imagens, neste caso com as pinturas da nossa mais internacional artista plástica.
Agora que está feito o elogio da obra, que aconselho, uma coisa não entendo na autora. Aquando do seu lançamento, há cerca de um mês, numa entrevista ao Diário de Notícias, Ana Marques Gastão referia que nunca desejou que os seus poemas «tocassem» as imagens de Paula Rego, mas antes que caminhassem paralelas. Até aqui tudo bem: é uma perspectiva como todas as outras. O que já é mais estranho é que a mesma autora, nesse mesmo dia, tenha dito no programa «Magazine», sobre o mesmo livro, que pretendeu que os poemas encontrassem as pinturas de Paula Rego como que se de intercepções se tratassem. Afinal, em que é que ficamos: paralelismos ou intercepções?...
Talvez seja este um daqueles casos em que se prova que a pior pessoa para falar acerca de uma determinada obra é o seu criador.
Carlos Malmoro

Da liberdade de Imprensa

Um conflito que opôs o director do Público à editora de Política do mesmo jornal originou que fosse retirado um texto que punha em causa a credibilidade da ministra das Finanças do alinhamento do jornal, sabendo-se agora que esse texto já estava paginado, isto é, pronto para entrar nas rotativas.
Já tínhamos tido notícias que dois jornalistas tinham sido «dispensados» por tentarem publicar uma notícia em que punham em causa certos métodos menos transparentes que a Sonae, empresa detentora do referido título de imprensa, praticava nos seus negócios.
Ainda bem que existe liberdade de imprensa para que os jornalistas possam investigar e informar-nos acerca do que acontece no país e no mundo…Mas, claro, desde que não se metam com o poder político ou económico. Era o que mais faltava!
Carlos Malmoro

Desesperança

Em Bnei Brak, um bairro de Telavive, em Israel, um tribunal religioso decretou que homens e mulheres têm de caminhar em passeios separados: os homens têm de caminhar no passeio do lado poente da rua e as mulheres no lado nascente. Esta decisão justifica-se para manter os «bons costumes» na rua onde vive o rabino Moisheh, o guia espiritual da comunidade ortodoxa daquela zona.
Com este tipo de mentalidade não me surpreende que a Paz nunca mais chegue para aquelas bandas. Se é o próprio povo de Israel que sofre na pele os preconceitos religiosos ditados pela comunidade judaica ultra-ortodoxa, e que ainda tem de pagar impostos para que essa comunidade de «iluminados» possa continuar a ter mais privilégios que a população israelita em geral, como se conseguirá chegar a um acordo de Paz com um Estado vizinho que professa uma outra religião?
A resposta é triste mas verdadeira: não se consegue!
Carlos Malmoro

A 200 à hora, a beber vinho e a falar no telele

Durante uma viagem de comboio entre o Coimbra e Faro, Durão Barroso, enaltecendo as vantagens do comboio como meio de transporte rápido e cómodo, perguntava aos jornalistas: «Qual é o meio de transporte em que podemos ir a 200 Km/h e a beber um bom vinho?».
Esta pergunta revela que o Primeiro-ministro não tem um profundo conhecimento do país e do povo que governa, porque, se o tivesse, saberia que os portugueses conseguem-no de carro e a falar ao telele… Era só sair do comboio e dar um pulo à A1 ou à A2. Mas sem batedores…
Carlos Malmoro

Há dias que valem a pena

Há Dias Que Valem a Pena
Eu sei que todos os suspeitos são presumíveis inocentes até trânsito em julgado de uma sentença em sentido contrário. Eu sei que a muita água, isto é, muito barulho na comunicação social, vai “correr” antes de se comprovarem as suspeitas que recaem sobre eles – se é que alguma vez se chegará a provar algo. Eu conheço aquele provérbio inglês que diz que “cem coelhos não fazem um cavalo e cem suspeitas não fazem uma prova”. Mas sabe bem, sabe mesmo muito bem, depois de anos e anos de suspeições lançadas pelos próprios, de acusações cobardes na comunicação social, que posteriormente não tinham o respectivo e indispensável encaminhamento para os Órgãos que administram a Justiça em Portugal, e depois de centenas de incriminações apócrifas, sabe mesmo muito bem chegar a casa, ligar a televisão e constatar que muito peixe graúdo do futebol, da arbitragem e alguns vereadores municipais foram presos. Nem que seja por um só dia ou por umas horas… Há dias que valem a pena e que até se pensa que este país ainda tem emenda…
Carlos Malmoro

13 abril 2004

Concorrência Monopolista

Belmiro Azevedo afirmou recentemente que, se o Governo não mudar de estratégia, está a considerar deixar o País e estabelecer os seus negócios noutra nação. Também disse que está de costas voltadas com o ministro da Economia, já lhe tendo dito mesmo, cara a cara, que não voltaria a falar com ele.
O caricato da situação de um empresário particular, numa economia de mercado, aberta, concorrencial, com regras bem definidas para todos, presumir-se no direito de coagir um Governo de um país a mudar de estratégia política por sua causa, é revelador do corporativismo e caciquismo que ainda grassam na sociedade portuguesa, e, como este exemplo demonstra à saciedade, nas mentes dos nossos competitivos empresários, que se julgam D. Sebastiões da retoma económica aos quais todos os caprichos devemos vergar...
Mas, o que eu gostava mesmo de saber era o país que ele tinha em mente para transferir os seus negócios...
É que, sinceramente, não estou a ver nenhum outro país onde os grandes grupos privados negoceiem, directamente e por ajuste, os impostos que têm de pagar sobre os seus “rarefeitos” lucros, em vez de se subjugarem à Lei que, como toda a gente que tem umas luzes de Direito sabe, gozam da faculdade de serem gerais e não particulares…A não ser, claro, num país da África Sub – Sahariana, da Ásia das Monções ou da América do Sul.
Carlos Malmoro

La Culture

Gao Xingjian, o escritor chinês refugiado político em França, vencedor do Prémio Nobel em 2000, não foi convidado para o Salão do Livro em Paris. Ao que tudo indica as pressões das autoridades oficiais chinesas sobre o governo francês para o «esquecerem» foram bem sucedidas.
É que a França está ansiosa por ter um maior acesso ao mercado chinês, ou seja, a um mercado de mil milhões de consumidores, e isso, como comprova a decisão de afastar uma voz dissonante da política oficial de Pequim, vale mais que toda a retórica de igualdade, liberdade e fraternidade e da aposta na cultura, com que os governos franceses tantas vezes enchem os seus discursos.
No meio disto tudo, só tenho pena do escritor Gao Xingjian que, na altura em que recebeu o Nobel, foi utilizado como bandeira de propaganda da política oficial francesa para os refugiados políticos, e agora está novamente proibido de manifestar os seus ideais, como pensou que o poderia fazer quando decidiu abandonar a China natal e rumar a um país com «liberdade de expressão».
… C´est la Culture…
Carlos Malmoro

01 março 2004

Uma tigela de endoesperma matinal

Na embalagem dos flocos de cereais que eu habitualmente tomo ao pequeno-almoço, vem anunciado, com toda a pompa e circunstância e em letras garridas, que aquele produto é elaborado com «cereais integrais». Na contracapa da referida embalagem, explica-se que «cereais integrais são aqueles em que se utilizam todas as partes do grão», e que a referida marca «utiliza todas as camadas saudáveis dos grãos de cereais: o gérmen (parte interior), o endoesperma (camada do meio) e o farelo (capa exterior). (…)» A situação é tão delirante que até recorrem a uma pequena infografia para melhor demonstrarem onde se situa o endoesperma nos cereais… Quanto ao nível de ridículo a que a publicidade nutritiva pode chegar para promover os produtos, acho que este exemplo fala por si mesmo, porque é denunciativo de um novo tipo de fanatismo: o da ditadura das coisas pretensamente saudáveis e naturais. Nem que para isso se tenha que apregoar uma sandice como a que está implícita na mensagem: a de que o endoesperma cerealífero é a melhor forma de se começar o dia…
Bem, o leite já está a ferver, agora vou comer uma boa tigela de endoesperma para ter energia, vitalidade e nutrientes suficientes para o meu corpinho aguentar um dia que se me adivinha complicado…
Haja paciência, muita paciência…
Carlos Malmoro

05 fevereiro 2004

Precauções de um blogger

A Relate, uma ONG de aconselhamento matrimonial no Reino Unido, divulgou um relatório em que afirma que a Internet é responsável por um em cada dez divórcios nesse país.
Bem, depois de ler isto, deixo o comentário ao vosso cuidado, e vou mas é ter com a Maria para entretermo-nos mutuamente e assim precaver o agravamento das estatísticas da Relate, quando esta se decidir a fazer um estudo destes em relação a Portugal…
Carlos Malmoro

02 fevereiro 2004

A sucessão

Anabela Mota Ribeiro afirmou que «não sinto que sucedo a Carlos Pinto Coelho». Deve ser a única neste país a ter tal sensação. Como muito bem sabemos, o «Magazine» é uma coisa completamente diferente do «Acontece». O primeiro é um telejornal diário de cultura, o segundo também; ambos têm uma duração de aproximadamente meia hora; ambos transmitidos por volta das 21 horas, ambos compostos de notícias culturais do dia e de reportagens mais reflexivas e, finalmente, ambos difundidos na mesma frequência, mas que agora tem o nome pomposo de «2:». Como podemos observar são apenas coincidências, e é claro que o «Magazine» não se trata de um remendo para emendar a mão de se ter acabado extemporaneamente com o «Acontece». Eu tenho mesmo a ousadia de fazer notar que eles representam um paradoxo, uma antinomia, uma antítese entre eles…agora sem ironias: um pouco mais de honestidade intelectual não faria mal a ninguém, principalmente às poucas boas jornalistas que ainda vamos tendo.
Carlos Malmoro

18 dezembro 2003

A BOA COMUNICAÇÃO - SILOGISMO

Os militares da GNR - BT acusados de corrupção e favorecimentos a certos empresários algarvios, e que estão a ser julgados no tribunal de Albufeira, realizaram setenta e sete mil chamadas, em três meses, para combinarem os esquemas com os seus corruptores.
Tomando por base esta premissa, e sabendo nós que o Governo Português está com dificuldades de comunicação com os portugueses ( segundo os mais variados, insuspeitos e prestigiados comentadores), venho por este meio propôr ao Governo Português para pôr os olhos naquelas máquinas comunicacionais que são os os citados agentes da Brigada de Trânsito, e tranferir todos os gabinetes de Relações Públicas para as mãos daqueles bravos homens, que tanto dinheiro deram ao Estado nos impostos que pagavam sobre a miríade de telefonemas que efectuavam.
Carlos Malmoro

Hipocrisia

Os melhores - e mais bem pagos - jogadores de futebol do mundo realizam amiúde jogos de futebol com as receitas a reverterem para o combate à fome e à miséria. Mas são esses mesmos jogadores que sempre que têm de negociar os seus contratos, impõe cláusulas onde os seus milionários prémios de jogo têm de ficar isentos de impostos, acabando assim por fazer as pessoas mais desfavorecidas da sociedade pagarem mais impostos. É a chamada hipocrisia desportiva.
Carlos Malmoro

03 dezembro 2003

Proporcionalidade Inversa

A cantora, ex – Spice Girl, Victoria Beckham, mulher do jogador do Real do Madrid com o mesmo nome, deu uma entrevista à BBC, onde revelou que está a aprender espanhol. Solicitada pelo entrevistador a dizer uma ou duas frases em espanhol que já tivesse aprendido, ela respondeu que, por enquanto, ainda só sabia dizer duas frases: «Onde fica a Gucci?» e «Tem um Bentley?». Chama-se a isto proporcionalidade inversa: quanto mais fama se tem, menos inteligência; quanto mais dinheiro, menos cultura; quanto menos necessidades, mais estupidez e quanto menos contacto com a realidade quotidiana, mais imbecilidade.
Carlos Malmoro

O maior, e Mais Caro, Pão do Mundo -

Viseu entrou para o Guiness com o maior pão do mundo – 402,5 metros de comprimento, pesando mais de quatro toneladas.
Deixo aqui uma proposta aos senhores de Viseu que vão registar o recorde: por que não registar também o maior aumento de pão do mundo, em relação à inflação prevista: 35% de aumento, para uma inflação prevista de 2,5%; uma diferença de 1400%!!! (leram bem, mil e quatrocentos por cento!!!!!)
Carlos Malmoro

Justiça Injusta

A ministra da Justiça doou equipamentos de vídeo-conferência e videotelefone aos tribunais de Cabo Verde. Na ocasião, afirmou que «Uma Justiça só é justa se for rápida.» Das duas uma: ou os cabo-verdianos vão passar a dispor da «celeridade» da Justiça Portuguesa, ou então, e isto é o que penso, a Justiça em Portugal é injusta, pelas razões que a própria ministra advogou.
Carlos Malmoro

Sacred Love

No videoclip de Sting, Sacred Love, as pessoas que caminham pelas ruas da cidade, em direcção aos seus empregos, vão com os rostos graves e fechados. Imprevisivelmente, uma criança sai-lhes ao caminho e abraça-as. Surpreendidas, as pessoas se num primeiro momento estranham, depois deixam envolver-se e retribuem o abraço. O que depois acontece é que as pessoas começam a abraçar-se umas às outras.
Esta ideia, embora aprazível, padece de duas pechas: a primeira, é que este tema já tinha sido desenvolvido no vídeo dos R.E.M, Everybody Hurts, mas de uma outra perspectiva: o que acontecia é que as pessoas começavam a abandonar os carros cansadas que estavam de esperar num gigantesco engarrafamento, que poderia acontecer em qualquer das nossas grandes cidades. A outra, e a mais importante, é que somos demasiadamente egoístas para partilhar um bom momento. De facto, se semelhante encontro acontecesse com qualquer um de nós, tenderíamos a guardá-lo como uma boa recordação que nos sucedeu num dia cheio de stress, e continuaríamos o nosso caminho, ainda com mais preocupações, visto que o abraço do miúdo nos tinha atrasado.
Carlos Malmoro

20 novembro 2003

O imperscrutável peso da vida

“Húmus”, de Raúl Brandão é, antes de mais, um romance completo. Afirmo-o com a convicção de quem leu um romance de amplitudes incomensuráveis, em que, por exemplo, existe uma personagem com tanta ternura e inocência, Joana, que várias vezes acercou-se do meu pensamento a “Joaninha dos olhos verdes” das “Viagens...”, de Almeida Garrett., mas em concomitância fatídica com as angústias existenciais do Homem - Deus, a Vida, a Morte, o Bem, o Mal - bem como, com toda a incompreensão para com os absurdos endógenos à sua existência.

Um livro que se inicia com esta frase: «Ouço sempre o mesmo ruído de morte que devagar rói e persiste.», e termina com este apelo: «É preciso matar segunda vez os mortos.», nunca seria, por certo, um livro despiciendo . Porém, raras ou nenhumas vezes, no século passado, um livro conseguiu ser tão inovador no conteúdo, tão revolucionário nas formas narrativas e tão inventivo estética, estilística e metaforicamente como este “Húmus” o foi na época em que foi lançado (1917).

Com uma estrutura diarística, o romance tem como espaço uma vila, condensada em meia dúzia de personagens de carácteres esbatidos, que decadentemente aceitam os preceitos estabelecidos, mas que se transfiguram noutras personagens, através da introdução da técnica narrativa do jogo de espelhos. O tempo narrativo é entrecortado por «viagens» pela alma humana, primordialmente nos capítulos apelidados de «Os Papéis do Gabiru» - tendo em linha de conta que “Gabiru” não é mais que um alter-ego do Autor. Não existe linearidade narrativa, mas sim a descontinuidade, sendo este um dos pontos que iria revolucionar estilisticamente o romance moderno, assim como as temáticas de índole existencial que preenchem o romance tornam-no em percursor do Existencialismo (passe o leve anacronismo, pois, segundo as Convenções, o Existencialismo só foi fundado por Sartre, com “A Náusea”, e este livro só foi publicado em 1938).
O ponto forte do livro, se bem que não existam pontos realmente fracos, é a simplicidade genial e mesmo aterradora com que Raúl Brandão desnuda a alma humana: «Pior que sofrer – é não sofrer – para sempre. É nunca mais sentir (...) é o silêncio absoluto». Depois: «Para ele tanto vale um segundo como um século...Que outra coisa fizeste senão esperar a morte?», «Ver para não ver, ouvir para não ouvir, viver para morrer». Mais, e acerca das personagens de fachada da vila: «O que lhes custa mais perder não é a vida, são os hábitos(...), a outra existência falsa acabou por os dominar».

Ao longo de todo o texto, o autor revela-nos, de modo singular, a precariedade da nossa existência: «Se a vida é um momento entre o nada e o nada, o que vale a pena é aproveitá-lo», «O problema capital da vida é a morte», «A vida gera morte – a morte gera vida» ou «Nunca o acaso viu nada tão monstruoso e tão grotesco como a isto que se chama vida». Do mesmo modo, o livro problematiza as temáticas metafísicas nos moldes que penso que elas devem ser colocadas: a existência – ou não existência - de Deus nas nossas consciências tolda-nos os actos: «Se Deus não existe não há força que me detenha. Não há palavras, nem regras, nem leis. Tudo é permitido», «Se Deus existe, eu sou um homem – Se Deus não existe eu sou em homem completamente diferente». Continuando ainda nestas questões intrínsecas da existência, Raúl Brandão sublinha também a dimensão volátil da alma: «A alma (...) é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluído envolve a matéria.», para, no seguimento lógico, concluir: «O amor não é senão a impregnação desses fluídos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível.» Ou seja, a alma é uma campo de forças que ora atrai as outras almas, e nesse caso emana amor, ou rejeita essas mesmas almas, e nesse outro caso, desperta ódios.

O livro é todo ele um tratado exemplarmente bem conseguido: a matiz decadente da Vila, que se confunde com a Vida: «A Vila é um simulacro. Melhor: a Vida é um simulacro», «...aqui se enterram os sonhos», o murmúrio perene das personagens fantasmagóricas: «O nada à espera...», «- A Religião sem Inferno está perdida», «O mundo é feito de dor – a Vida é feita de ternura», «O que eu sinto é não haver dor eterna (...) o Inferno em lugar do Nada»; e, principalmente, a inenarrável falibilidade do Indivíduo: «Eu sou um desconhecido para mim mesmo.», «Ninguém quer achar-se frente a frente com o seu próprio fantasma,...», «Não me compreendo nem compreendo os outros...», «Cada vez fujo mais de olhar para dentro de mim mesmo. «É só sonho, é sonho estreme e dor estreme», «Eu sou os mortos...»; mas onde também existe lugar para a esperança, para os matizes oníricos e feéricos: «Mas o Inverno é sonho (...) sob esta casca ressequida está uma Primavera intacta.», Ser só e livre e encontrar-me..., que alegria frenética.», «O único mundo real é o mundo irreal.», «O sonho completo é o Universo realizado», «A vida é muito maior pelo sonho do que pela realidade.»; enfim, todo o livro consubstancia as múltiplas alusões e ilusões que per correm todas as densidades da Existência e do Espírito Humano, num livro que embora escrito em 1917, se mantém actual e actuante, fruto da forma sábia e precoce como foram desenvolvidas as temáticas constantes deste precioso volume.

Em resumo: qualquer romancista existencialista não desdenharia ter chancelado este texto, uma vez que nele, não se utilizam as fórmulas mais folclóricas do Existencialismo – e que acabaram por causticá-lo (do género: «....porque eu existo, existo como todas as coisas do céu e da terra, como os animais e as árvores, etc...), mas vai até ao âmago da Existência Humana, numa viagem inclemente, alucinante e perturbadora, porém reveladora, quer da eviternidade da vida enquanto sonho, quer do imperscrutável peso da vida enquanto morte.
O maior elogio que posso fazer a este livro é que fiquei a conhecer-me um pouco melhor.

Autor: Raúl Brandão
Título: Húmus
Género: Romance
Páginas: 222
Classificação 5 / 5
Carlos Malmoro

18 novembro 2003

Sorry...

Durante cerca de três semanas estive à volta com Contabilidades Analíticas, Cálculo Financeiro e Fiscalidade. Como tal, não se proporcionou o regresso às minhas paixões, em detrimento do cumprimento das minhas obrigações...mas isto já está a voltar ao normal, e, consequentemente, começarei a escrever coisas com mais regularidade. De qualquer forma, sorry....
Carlos Malmoro

29 outubro 2003

Up Your Ass

O livro «Harry Potter e a Ordem de Fénix» foi lançado no Panteão Nacional, numa grande festa encenando um ambiente de feitiçaria com fumos azuis e brancos, onde supostamente teria lugar uma aula de bruxaria.
O marketing conseguiu assim, desrespeitar a memória de um sítio onde repousam os restos mortais de Almeida Garrett, de Guerra Junqueiro entre outros, e onde existem cenotáfios (túmulos sem conter os restos mortais) de Vasco da Gama, Camões, Infante D. Henrique, entre outra gente de “somenos” importância para a nossa História e Memória Colectivas.
Nunca utilizei linguagem vernácula neste espaço, mas como o ridículo, a estupidez, a boçalidade e a falta de senso têm limites, e neste caso ultrapassaram tudo o que era admissível nesta campanha de marketing, peço encarecidamente aos promotores, aos organizadores, aos membros da editora que não se aperceberam do disparate e, ainda, a quem autorizou tal surrealismo e entregou as chaves, permitindo assim que tal evento se realizasse naquele local, que peguem nas vassouras voadoras e enfiem-nas pelo cu acima!!
Carlos Malmoro

No Comment<

Segundo um estudo realizado por investigadores franceses, da Direcção de Pesquisa e Estatística, às condições de vida dos idosos, em quatro grandes metrópoles – Paris, Londres, Nova Iorque e Tóquio – uma em cada duas pessoas com mais de 85 anos vive na mais completa solidão.
No Comment.
Carlos Malmoro

24 outubro 2003

Absolutamente enojado

Caminhava na avenida paralela ao Rio Lima, em Ponte de Lima. Eram 13:05. Do rio evanescia uma neblina a anunciar que aquele era, de facto, o 1º dia de Inverno. A neblina não tocava no leito do rio: deixava um interstício ténue de claridade. Era hora do almoço. Nas tasquinhas, nos restaurantes, nas pizzarias, as televisões mostravam as notícias. Numa primeira casa ouvi a voz do Procurador Geral da República. Uns passos á frente, ouvi o Pedro Namora, ando mais um pouco, e ouço a voz de Ferro Rodrigues, depois do advogado de «Bibi», e á medida que caminhava, a voz de João Nabais, depois a do Bastonário dos advogados, depois de António Costa, depois de Adelino Granja e, novamente, Souto Moura... E as declarações estavam repletas das expressões «Casa Pia», «abuso sexual de menores», «pedofilia», «violação do Segredo de Justiça», «escutas ilegais», e dos nomes próprios «Rui Teixeira», «João Guerra», «Carlos Cruz»..., e ainda escutei vozes iluminadas a comentar este pântano, como se fosse possível ver o interior de um manicómio, através dos seus vidros martelados...
Olhei para o Rio Lima, e pensei que bom seria se eu pudesse pegar nas mãos de todos aqueles de quem eu gosto, e conduzi-los àquele mundo de luminosidade, que tem por terra a água do rio e por céu aqueles breves fios de bruma.
Desconsoladamente, sei-o impossível.
Carlos Malmoro

O Poeta

G. W. Bush dedicou um «belo» poema à sua mulher. Reza assim: “ The Roses are red / and the violets are blue.”
Reparem bem na relação tranquila entre sujeito poético e a realidade explorada; reparem bem no «pathos» poético excelentemente conseguido; reparem bem na complexidade da construção fraseológica, na utilização conceptual de figuras de estilo. Se o Presidente dos EUA consegue ter uma verve deste jaez, então o mundo está em boas mãos.
Carlos Malmoro
P.S. Não acreditem numa palavra daquilo que está escrito no segundo parágrafo.

16 outubro 2003

Inconstitucionalissimamente

Chamar Constituição àquele texto alinhavado sob a batuta do «gaulês» é, no mínimo, inconstitucional.
Carlos Malmoro

Dúvida

Se "pecado" é um substantivo do género masculino, por que razão os sete pecados mortais são todos substantivos do género feminino? A natureza feminina é assim tão inexorável, tão fatal, tão mortal?
Carlos Malmoro

09 outubro 2003

Vira-casacas

Nas últimas semanas, 126 deputados brasileiros, 25% do total do Parlamento, mudaram de partido. É uma estratégia que eles usam para poderem concorrer às Eleições Municipais, conforme a tendência do eleitorado duma determinada região, afiançando assim maiores possibilidades de sucesso.
Lá, como cá, como em todo o Mundo: o Poder, para além de corromper, é viciante - é sempre necessário mais e, se possível, de melhor qualidade.
Carlos Malmoro

Uma Brilhante ideia

Está nos escaparates um “livro” que tem a seguinte sinopse: « Stella Madison, subdirectora de Marketing de uma grande empresa, esconde um enorme segredo: a cor dos seus olhos, um azul e outro castanho. Até ao dia em que concebe a brilhante ideia de aproveitar o facto de possuir olhos com cores diferentes para criar uma nova linha de cosmética. E quem melhor do que ela para dar rosto à campanha ?».
O tal livro tem 328 páginas: exactamente 328 páginas sobre a “brilhante” ideia, baseada nos olhos de cor diferente, de utilizar ou não o seu olhar na tal campanha. Para além de se impor a dúvida pertinente se a heroína - ou a autora - nunca teria ouvido falar de lentes de contacto coloridas, uma outra questão se impõe: se a autora considera esta uma trama digna de um livro, ou seja, se isto é o melhor enredo que uma autora consegue arrancar à sua verve, para escrever uma obra de arte? Bem, é que se isto é o melhor, imaginem o “assim-assim” ou o pior. Este livro é daqueles que deveria ser considerado literatura light; chamem-lhe o que quiserem, mas aquilo é tudo, mas tudo, menos literatura - chame-se ela pop ou light ou o raio que os parta. E o mais reles disto tudo é que existe uma editora portuguesa que teve o trabalho de traduzir e colocar no mercado uma vigarice destas, que se denomina por «Não me olhes nos olhos», também ele um título bastante rebuscado, e onde se nota a existência de um autêntico êxtase da imaginação para o encontrar.
Deixo-vos aqui um outro Post sobre as literaturas modernas, perdão, mercantis, que tinha escrito há já algum tempo.
SER OU NÃO SER...
Uma sondagem feita pela livraria Amazon, revela que há mais britânicos que se lembram do enredo do primeiro livro do Harry Potter, 66%, do que aqueles que se recordam da trama de «Hamlet», de Shakespeare, 28%.
A Existência humana está a ficar mais fútil: enquanto há uns séculos a premissa existencial era "Ser ou não ser: eis a questão", hoje, ela é: "Ou ser caixa de óculos e comprar uma vassoura voadora que não voa ou não ser cool: eis o marketing.
Carlos Malmoro

07 outubro 2003

Dia Mundial da Arquitectura

Ontem festejou-se o Dia Mundial da Arquitectura. Infelizmente, também se festejou em Portugal. Digo infelizmente, porque um país que tem arquitectos que passam a vida a projectar mamarrachos que invadem a nossa linha do horizonte, onde edifícios como o prédio Coutinho em Viana do Castelo ou as torres de Ofir conseguiram ter um arquitecto que se disponibilizasse a projectá-los, ou se observa a “excelente” qualidade da Arquitectura Paisagística dos nossos Algarves e das nossas cidades do litoral, não se deveria festejar a Arquitectura, mas antes lamentá-la. É que os Siza Veira’s e os Souto Moura’s deste país são apenas as excepções de génio à Arquitectura de pato-bravo que inunda Portugal que confirmam a regra.
Carlos Malmoro

Pianadas

Num primeiro momento, existiu um filme com o nome «O Piano». Foi aclamado um pouco por todo o mundo. Depois, estreou-se «A Pianista», um filme premiado em Cannes, e também ele um sucesso. No ano passado, o filme «O Pianista», de Roman Polanski arrebatou o Oscar para Melhor Filme. Agora, aqui na nossa vizinha Espanha, um dos best-sellers do momento denomina-se «El Afinador de Pianos».
Será que os autores já esgotaram o seu imaginário musical sobre este instrumento de cordas ou ainda vamos ter que assistir à Première do filme “«O Afinador de Pianos» que Pianou «A Pianista» n’«O Piano» d’«O Pianista»”.
Carlos Malmoro

06 outubro 2003

O Movimento Monárquico

Ontem, dia 5 de Outubro, reuniram-se uma vez mais os monárquicos como forma de reivindicar o regresso da monarquia como sistema organizativo do Estado Português. Para além da aderência maciça dos cidadãos a estes eventos, onde chegam a comparecer 20 pessoas, o mais caricato destas manifestações são aquelas vozinhas de Zés Cabras a entoarem o hino da Maria da Fonte. Defendam lá os vossos ideais, mas não provoquem poluição sonora.
Um pouco mais a sério: uma das principais razões porque eles defendem o regresso da monarquia, é que , segundo eles, não existe maior garante da independência nacional em relação a Espanha que a existência de um Rei de Portugal. Ora, não existe nada de mais errado: como se em visto amiúde por essa Europa fora, as Casas Reais têm por costume cruzarem-se entre elas. Ou seja, possivelmente, daqui a umas gerações, teríamos de aturar um Rei das Casas Reais espanholas, devido aos estragos que um príncipe português poderia fazer na realeza espanhola.
Mais vale que continuemos com um Presidente da República, democraticamente eleito por sufrágio universal, e que, segundo a Constituição Portuguesa, só pode ter como seus progenitores pessoas de cidadania portuguesa.
Carlos Malmoro

02 outubro 2003

Haja Paciência

Os comentadores económicos e os empresários portugueses, quando o Euro vale mais que o Dólar, lamentam-se que a moeda única é um entrave às nossas exportações; quando se verifica o contrário, carpem mágoas que as importações petrolíferas encarecem e, consequentemente, o custo da energia sobe.
Quando existir um único comentador que diga a verdade completa, sem optimismo naif , mas também sem litanias da desgraça, informo-vos. Um só que nos diga que, quando o Euro vale mais que o Dólar, representa uma barreira às nossas exportações, mas também embaratece o custo da energia, pelas razões acima mencionadas, e que quando se verifica contrário dessa preposição, ao mesmo tempo que agrava o custo da energia, dinamiza as exportações para fora da UE. Haja paciência!
Carlos Malmoro

A Mudança de Hora

A mudança de hora, para coincidir com o fuso horário do centro da Europa, não beneficia ninguém: nem empresários, nem empregados, nem estudantes, nem os pais destes, vai provocar o descontrolo do relógio biológico das crianças, crianças estas que, se hoje em dia, já têm de sair para a escola de noite, com a entrada do nova hora, passarão a ir de madrugada, com os compreensíveis estragos no nível de concentração e de apreensão de conhecimentos.
Por que razão existem certas medidas que não beneficiando ninguém insistem em ser adoptadas por governos, quase como masoquismo legislativo?
Por que razão os governos querem fazer-se passar por instituições visionárias que pretendem iluminar estes pobres coitados membros da plebe?
Que manifestem a sua autoridade noutro sítio: não nos embaracem mais as nossas vidinhas; elas já são intrinsecamente complexas.
Carlos Malmoro

01 outubro 2003

Cínzeos comentadores

Pacheco Pereira, Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Miguel Sousa Tavares e Manuel Maria Carrilho: a todos escutei na semana passada. No meio de tanto comentário, nem uma ideia nova, nem um prisma diferente de apreciar a actualidade, nem uma análise desviada um milímetro da cartilha do Bloco Central. Os comentários destes senhores deveriam ser transmitidos a preto e branco, para condizer adequadamente com o matiz cinzento das suas crónicas politicamente correctas.
Carlos Malmoro

30 setembro 2003

A Excitação

Os cientistas da BAS (British Antartic Survey) revelaram que o buraco de Ozono sobre o Pólo Sul é de, aproximadamente, 26 milhões de Km2 , cerca de 283 vezes a área de Portugal ou duas vezes a área da Antárctica.
Infelizmente, esta notícia nada tem de singular tão acostumados que estamos a receber novas deste molde. O que já é bastante extraordinário é o facto dos cientistas que procederam a este estudo, em vez de ficarem apreensivos ou mesmo prostrados perante tais indicadores, tiveram a seguinte reacção: «O mais excitante facto deste ano é que o buraco de Ozono está maior do que alguma vez esteve, segundo os registos.»
Bem, pelo andar da carruagem, ainda vamos ouvir falar de cientistas que abrem uma garrafa de champanhe de cada vez que uma espécie se extingue ou que dão uma festa por cada vez que um incêndio destrói umas centenas de milhares de floresta virgem. Será que estes cientistas só se conseguem excitar com estas coisas, que provocam inundações, secas, temperaturas desconformes e, consequentemente, milhares de euros de prejuízos materiais e centenas ou milhares de mortes por acção directa ou indirecta, cancros da pele, desses fenómenos.
Umas mamocas bem feitas ou umas pernas bem torneadas não lhe chegam para lhes inflamar a libido?
Carlos Malmoro

24 setembro 2003

Dia Europeu sem Carros.
Dia Europeu com Demagogia.
Carlos Malmoro

Comentando comentários

«Pretendemos simplificar a Constituição da República Portuguesa e adequá-la à realidade actual» Diogo Feyo (CDS/PP), Diário de Notícias, 17/04/2003
A frase completa seria «...e adequá-la à realidade actual do CDS/PP»; só o politicamente correcto o impediu.

«O [programa] Acontece foi dos menos elitistas dos programas culturais da TV. Parte da Lisboa Cultural continuará visível, mas livrarias de Portalegre, grupos de teatro de Viseu ou poetas de Braga tão cedo não se safam.» António Costa Pinto, Diário de Notícias, 17/09/2003
Sinceramente, e descontando um certo paternalismo parolo, alguma vez se «safaram»?
Carlos Malmoro

Os Autógrafos de Miguel Torga

A Planeta d’ Agostini tem nas bancas uma colecção chamada Biblioteca Miguel Torga. É sempre vantajoso para a cultura portuguesa quando se tomam estas iniciativas, ainda para mais com uma apresentação excelente, o preço de capa acessível (8 Euros) e a justiça implícita que é feita à obra de um escritor que, em minha opinião, perdurará por uns séculos na nossa literatura, fruto da actualidade e acutilância da mesma.
O que eu já não acho nada bem é que, na capa dos referidos livros, esteja inscrito o seu autógrafo, porque, como é do conhecimento de quem leu os seus Diários, o autor recusou-se sempre a autografar os seus livros. Achava que isso adulterava a própria essência do livro; que isso tornava os exemplares do mesmo livro diferentes entre si, quando se procura que eles sejam iguais.
Será que quem dirige esta colecção preocupou-se tanto com a apresentação que negligenciou o conteúdo dos livros que irá publicar?
Carlos Malmoro

No Comment

Portugal é o país da OCDE onde morrem mais crianças vítimas de agressão. O problema afecta 3.7 em cada cem mil, perfazendo um total 323 crianças mortas, no período que o estudo abrangeu. Este número é seis vezes maior do que nos anos 70. Portugal ocupa o 1º lugar desta «lista negra», à frente de países como o México, a Áustria, a Hungria ou a Polónia.
Fonte: Relatório da Unicef para o Estudo da Mortalidade Infantil Provocada por Agressão e Negligência, nos Países da OCDE.
No Comment.
Carlos Malmoro

17 setembro 2003

Comentando Comentários

«Portas é efectivamente o queijo limiano de Barroso...» João Marques dos Santos, Correio da Manhã 16/05/2003
Deve ser por isso que Barroso anda tão esquecido das promessas que fez na campanha eleitoral.
Carlos Malmoro

O Crepúsculo dos Heróis

O advogado João Vieira de Almeida relata, na sua coluna semanal no Diário de Notícias, de 15/11/03, intitulada «Heróis & Aspiradores», uma história no mínimo insólita. Numa dessas visitas de venda ao domicílio de aspiradores que tudo limpam só com o nosso pensamento, uma amiga do supramencionado causídico, não queria acreditar na personagem que tinha diante dos seus olhos, a demonstrar-lhe e a tentar convencê-la das excelência do aparelho: nem mais, nem menos que Carlos Lopes. Justamente esse, o campeão olímpico, detentor do recorde mundial da maratona durante uma década. A senhora teve que confirmar, através de pergunta feita ao próprio. Não a censuro: perante a o surrealismo do episódio, faria exactamente a mesma coisa.
Mas esta história é uma boa metáfora deste nosso país. O homem que em 1984 foi mais rápido, mais forte e mais longe do que o resto do mundo na Maratona, edificando uma marca que só viria a ser batida cerca de dez anos depois, tem de acabar a auferir o seu sustento no porta-a-porta, na venda de electrodomésticos que as lojas consideram de fraca fiabilidade.
Para o homem que recebeu condecorações por feitos desportivos relevantes em favor da sua pátria, não existe uma única porta que se abra para que ele possa desenvolver uma actividade ligada ao desporto que ama: o atletismo (ainda se lembram da triste figura que fizemos nos Campeonatos do Mundo de Paris?);
Para o homem que tanto fez pelo Sporting e por «meter Portugal no mapa», não existe um conjunto de escolas, uma associação de clubes de atletismo que o convidem para falar aos atletas mais novos sobre a necessidade de esforço, dedicação e perseverança que tem de se ter, para se conseguir ser herói por um dia. Exacto, herói, e essa é a diferença entre um herói e um famoso: o primeiro possui o espírito de sacrifício pelo objectivo; o segundo sacrifica o espírito pela fama.
Carlos Malmoro

Missão Impossível

Há cerca de uma semana, semana e meia, revi a «Missão Impossível II», na SIC ou na TVI (não tenho bem a certeza). Única justificação: ver Anthony Hopkins, durante breves momentos, no inicio e no final da fita, transfigurar duas linhas de texto completamente banais em Arte. Foi uma missão impossível realizada.
Carlos Malmoro

O Cromo

Na sequência do golpe militar na Guiné-Bissau, uma das fortes possibilidades de exílio para Kumba Iála é este jardim à beira-mar plantado. A concretizar-se o exílio, Portugal passa a contar nas suas hostes com o Cromo dos cromos, o mais raro dos cromos, enfim, O Cromo, em carne, osso e de barrete.
Carlos Malmoro

Ainda Há Esperança...

O primeiro Flash Mob a ter lugar em Portugal, realizou-se no dia 15/09/03, na cidade de Lisboa. Consistia em examinar o horizonte em busca de algo e, fingindo que se encontrava o que se procurava, exclamar um sonoro e feliz «Yes».
Segundo a Imprensa, o Flash Mob deu lugar a um Flash Flop. É que compareceram a esta iniciativa imbecil três almas penadas. E é nestes pequenas - mas simbólicas - coisas, que vamos sustentando que Portugal não é um país definitivamente perdido para a acefalia colectiva, e que ainda há esperança. YES!!
Carlos Malmoro

16 setembro 2003

DA ESTUPIDEZ E DO RÍDICULO

Os Flash Mobs são uma espécie de manifestação instantânea do nada : a partir de uma convocatória recebida via Internet ou SMS, um grupo de pessoas, totalmente desconhecidas entre si, marcam um encontro num determinado sítio, de uma determinada cidade. Aí, fazem um gesto pre-estabelecido, sem qualquer teor político, cultural ou religioso, para, em seguida, dispersar. O gesto dura breves momentos e é absolutamente desprovido de qualquer sentido lógico, racional ou instintivo (uma vez que é pré-definido). Para melhor entender o espírito da coisa, deixo-vos dois exemplos:
Em Nova Iorque, cerca de cem pessoas reuniram-se junto de uma loja de brinquedos e rosnaram para um dinossauro de borracha que ali se encontrava, dispersando em seguida. Em São Paulo, aproximadamente cem pessoas juntaram-se e atravessaram uma das avenidas mais movimentadas da cidade. O particular dessa travessia foi, durante o percurso, terem retirado os sapatos e baterem com eles no chão. Depois, dispersaram.
Analisando estas manifestações, chega-se facilmente às seguintes ilações: existe uma linha ténue que separa a sublimação da mensagem da inexistência de mensagem; existe ainda uma outra linha ténue, que separa o humor non-sense da imbecilidade absoluta. Finalmente, existe uma linha - igualmente ténue - que separa o ilogismo dos gestos, por forma a reforçar o seu conteúdo, da estupidez de um nível tão baixo e, principalmente, tão ridículo, que se torna difícil aquilatar a essência dos Flash Mobs, pela enormidade de demência cretina que estes manifestos implicam. Os Flash Mobs ultrapassam todas estas linhas por sofrerem de um niilismo absoluto: são iniciativas sem mensagem, são gestos sem justificação e ideias sem conteúdo. E, com base nisto, se demonstra que a Natureza Humana não tem limites para a idiotia e que as nossas cidades andam povoadas de pseudo-intelectuais que nada mais têm mais para fazer na vida do que teorizar onanismos intelectualóides.
Que não haja misericórdia para a estupidez!
Carlos Malmoro

Os Nus de Spencer Tunick

Spencer Tunick, o nova-iorquino que costuma fotografar centenas (ou mesmo milhares) de pessoas em nu integral, nos centros das mais variadas urbes, decidiu-se, neste passado sábado, fazer uma incursão na cidade de Santa Maria da Feira.

No iní­cio, as sessões fotográficas de Tunick desfrutavam de uma carga revolucionária, naquele sentido em que importavam para a arte a celebração do corpo enquanto massa, enquanto população, enquanto um conjunto de paredes sem pintura que interagiam com as peles cínzeas dos edifí­cios citadinos. Até então, a arte apenas tinha descrito, interpretado e meditado sobre o corpo humano nu, enquanto indiví­duo, enquanto ser único e uno, belo na sua exclusividade e distinto na sua singularidade.

Hoje, as sessões de Tunick apenas se assemelham a uma provocaçãozita, uma vez que já perderam o sentido de novidade e do espí­rito de motim moral da arte, para se transformarem em acontecimentos inconsequentes e com um forte travo a linha de montagem. A melhor prova daquilo que acabo de afirmar é a reacção dos moralistas, nas cidades que Tunick visita: já não se indignam; antes ridicularizam as sessões.

Uma das condições que distingue um artista de um charlatão provocador é que o primeiro sabe reconhecer o esgotamento de um tema e, a partir daí, regressar ao ponto de partida para desenvolver uma nova ideia - ou, utilizando a mesma ideia, alterar o conceito subjacente. Spencer Tunick está a uns breves centímetros de cruzar a linha: um artista estagnado não é um artista; é um empregado.
Carlos Malmoro

Comentando Comentários

«Mussolini nunca matou ninguém. Ele mandava as pessoas para férias em locais distantes» Sílvio Berlusconi, Liberátion, Paris, 12/09/03,
Se juntássemos este ao Henry Kissinger, poderíamos começar a fazer um Clube dos Revisionistas da História.
«Se é verdade que George W. Bush finalmente apresentou a conta de quanto vai custar o esforço do Iraque, ainda não fez o suficiente para explicar tudo ao povo americano» Editorial, The New York Times, 14/09/03
Não me admira: ainda está por inventar o primeiro político que explique realmente tudo ao seu povo...
Carlos Malmoro

15 setembro 2003

O "Não" Sueco ao Euro

Se fosse em Portugal, e se a vantagem estivesse do lado dos apologistas do "Não", o assassínio de uma ministra bastante popular que defendesse o "Sim", faria com que a tendência de voto mudasse, dando a vitória aos defensores do "Sim". E porquê? Somos um povo que tem duas características que os suecos não têm:
Primeiro, somos latinos, logo mais emocionais que racionais, e depois, somos um povo que só gosta de reconhecer, e de dar razão, aos pontos de vista dos outros, depois da sua morte. No meio literário, costuma-se dizer, em jeito de brincadeira, que a condição sine qua non para um poeta ter sucesso é estar morto.
No entanto, duas razões contribuiram, a meu ver, para a vitória do "Não": num primeiro momento, a frieza de análise e a cerebralidade nórdicas não se compadecem com a emoção na hora do voto. Mas, a génese de todos os "Não"'s foi a arrogância alemã e francesa que, ao dizerem que só cumpririam o Pacto de Estabilidade lá para 2006, colocaram em xeque toda a disciplina financeira e arruinaram o pressuposto da igualdade de tratamento entre Estados, em que a Europa se alicerçou para se transformar no gigante económico que hoje é.
Como é sabido, os nórdicos são dos povos que a nível mundial mais disciplina exigem nas suas contas internas. E é fácil perceber o "Porquê" do "Não" sueco: estariam os suecos dispostos a fazer poupanças e a apertar o cinto, para os alemães e franceses esbajarem de forma desregrada o superavit do seu orçamento, em reduções de impostos para as empresas e famílias desses dois países? É óbvio que não: a solidariedade económica tem limites.
Carlo Malmoro

12 setembro 2003

Literalmente ...Sem Comentários

Não escrevi nenhum texto no dia 11 de Setembro, porque penso que estão como eu: ontem, como tudo o que era comentador, jornalista, escritor, artista, político, director de uma qualquer Fundação ou Associação, editor, blogger, explanava as suas ideias, elucidava-nos com as suas mensagens e exprimia os seus juízos, estou, neste dia 12, com uma overdose opinativa. Aquilo que eu penso sobre os “11 de Setembro”, Chile e EUA, está reflectido parcialmente nos textos de todos, e de cada um , mas não está avaliado integral e irrepreensivelmente em nenhum deles. Querem saber o que penso? Esperem até passar a overdose.
Carlos Malmoro

10 setembro 2003

O Nobel da Paz Revisionista

Numa entrevista recente ao jornal “La Tercera”, de Santiago do Chile, Henry Kissinger afirmou que o General Pinochet era mais uma vítima dos grupos de esquerda e dos fazedores de opinião do que um ditador sanguinário e déspota, e que «o seu maior pecado é ter derrubado um Governo que estava encaminhado em direcção ao comunismo». Por estas horas, o Comité Nobel estará arrependido de lhe ter atribuído o Nobel da Paz em 2002: nunca imaginaram que lhes sairia ao caminho um Revisionista. Pensando melhor, até não: afinal, estamos a falar de uma agremiação que já distinguiu com esse prémio um cidadão com as mãos cheias de sangue, e a consciência de mortos, de seu nome Arafat.
Carlos Malmoro

A Centenária Cineasta

Leni Riefenstahl morreu. Nunca uma artista despertou tanta conflituidade entre a consciência ética e o sentido estético como ela. De facto, os frescos que “pintou” do corpo humano perfeito são de uma beleza tal, que só se podem comparar ao Horror da ideologia que propagandeavam.
Carlos Malmoro